segunda-feira, 3 de outubro de 2016

ZENALDO REPETE DUDU DE 2008; O MARKETING É O MESMO. E EDMILSON, O QUE FARÁ?

Zenaldo e Edmilson: um repete a fórmula de Orly, e o outro, qual a estratégia?
 
O que aconteceu na eleição do primeiro turno em Belém? Por que Zenaldo, que até mesmo pelo Ibope estava em empate técnico com Eder Mauro, ficou em primeiro lugar, impondo uma vantagem de exatos 11.823 votos sobre Edmilson, o favorito de todas as horas e de todas as pesquisas?

O que fez Zenaldo, que um mês antes da eleição tinha rejeição de 49% do eleitorado e era tido como o pior prefeito que Belém já teve - superando inclusive o notório Duciomar Costa -, virar o jogo na prorrogação do segundo tempo, credenciando-se para sonhar com um novo mandato?

As máquinas municipal e estadual dos tucanos a favor de Zenaldo pesaram e influenciaram o eleitorado? As manipulações das pesquisas foram decisivas? O uso e abuso do poder econômico também foi determinante para o resultado? 

Ou será que o candidato tucano foi competente no discurso, ajudado por um marketing que conseguiu mostrar o que os adversários e parte da população não tinham visto ainda sobre as realizações do prefeito?

É preciso considerar cada um desses ingredientes, misturá-los e levar a panela ao fogo para concluir, depois da comida pronta, que o sabor da reeleição de Duciomar, oito anos atrás, permanece vivo, no cheiro e no paladar do eleitorado de Belém, e que Zenaldo é um Duciomar reencarnado, até na cor amarela.

O discurso é igual, a estratégia semelhante e até o marqueteiro, Orly Bezerra, é o mesmo. A fórmula de mostrar que o atual prefeito é aquilo que nunca foi - um administrador competente, atento aos problemas da cidade e com capacidade de pensar e resolvê-los de forma eficiente - deu certo e tem tudo para reeleger Zenaldo. 

Outra Belém

Os adversários fracassaram na missão de convencer os eleitores de que Belém está abandonada, que a saúde é caótica, que a segurança pública e seus números aterradores colocam a capital paraense entre as mais violentas do mundo, que 200 mil pessoas diariamente não têm água nas torneiras, que os esgotos a céu aberto sufocam 1 milhão de moradores, que o transporte é ineficiente, o BRT que não anda é uma solução já tardia e superada, ou que o lixo acumulado pelas ruas é a causas de muitas doenças. 

Foi assim, negando tudo e armando pegadinhas para os adversários, que  Duciomar se reelegeu em 2008. Orly Bezerra utilizou a estratégia de desqualificar os adversários, mostrando que estes não eram melhores que Dudu. Com isto, consolidou no sentimento da população a ideia de que há muitos problemas a resolver na cidade, mas que muito também foi feito e tudo seria ainda melhor no segundo mandato. Zenaldo nem precisou inovar: bastou repetir a fórmula de Orly, em 2008, no primeiro turno.

Os números de ontem, na virada de Zenaldo, são muito parecidos com os obtidos pelos candidatos que disputaram com Duciomar em 2008. Naquela eleição, como nesta, a grande maioria dos eleitores não votou no prefeito do PTB, que tinha na sua retaguarda Simão Jatene e a máquina do PSDB. 

Cabala de votos

No primeiro turno de 2008, Duciomar obteve 35% dos votos; Priante, 19%; Mário Cardoso, 18%; Valéria, 13%; e Jordy, 11%.  No segundo turno, naquilo que o marketing de Orly Bezerra definiu como uma "eleição contra tudo e contra todos", Duciomar obteve 59,60% dos votos válidos. Priante, o adversário de Dudu, ficou com 40,40% dos votos.

Dos 66% dos eleitores que não votaram em Duciomar no primeiro turno, ele abocanhou mais da metade dos votos, obtendo uma vitória de goleada sobre Priante, o candidato do PMDB. A coincidência do segundo turno de 2008 com o segundo turno de 2016 é espantosa: os mesmos 66% que rejeitaram Zenaldo, votando em outros candidatos, incluindo Edmilson, voltarão às urnas no final deste mês para eleger o novo prefeito. Para os superticiosos, 66 é um número cabalístico. E só.

A pergunta é: Edmilson terá capacidade de agregar essa ampla maioria de insatisfeitos com a gestão de Zenaldo  (36% deles votaram em outros candidatos, fora o próprio Edmilson) ?. A estratégia do candidato do Psol será mudada ou ele persistirá no discurso de que é mais qualificado do que Zenaldo para governar a Belém que já esteve sob seu comando por duas vezes? O Edmilson paz e amor será outro? A final de 2012 será a mesma de 2016, lembram?

Mudar ou perder

Conversas e alianças são importantes para consolidar uma base de apoio forte e vencer Zenaldo, que além dos 14 partidos que o apoiam, avançará com muita fome sobre eleitores de Eder Mauro, Úrsula Vidal ou Maneschy, cerca de 283 mil votos, que ao menos em tese migrariam para Edmilson.

Eleição, porém, não se ganha com previsões, nem teses, mas com um discurso capaz de atrair indecisos e desconfiados. Além disso, é fundamental uma boa estratégia de campanha, peças inteligentes no rádio e na TV, além de mensagens e conteúdo que desmontem o discurso do adversário e conquistem  novos eleitores.

Ao campo de batalha, senhores. O segundo turno já começou.

2 comentários:

  1. Permita-me discordar de você, prezada Isabela Safira. Não foram os que se abstiveram que deixaram de derrotar o candidato do governo. Os 19% de abstenção, um pouco para mais, um pouco para menos, já vem se mantendo há várias eleições, seja para prefeito ou governador. O problema é que o desencanto com a política e, porque não dizer, a alienação política da maioria da população, levam cada vez mais a eleger-se candidatos que não representam as parcelas mais carentes. Soma-se a isto o modelo velhaco e carcomido de democracia representativa que temos. Os candidatos ricos fazem a festa e os eleitores pobres vão atrás, elegendo seus próprios carrascos, numa verdadeira autofagia política.

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  2. Quem venceu essas eleições foram as abstenções 298 mil faltosos. Infelizmente essas pessoas deixaram de tentar decidir por algo melhor. Belém tinha uma ou duas opções. Parabéns para a Úrsula que com todos os entraves conseguiu passar uma mensagem que nenhum político quer sonhar em implantar que é a educação no sentido mais amplo da palavra .. instrumento de transformação que a velha política tem pavor, uma vez que pode exclui-los dos pleitos. em URNAS APONTAM ZENALDO E EDMILSON NO SEGUNDO TURNO. Isabela Safira

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