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sábado, 10 de dezembro de 2016

DIRETOR DA ODEBRECHT FAZ DELAÇÃO E MOSTRA QUE O PAIS ESTÁ PODRE. LEIA A ÍNTEGRA AQUI

 
Temer, Renan, Jucá, Serra e Alckmin: os cabeças do PMDB e PSDB no mesmo barco

O ex-vice-presidente de relações institucionais da Odebrecht, Claudio Melo Filho, entregou à Procuradoria-Geral da República um anexo de 82 páginas nas quais ele diz que cerca de quarenta políticos receberam 68 milhões de reais pagos pelo setor que a empresa chama de Área de Operações Estruturadas, que logo ficou conhecido como “departamento de propinas”. 

Entre eles estão o chefe da Casa Civil Eliseu Padilha, o empresário Paulo Skaf, o então deputado Eduardo Cunha, o senador Romero Jucá e o ex-ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima. Ainda segundo a delação explosiva do lobista da Odebrecht, o presidente Michel Temer pediu “apoio financeiro” para as campanhas do PMDB em 2014 a Marcelo Odebrecht. Ele teria se comprometido com um pagamento de 10 milhões de reais. 

Melo Filho detalhou como a Odebrecht negociava e repassava propina para as cúpulas do PMDB no Senado e na Câmara. Na primeira Casa, o principal interlocutor era Romero Jucá, atual líder do governo no Senado.
Jucá era o principal responsável pela arrecadação e consequente redistribuição de recursos para o PMDB. De acordo com o delator, as maiores demandas ocorriam em períodos eleitorais, e o repasse, sempre negociado com o então presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, era feito via doações legais ou por meio de caixa 2.

Ainda no Senado, outro interlocutor frequente era o senador Eunício Oliveira (CE). Cláudio Melo Filho, de acordo com a delação, afirmou ter participado de pagamentos ao PMDB que superam os R$ 22 milhões. Em contrapartida, a Odebrecht exigia benefícios no Congresso que passavam por medidas de regimes tributários, parcelamento de dívidas e acordos da indústria petroquímica.

Na Câmara, o delator afirmou que os interlocutores eram principalmente Eliseu Padilha, Moreira Franco em menor escala e, eventualmente, o próprio Michel Temer, então presidente do PMDB e vice-presidente nos governos de Dilma Roussef (entre 2011 e 2016). Segundo o executivo, Temer solicitou financiamento direto a Marcelo Odebrecht em um jantar, que ele acredita ter ocorrido em maio de 2014. 

Na ocasião, o então presidente do PMDB pediu diretamente o pagamento de US$ 10 milhões. Deste montante, 60% teriam sido destinados a Paulo Skaf, então candidato ao governo de São Paulo, e 40% para Eliseu Padilha. Parte deste dinheiro teria sido entregue no escritório de José Yunes, hoje assessor especial da Presidência da República. Por isso, embora não esteja claro na delação, supõe-se que o pagamento tenha sido feito em dinheiro vivo.

A delação de Cláudio Melo Filho ainda faz menções a Renan Calheiros (AL) - a quem o executivo teria dado R$ 500 mil – e a outros diversos nomes, entre eles Geddel Vieira Lima (BA), Eduardo Cunha (RJ), Lúcio Vieira Lima (BA) e Katia Abreu (GO), todos do PMDB; Jaques Wagner (BA), Marco Maia (RS) e Antonio Palocci (SP), do PT; Gim Argello (PTB-SP); e Agripino Maia (RN) e Rodrigo Maia (RJ), presidente da Câmara, ambos do DEM.

O repasse a pedido de Michel Temer fora revelado, em primeira mão, nesta tarde pelo BuzzFeed e depois confirmado pelo jornal "Folha de São Paulo". Mais tarde, também divulgou aqueles que seriam os apelidos dos políticos na planilha de propinas da Odebrecht. A informação foi retirada da própria delação de Cláudio Melo Filho, que também revelou valores repassados a alguns dos citados.

Alguns dos apelidos, segundo o site, seriam: Caju (Romero Jucá), Justiça (Renan Calheiros), Índio (Eunício Oliveira), Babel (Geddel Vieira Lima), Primo (Eliseu Padilha), Angorá (Moreira Franco), Caranguejo (Eduardo Cunha), Polo (Jaques Wagner) e Botafogo (Rodrigo Maia).

Outro lado

Em nota oficial divulgada à imprensa, o Palácio do Planalto chamou de "falsas" as informações prestadas por Cláudio Melo Filho e disse que o presidente Temer as "repudia com veemência". O comunicado diz ainda que as doações feitas pela Odebrecht ao PMDB sempre foram feitas via transferência bancária e declaradas ao TSE, sem existência de caixa 2.

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, lembrou não ter sido candidato a cargos eleitorais em 2014 e disse que nunca tratou de arrecadação para deputados com ninguém. Ainda foi enfático ao afirmar que "a acusação é uma mentira!" e disse ter certeza de que isso será comprovado.

Ao Jornal Nacional, Moreira Franco também declarou que a acusação é mentirosa e que nunca tratou de assuntos de verbas com o executivo da Odebrecht. Romero Jucá afirmou que desconhece o teor da delação de Cláudio Melo Filho e negou que recebesse fundos pelo partido.

Também ao telejornal, Renan Calheiros disse que jamais autorizou ou consentiu que falassem em seu nome em negociações desse tipo. Eunício Oliveira afirmou, ainda ao JN, que todos os recursos recebidos foram declarados e aprovados pela Justiça Federal.

Geraldo Alckmin é citado por outros delatores

A delação de Cláudio Melo Filho não foi a primeira a vazar nesta sexta-feira. Pela manhã, a Folha revelou com exclusividade que outros executivos da Odebrecht ouvidos nesta semana citaram repasses em forma de caixa 2 para as campanhas do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

Segundo os delatores, sendo um deles o ex-diretor Carlos Armando Paschoal, a propina nunca foi negociada diretamente com Alckmin, mas foi repassada, em dinheiro vivo, a pessoas próximas ao governador nos pleitos eleitorais de 2010 e 2014 ao governo do Estado.

Em 2010, segundo relatos obtidos pela Folha, o repasse de R$ 2 milhões foi feito a Adhemar Ribeiro, irmão da primeira-dama, Lu Alckmin. Já em 2014, o caixa 2 - cujo valor não foi revelado - teve como um dos operadores Marcos Monteiro, hoje secretário de Planejamento.



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