sábado, 26 de novembro de 2016

HORROR E TIROS SOBRE UMA FAMÍLIA EM ABORDAGEM DESASTRADA DA PRF EM MARITUBA




Vejam a que ponto chegamos em matéria de violência no Estado do Pará, onde a vida humana não vale um centavo furado e onde também certas autoridades que deveriam zelar pela segurança dos cidadãos são as primeiras a agir com truculência, cometendo erros grosseiros. Tudo ocorreu na noite de ontem, em Marituba.

Segundo o relato do professor Pedro Gilmar, parente das vítimas, a família, que estava num carro - que provavelmente foi confundido com veículo de assaltantes -, só não foi assassinada por "milagre". Todos ainda estão extremamente abalados. Uma senhora, mãe de um engenheiro, foi baleada, mas está fora de perigo. Na hora da violenta abordagem, os policiais da Polícia Rodoviária Federal (PRF) tinham o apoio da Polícia Militar.

Pedro Gilmar conta que dentro do carro da família estavam o engenheiro Ricardo da Cunha Bezerra; a esposa Michelle Bezerra, grávida de 7 meses, e sua mãe, a professora Vanja da Cunha Bezerra. Ele disse que não sabe explicar como em meio à chuva de balas dos policiais nos vidros e na lataria do carro, as pessoas que estavam dentro do veículo sofreram apenas ferimentos causados pelos estilhaços dos vidros. A irmã de Gilmar, atingida por um tiro de raspão, foi medicada e passa bem, apesar do grande trauma emocional. 

Gilmar afirmou que toda a família está "muito revoltada" como tudo ocorreu. "Quem está para garantir a nossa segurança está querendo nos executar. A impressão que temos é que os policiais só estão realizados se estiverem puxando o gatilho” criticou ele, apontando o completo despreparo dos policiais da PRF.

“Eles já desceram atirando na altura do pescoço, abdômen, com armas de grosso calibre e prontos para matar mesmo. As roupas das vítimas estão furadas e ensanguentadas. Não sabemos explicar como eles estão vivos. Foi Deus que entrou naquele carro e protegeu nossa família”, enfatizou. O carro atingido pelos disparos passou por perícia nesta manhã de sábado, por agentes do  Centro de Perícias Científicas (CPC) Renato Chaves.

Nota da PRF

O inquérito policial foi aberto pela Delegacia de Marituba. A corregedoria da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em nota, diz já ter tomado conhecimentos dos fatos que irá "tomar todas as providências necessárias". De acordo com a PRF, ela "não compactua com nenhum desvio de conduta".

A corregedoria garante que não haverá impunidade, nem injustiças e, se houve erro ou excesso, "a punição devida ocorrerá e no que couber o ressarcimento pelos danos materiais e morais também, pois o Estado possui responsabilidade objetiva, basta demonstrar o dano injusto cometido, mas a responsabilidade dos agentes é subjetiva e por isso é preciso demonstrar se houve dolo ou culpa na conduta deles".

Sem impunidade

O estrago na imagem da instituição, no Pará, contudo, já está feito. É preciso apurar a fundo o que ocorreu e responsabilizar criminalmente os envolvidos, e civilmente a própria PRF. Além disso, apurar também o grau de participação da PM no desastrado episódio. 

Sintomático dos tempos assassinos que vivemos.

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