VER-O-FATO: A SEGURANÇA FLUVIAL NO PARÁ AFUNDA E NINGUÉM ASSUME SUAS RESPONSABILIDADES

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

A SEGURANÇA FLUVIAL NO PARÁ AFUNDA E NINGUÉM ASSUME SUAS RESPONSABILIDADES



Os rios da Amazônia - verdadeiras estradas fluviais de uma população que viaja constantemente para visitar parentes, negocia produtos ou simplesmente conhece a região como turista - estão despoliciados e ao deus-dará. Passageiros e profissionais que atuam na navegação, por exemplo, reclamam da falta de fiscalização nas embarcações que circulam nos rios do Pará. 

Barcos sem licença para navegar rodam por toda a região e nada acontece. Pior: embarcações superlotadas de passageiros, acima do limite, e com carga além do permitido, colocam sob risco de morte a segurança de todos e ainda assim continuam a navegar na maior tranquilidade.

Trágedias como as do "Sobral Santos", no porto de Óbidos, ou do "Novo Amapá", no rio Jari, onde mais de 600 pessoas morreram, parece que não serviram de alerta para nossas autoridades, que continuam inertes em suas zonas de conforto.   

Todos os agentes governamentais têm culpa no cartório, mas nenhum deles assume suas responsabilidades, transferindo-as para os ombros uns dos outros, num cenário de descaso que já dura décadas, apesar das inúmeras tragédias que fizeram e continuam a fazer história.

Na última quarta-feira (7), uma lancha que saiu de Belém em direção à cidade de Ponta de Pedras, no arquipélago do Marajó, naufragou com mais de 40 pessoas, e fez pelo menos quatro mortos, até agora. Outras sete pessoas continuam desaparecidas. 

"Falta fiscalização. Sai uma embarcação, e a Capitania vai lá ver se está regular, se não... acho que é por aí", afirma o marítimo Mário Soares. De acordo com a Capitania dos Portos da Amazônia Oriental, são mais de 60 mil embarcações que transitam pelos rios do Pará sem que o próprio órgão saiba se elas apresentam condições de segurança ou não.

A lancha que naufragou possuía inscrição na Capitania dos Portos, mas de acordo com o órgão, ela não estava autorizada a fazer a viagem. O proprietário da embarcação disse que tem a documentação necessária e que ainda não foi notificado para prestar esclarecimentos.

"Vamos chamar todos, principalmente o responsável pela embarcação, o comandante, todos eles vão depor aqui na Capitania para que a gente possa apurar as causas do acidente", afirmou o capitão dos Portos Aristides Carvalho Neto. O velho discurso das enérgicas providências para mais uma tragédia anunciada. 

A Polícia Civil também investiga a situação da lancha e da empresa responsável pela embarcação. O delegado responsável pelo inquérito diz que várias pessoas podem ser responsabilizadas pela tragédia. "Pressupõe a instalação de pelo menos dois inquéritos: um policial e um marítimo. E a partir daí vamos pegar informações de todos os órgãos, da Arcon, se estava liberada para fazer transporte de passageiros, informações da própria Marinha se a lancha estava em condições de navegabilidade, então são vários fatores que vão conduzir a investigação", afirmou Dilermano Dantas, diretor da Delegacia Fluvial (Deflu).

Em resumo: tudo continuará como dantes no quartel de Abrantes. A única novidade é que, desta vez, o Ministério Público Federal (MPF) resolveu intervir nesse festival de incompetências. Já realizou semana passada uma reunião com as autoridades, traçando as coordenadas de uma ação comum. 

Será que agora vai?

(Do blog Ver-o-Fato, com G1 Pará)

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