VER-O-FATO: NO PARÁ, MAIS DE 5,4 MIL CRIMES ELEITORAIS, COMPRA DE VOTOS E R$ 140 MIL APREENDIDOS

domingo, 2 de outubro de 2016

NO PARÁ, MAIS DE 5,4 MIL CRIMES ELEITORAIS, COMPRA DE VOTOS E R$ 140 MIL APREENDIDOS

Na casa de Alzira Mutran, em Marabá, foram apreendidos R$ 30 mil que seriam usados em suposta compra de votos
Propaganda de vários candidatos a prefeito e  vereador também foi apreendida
Com tropas federais em 70 dos 144 municípios, o Pará tem uma eleição tranquila na capital, mas agitada e com várias denúncias de compra de votos, abuso de poder econômico e transporte ilegal de eleitores no interior do estado. 

Numa operação conjunta do Ministério Público Eleitoral (MPE) e da Polícia Civil, em Marabá foram apreendidos mais de R$ 140 mil em espécie, além de muito material de campanha, nas casas de três candidatos a vereador. A denúncia de compra de votos foi feita por anônimos. 

O MPE cumpriu 27 mandados de busca e apreensão por ordem do juizado da  23ª Zona Eleitoral. Nas residências de candidatos e de cabos eleitorais foram apreendidos propaganda e outros documentos, além de computadores. 

Na primeira investida, R$ 110 mil estavam nas residências de dois vereadores, um deles Miguel Gomes Filho, o Miguelito, presidente da Câmara Municipal de Marabá e candidato à reeleição. Depois, mais 30 mil foram apreendidos na casa de Alzira Mutran, cunhada da candidata a vereadora Cristina Mutran, esposa do Nagib Mutran, ex-prefeito e ex-vereador de Marabá, segundo informações do blogueiro Zé Dudu.

Outro lado

Um homem também foi preso em frente a uma escola quando oferecia R$ 20 a uma eleitora para que ela votasse num candidato.  Ele foi levado para a sede da Polícia Federal.O vereador Miguelito disse que os R$ 100 mil encontrados na casa dele não eram para comprar votos, mas para pagar uma "cirurgia de um tumor no reto" que fará no próximo dia 5, num hospital de São Paulo. 

Desse total, R$ 30 mil seriam para pagar um médico de Marabá que irá acompanhá-lo ao hospital, enquanto os outros R$ 70 mil serviriam para as despesas com a própria cirurgia e o hospital, além de hotel. Ele pediu à Justiça Eleitoral para liberar o dinheiro apreendido.

Clima pesado
Em Goianésia e Jacundá, na região sudeste, cerca de 60 homens do Exército e um contingente da Polícia Militar, além de policiais federais, patrulham as ruas e locais de votação para evitar brigas entre cabos-eleitorais de candidatos e boca de urna.

No começo deste ano, em Goianésia, distante 350 km de Belém, o prefeito João Gomes da Silva (PR), de 62 anos, conhecido por “Russo”, foi assassinado com vários tiros por um pistoleiro quando participava do velório de um amigo.

Um mês depois, dois pistoleiros em uma motocicleta mataram a tiros o vereador José Ernesto da Silva Branco (PHS). Os dois crimes até hoje não foram esclarecidos, nem os assassinos presos. Na eleição, quatro candidatos disputam o cargo de prefeito. A polícia informou que nenhum incidente foi registrado até o começo da tarde.

Gasolina eleitoral
No município de Eldorado dos Carajás, no começo da manhã, o juiz eleitoral Líbio Araújo Moura flagrou e mandou fechar um posto de combustíveis na rodovia PA-275, pertencente ao candidato a prefeito Divino do Posto (PPS). No local foram encontradas dezenas de requisições de combustíveis assinadas pelo candidato.

Até o momento, o MPE recebeu, desde o começo da campanha, mais de 5,4 mil denúncias de crimes supostamente praticados por candidatos em todo o Pará. Desse total, mais de 350 seriam de concorrentes ao cargo de prefeito.

Do total de denúncias - feitas com provas, como vídeos, fotos e documentos - 40% dizem respeito a propaganda eleitoral, 22% crimes eleitorais, 15% outras infrações, 10% de compra de votos, 9% uso da máquina pública e 4% de doações e gastos eleitorais.

O município de Ananindeua lidera o ranking da cidade com mais denúncias. Hoje, do total, Belém (747), Ananindeua (622), Marabá (208), Tucuruí (179) e Abaetetuba (164). 

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