VER-O-FATO: ESTUPRADA, ALEPA APROVA PACOTE DO GOVERNO

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

ESTUPRADA, ALEPA APROVA PACOTE DO GOVERNO

Mesa Diretora da Alepa: o Executivo manda e ela obedece de forma bovina


A "Casa do Povo", como se autodenomina a Assembleia Legislativa do Pará, é tudo, menos casa do povo, embora lá dentro haja 41 integrantes de uma tal democracia representativa, que cai pelas tabelas, mas se espelha no voto popular, para subordinar-se ao ditames ( não seria ditadura?) de um outro poder, o Executivo.

Nem dá para rir, tamanha é a desfaçatez com que se armou, em menos de uma semana, o circo de quinta categoria para aprovar um pacotaço do governo estadual imposto goela abaixo dos deputados, sem tugir nem mugir.

Nada foi discutido, debatido e emendado, nem pelos deputados, nem por eventuais sindicalistas convocados às pressas para sentar à mesa da Alepa com uma faca no pescoço. Fingiu-se um debate, como fingida foi a votação. A fatura já estava pronta e o povo pagará a conta salgada.

No caso dos servidores públicos, direitos foram pisoteados e varridos, enquanto a previdência, sucateada pela incompetência gerencial, para sobreviver terá que sofrer reajuste. Pior: bancado por quem teve o salário congelado.

A pressão popular, organizada ou não, ainda que tímida, se fez sentir do lado de fora do prédio da Alepa, cumprindo seu papel. Mas ela não vota, nem tem assento no plenário da dita Casa do Povo, embora em seu nome o poder lá dentro seja exercido.

O pacote foi aprovado, porque a massa de manobra parlamentar estava bem azeitada para que o rolo compressor deslizasse sobre ela sem nenhuma dificuldade. A maioria disse amém, como vacas de presépio no altar bovino do sacrifício.

Cumpriu-se a máxima perversa e criminosa de que, se o estupro é inevitável, relaxe. Poderia, é bem verdade, ser um estupro evitado. Mas o estuprado alguma vez teve vontade de reagir contra o estuprador?

Fora o grito de protesto de uns dez deputados, a maioria votou a favor do governo com um sádico prazer estampado no rosto.

Infeliz do povo que sustenta um Legislativo tão subserviente.

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