VER-O-FATO: EM BELÉM, TIROTEIO EM SUPERMERCADO; NO INTERIOR, MORTES E ASSALTOS. O PARÁ ESTÁ RENDIDO

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

EM BELÉM, TIROTEIO EM SUPERMERCADO; NO INTERIOR, MORTES E ASSALTOS. O PARÁ ESTÁ RENDIDO

 
 
Veja a quantidade de armas e munição e 4 presos no assalto ao BB de Mocajuba

As fronteiras do Pará estão com suas portas escancaradas para criminosos de todos os padrões: traficantes de drogas, pistoleiros foragidos de outros estados, quadrilhas que assaltam bancos, contrabandistas de minérios, animais silvestres, além de "empresários" agenciadores da prostituição de mulheres para o Suriname, Caiena e países europeus. Por essas fronteiras, despoliciadas, se entra e se sai do Pará a hora que quiser.

Em Belém, a morte de marginais em confronto com a polícia, a execução de alguém que não pagou a droga que consumiu, o assassinato na disputa pelos pontos de tráfico, até mesmo a vingança contra policiais militares que tombam em serviço, já não causa mais qualquer espanto. 

Estamos anestesiados pela banalidade da violência e dos corpos sangrando nas ruas, ou "desovados" nas quebradas onde nem a polícia tem coragem de entrar. Tudo isso documentado diariamente nas páginas políciais  dos nossos jornais, com manchetes de primeira página, numa sangria desatada para bater a concorrência.

Sair para o trabalho, ou ir à rua em busca de emprego - nesses tempos de assustadora retração do mercado - e voltar para casa sem ter sido assaltado, ou vítima de uma bala perdida, virou desafio cotidiano. Sobreviver em meio à falta de esperança de que essa violência seja efetivamente combatida é a palavra de ordem. 

Feliz daquele que não vira estatística fúnebre. Deve agradecer aos céus ou à obra do acaso ter escapado ileso. O trauma, porém, continua. O bombardeio de notícias no rádio, na TV e nas redes sociais transforma qualquer um em refém da barbárie, da insegurança e do medo de ser a próxima vítima. 

As últimas, para variar

Enquanto isso, os fatos se sucedem. Na noite de domingo, por exemplo, policiais civis da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) e do Comando de Operações Especiais (COE), da Polícia Militar, prenderam, após quatro dias de caçada, a quadrilha envolvida no assalto a agência bancária em Mocajuba, no dia 2 passado. 

Os assaltantes estavam escondidos em uma residência no bairro conhecido por  Vila Macarrão, em Tailândia. Com eles, pesado armamento foi encontrado. Os malotes com o dinheiro roubado estavam em outra residência. No assalto, 10 homens chegaram em dois veículos atirando e invadiram o banco. 

Após invadir o local, os criminosos levaram diversas pessoas reféns para a frente do estabelecimento bancário, enquanto parte do grupo saqueou valores em dinheiro. Na fuga, três funcionários do banco foram levados reféns e liberados sem ferimentos. 

Os reféns eram o gerente e dois vigilantes do banco. Homens da Polícia Militar chegaram a trocar tiros com os assaltantes, que fugiram em direção à cidade de Breu Branco. O banco não divulgou o valor roubado. Dias antes, outra agência bancária, em Castanhal, havia sido assaltada.

83 doentes

Segundo o Sindicato dos Bancários do Pará e Amapá, esses assaltos, além dos traumas nos clientes, têm afetado profundamente a saúde dos trabalhadores dos bancos. "Às vezes os traumas surgem meses depois do assalto e o trabalhador precisa ser afastado para tratamento”, explica o diretor de saúde do Sindicato e empregado do BB, Gilmar Santos.

Segundo levantamento feito pela entidade, somente neste ano, 83 bancários e bancárias foram ou ainda estão afastados do trabalho para tratamento médico, a maioria vítima de assalto. O Banco do Brasil, junto com a Caixa, são os bancos que mais têm trabalhadores adoecidos, ficando atrás somente do Banco da Amazônia.

A onda de ataques a bancos começou nas primeiras horas de novembro na agência do Santander, na Cidade Nova, em Ananindeua, Região Metropolitana de Belém. Homens armados arrombaram dois caixas eletrônicos e levaram todo o dinheiro. 

Eles ainda tentaram abrir o cofre, mas não conseguiram. Antes de fugir, a quadrilha ainda destruiu todo o sistema de segurança para dificultar o reconhecimento deles. Até agora ninguém foi preso.

É assim que caminha, entre balas e sustos, a humanidade paraense. 
 

2 comentários:

  1. Pena que um estado tão maravilhoso com o Pará tenha que passar por uma situação dessa!

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  2. Pena que o Brasil, tão maravilhoso tenha que passar por uma situação dessa!

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