VER-O-FATO: A QUINTA ONDA

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

A QUINTA ONDA



Francisco Sidou - jornalista e escritor

Em seu livro (bestseler) "A terceira onda", Alvin Toffler, economista e futurólogo americano, analisou os efeitos  na economia, na política e nos costumes da chamada "Era da Informação", com a evolução  e aperfeiçoamento de computadores tablets e celulares cada vez mais potentes, colocando o acesso ao  mundo na palma da mão de qualquer cidadão.

Toffler, que já tinha estudado a primeira onda como a revolução no campo e  a segunda onda com o advento das máquinas na revolução industrial, também delineou os parâmetros da quarta onda, que caracteriza como a era da sustentabilidade e da prioridade em ações voltadas à preservação do  meio ambiente, como sustentáculos da própria sobrevivência do homem dito civilizado no Planeta Terra.

Curiosamente, nas projeções de Toffler, quanto mais o homem evolui em termos de tecnologia e conhecimento, mais vai ficando alienado quanto à política e indiferente aos políticos que dirigem os destinos de seus países. O dramaturgo e filósofo alemão Bertold Brecht, já alertava, no século passado,  que "o problema dos que não gostam de política é que  são  governados por políticos".

No Brasil, passada a euforia da vitória ou o choro da derrota nas últimas eleições municipais, um dado assustador deveria merecer a reflexão dos "políticos profissionais": cerca de 30% dos eleitores em todo o país deixaram de votar (abstenção) ou votaram em branco ou anularam seu voto.

São cerca de 45 milhões de votos em um contingente de 145 milhões de eleitores aptos a votar. É um "brado retumbante" da sociedade, que revela a "fadiga" do atual modelo político-eleitoral, com 35 partidos que se tornaram cartórios eleitorais ou "capitanias hereditárias", sugando recursos públicos através de um duto chamado Fundo Partidário. Acresce que mais 35 novos partidos estão pleiteando registro para aumentar essa esbórnia.

Logo, não é de todo surpreendente a falta de interesse do eleitor pela política, nos moldes em que é praticada, na base do "é dando que se recebe" (propina), preceito franciscano mais do que enxovalhado pelas práticas nada republicanas de suas excelências, sem falar na "farra das passagens", no abuso de voos em jatinhos da FAB e de cartões corporativos, na manipulação dos partidos e do inchaço da máquina pública com a nomeação de parentes, aderentes, afilhados e até amantes com  cargos de DAS, ocupando vagas de milhares de concursados em todo o Brasil.

A desesperança do eleitor com os profissionais da política está sendo apontada como um dos principais fatores da surpreendente vitória de Donald Trump como o 45º presidente dos Estados Unidos, o cargo mais importante do mundo. Irreverente e audaz, Trump desdenhou de todos os "preceitos" até então tidos como politicamente corretos, desafiando minorias, as elites políticas, poderosas famílias, as pesquisas e até os veículos da mídia tradicional, todos simpatizantes de Hillary Clinton, por achá-lo despreparado para o cargo. Até Obama, de riso fácil, mostrou-se comedido e tenso na audiência de "recepção" ao novo eleito na Casa Branca, onde  vai morar.  



Desmoralizados pelos fatos, os institutos de pesquisas, os "analistas" da grande imprensa e  cientistas políticos buscam agora entender o fenômeno Trump. Alguns atribuem sua vitória a uma "vingança" da maioria silenciosa do eleitorado, usualmente apática às campanhas políticas.

Outros consideram Trump "uma nuvem passageira", mas que pode causar alguns estragos (Furacão Trump) na diplomacia americana com suas chamadas "medidas de impacto" como a deportação de 3,5 milhões de imigrantes ilegais (muitos são brasileiros), construção de muros na fronteira com o México, além do "assanhamento" de  sociedades secretas como a Ku Klux Klan, que defendem preceitos ultraconservadores para a sociedade americana, com alguns temperos de práticas nazistas, na suposição de que os americanos brancos ("puros") não podem deixar se contaminar com imigrantes latinos, gays, lésbicas e seus simpatizantes.
 
A Quinta Onda, não prevista pelo futurólogo Alvin Toffler, seria então prenúncio de novos tempos na política das Nações. A hora e a vez dos "outsiders". No Brasil, "comunicadores" como Roberto Justus, também "topetudo", visto como o Trump brasileiro, analisa a possibilidade de sair candidato a presidente em 2018. Jair Bolsonaro também se anima e teria sondado o pastor Silas Malafaia como seu vice. 
 
No Pará, Carlos Santos, "o amigo do povo", estaria sendo sondado para sair candidato a governador, em 2018, tendo Pinduca como vice. Éder Mauro ainda balança, um tanto quanto decepcionado por não ter sido eleito prefeito de Belém. Mas não descarta essa possibilidade, tendo como vice um "comunicador", talvez o Jeferson Lima.


2 comentários:

  1. Muito lúcido teu comentário, amigo Carlos Mendes. Como sempre. Há quem veja em Trump a sétima besta do Apocalipse.

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  2. Na media 20 a 23% são as abstenções + voto nulo + voto em branco nas eleições anteriores principalmente no pará , logo diria q são apenas 10% de pessoas q realmente deixarão de vota

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