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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

SAÚDE É CASO DE POLÍCIA EM PARAUAPEBAS: HOSPITAL FECHA AS PORTAS E ACUSA PREFEITURA

A diretoria do hospital lavrou BO na polícia, explicando porque fechou as portas
O HGP passou 10 anos em construção e só funcionava havia seis meses
  
Menos de seis meses depois de inaugurado - a obra levou quase 10 anos para ser concluída -, o Hospital Geral de Parauapebas (HGP), que era para cuidar da saúde de pessoas pobres de quatro municípios da região, virou caso de polícia. Motivo: um calote da prefeitura, que há quatro meses não paga os custos de manutenção, hoje em R$ 15 milhões. 

A dívida é cobrada pela empresa Gestão de Saúde Focada em Resultados (Gamp), responsável pela administração do hospital. A diretora da Ong, Edith Selma Pereira, registrou um boletim de ocorrência na delegacia de polícia, informando que existe "um contrato de gestão com a prefeitura que não está sendo cumprido", porque o prefeito em final de mandato Valmir Mariano, o Valmir da Integral,  "deixou de repassar os valores mensais acordados no contrato".

Diz a diretora do hospital no BO que no dia 8 passado ela mandou para a prefeitura uma notificação da "falta de condições de trabalho e o míniimo necessário para manter o hospital funcionando", mas que não obteve do prefeito "nenhuma atitude para sanar os problemas citados". Edith Pereira relata ainda que apesar de ter proposto um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), juntamente com o Ministério Público, a prefeitura nada fez.

"Mediante a falta de recursos humanos, insumos e medicamentos, para não colocarmos em risco as vidas dos pacientes e sem condições de atendimento estamos fechando as portas do Hospital Geral de Parauapebas, que somando os  quatro meses que a prefeitura não repassa os valores do contrato, hoje a dívida com a Gamp chega ao total de R$ 15 milhões", finaliza a diretora no boletim policial.    

Só internados

Com a decisão da Gamp, somente pacientes internados na unidade estão sendo atendidos. A prioridade é para casos de urgência e emergência, além do serviço de hemodiálise, que também já funciona com extrema dificuldade. A notícia do fechamento do hospital pegou de surpresa funcionários que chegavam para a troca de plantão, ontem. "Eu acho que é um desrespeito para com o cidadão. Isso a gente, no Conselho de Saúde, não vai admitir", disse a enfermeira Leonice de Oliveira.

"A saúde não tem como ser financiada sem ter recursos. E a necessidade, após quatro meses sem os recursos serem pagos nas datas devidas e conforme rege o contrato, fica inviável a manutenção do hospital", reforça Michele Rozin, executiva da Gamp. A empresa garante que o atendimento será normalizado assim que a prefeitura fizer os repasses que faltam.

Uma reunião foi realizada ainda na noite de quarta-feira entre a prefeitura e a direção do hospital para tentar resolver a situação do atendimento, mas não houve acordo. 

Fala, prefeitura

Sobre os repasses referentes aos serviços prestados pela Gamp, a prefeitura informou que já foi realizada parte do pagamento devido à empresa. Mas que, em função de inconsistências encontradas na prestação de contas, o repasse dos valores restantes ainda depende de parecer do Ministério Público junto ao Conselho Municipal de Saúde.

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