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Linha de Tiro - 19/04/2018

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

ALEPA HOMENAGEIA EX-MINISTRO DO TRABALHO; HERÓIS DA CABANAGEM REVIRAM-SE NO TÚMULO

Empresária diz ter dado propina ao ex-ministro "benfeitor do Pará"
Márcio Miranda (C) aperta as mãos de Carlos Lupi: homenagem ou desagravo? 
Deputados entregam a comenda "Mérito Cabanagem" ao  ex-ministro


Os cabanos, de 1835 a 1840, pagaram com suas próprias vidas o preço de lutar por um Pará mais desenvolvido e independente.  Hoje, porém, eles reviram-se no túmulo e dão socos para arrombá-lo e ir tomar satisfações na presidência da Assembleia Legislativa.

À falta de coisa melhor para fazer e num ato de típica bajulação, o presidente da Alepa, deputado Márcio Miranda, tirou do armário mais uma daquelas comendas, no caso a apelidada de "Mérito Cabanagem", e a entregou a quem certamente nada fez pelo Pará.

Esse tipo de homenagem, aliás, virou regra faz tempo na maior casa de leis do Estado onde, pelo visto, aposta-se na falta de memória da população para banalizar honrarias sob alguns critérios no mínimo suspeitos. 

O salamaleque honorífico serve, também, para inflar o ego de alguns que se imaginam benfeitores do povo paraense.  Sem tirar, é claro, o mérito de muitos que já foram contemplados.

O agraciado da hora, anteontem, foi o ex-ministro do Trabalho e Renda nos governos de  Lula e Dilma Rousseff, que é também o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, saudado efusivamente por Miranda e outros deputados.

"Esse momento é importante porque mostra o reconhecimento do Parlamento às pessoas e aos políticos,  sejam eles paraenses ou não, que tenham contribuído com seus relevantes serviços para o engrandecimento da nação e do estado. Essa é a nossa maior Comenda e por isso tenho muita satisfação em prestar essa homenagem ao Carlos Lupi, que tem uma história política de trabalho em prol do desenvolvimento da sociedade”, justificou Márcio Miranda.

Para quem não sabe, Lupi praticamente saiu corrido do Ministério do Trabalho por envolver-se em denúncias de corrupção. Em janeiro de 2014, por exemplo, a revista IstoÉ publicou denúncia da empresária mineira Ana Cristina Aquino.

Ela afirma que pagou propina ao ex-ministro Carlos Lupi num esquema para criação de sindicatos no Ministério do Trabalho que permaneceu ativo na gestão do ministro Manoel Dias. "Levei R$ 200 mil para o ministro Lupi", contou Ana Cristina.

Veja esse trecho da entrevista da empresária, hoje falida por ter se envolvido em falcatruas: 

ISTOÉ – A sra. está tentando criar um sindicato? 

Ana Cristina Aquino –
Desde 2011. Essa carta sindical iria sair na época do Carlos Lupi no Ministério do Trabalho. O advogado João Graça, que é do PDT, foi contratado pela nossa empresa justamente porque tinha ligações com o Lupi. Ele era a nossa garantia de que o sindicato seria aprovado rapidamente.
ISTOÉ – O então ministro Carlos Lupi recebeu dinheiro para viabilizar esse sindicato?

Ana –
Recebeu, recebeu sim. Levei R$ 200 mil para ele. Carregando uma bolsa nas costas, fui direto para o gabinete dele. Segurando uma mochilinha da Louis Vuitton. Não tem aquelas compridinhas? Foi daquelas. Ele mandou desligar o telefone assim que eu entrei. Disse: “Não está gravando não, né?” Eles são espertos!
ISTOÉ – Como a sra. passou pela segurança na portaria do Ministério carregando tanto dinheiro  em uma mochila?

Ana –
João Graça passava por tudo que é lado!!! O doutor João mandava naquele Ministério.
ISTOÉ – Então a sra. entrou direto, sem passar pela segurança?

Ana –
Direto. Usamos o elevador do ministro.
ISTOÉ – Qual a origem do dinheiro que foi entregue ao ministro?

Ana –
O Sérgio Gabardo (empresário acusado por Ana Cristina de ser o verdadeiro dono da AG Log) me entregou o dinheiro e falou: “Esse aqui é para o ministro, para ajudar nas obras sociais dele”. A gente riu.
ISTOÉ – Isso foi quando? 

Ana –
Isso foi dois dias depois de sair o pedido de registro, lá para 2011. O próprio Lupi me disse, na minha cara, que colocava o sindicato para sair em 40 dias. Brincou que seria o código sindical mais rápido do Brasil.
ISTOÉ – O registro iria custar os R$ 200 mil entregues ao Lupi?

Ana –
Não iam ser só R$ 200 mil, não. Essa carta sindical custaria R$ 3 milhões. Ele encheu o olho porque se tratava de um sindicato cegonheiro e todo mundo já sabe que cegonha dá muito dinheiro mesmo. Eles fantasiam uma coisa na cabeça deles. É uma coisa em que todos acham que rola muita grana. Na época, o Lupi ainda falou para o João Graça, que me contou, que, se desse certo de a gente pegar qualquer serviço em Pernambuco, ele queria o direito a ter frotas na empresa. Ocultamente. Claro que não seria no nome dele. Um ministro não poderia ter frotas em uma cegonha de forma aberta.

Outro rolo

Além dessa grave denúncia, feita à revista, em 2012 o Ministério Público Federal  do Distrito Federal (MPF-DF) ingressou com ação civil pública por improbidade administrativa contra o ex-ministro Carlos Lupi. A ação incluiu, ainda, o ex-secretário de Políticas Públicas de Emprego, Ezequiel Sousa do Nascimento, o ex-assessor de gabinete de Lupi, Weverton Rocha Marques de Sousa, e Adair Meira, responsável por organizações não governamentais beneficiadas por convênios com o Ministério do Trabalho. 

A ação foi originada a partir de representação do deputado federal Duarte Nogueira (PSDB-SP) e do senador Alvaro Dias (PSDB-PR). A denúncia dos parlamentares baseou-se em reportagem que informava que Lupi teria sido transportado, em viagem oficial para o Maranhão, por um avião fornecido por Adair Meira. A investigação do MPF-DF comprovou que o aluguel da aeronave custou R$ 30 mil, pagos pela entidade sem fins lucrativos Centro de Estudos e Promoção Social (Cepros), mediante cheques assinados por Meira. 

Essa entidade possui o mesmo cadastro de outra entidade da qual Adair é responsável e que posteriormente firmou convênio com o MTE. O MPF-DF também pediu informações ao partido do então ministro, PDT, que declarou não ter custeado as despesas do aluguel do avião, discordando do que os envolvidos declararam anteriormente na mídia e ao Ministério Público. 

A queda 
 
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi (PDT), pediu demissão cerca de um mês após denúncias de que seus assessores cobrariam propina de organizações não governamentais (ONGs) conveniadas com a pasta e de que teria ocupado cargo-fantasma na Câmara dos Deputados por seis anos. No governo federal desde 2007, Lupi culpou a "perseguição política e pessoal da mídia" por sua saída. 

A crise começou no início de novembro, quando a revista Veja publicou que funcionários do ministério estavam envolvidos em um suposto esquema de cobrança de propina de ONGs conveniadas com a pasta comandada pelo ministro. Segundo a publicação, entidades tinham o repasse bloqueado após problemas com a fiscalização. Assessores de Lupi, então, procuravam os dirigentes para resolver o problema cobrando propinas de 5% a 15%. Na ocasião, Lupi disse que irregularidades de funcionários, se existiam, não podiam ser atribuídas a ele, pedindo investigação do caso. 

Mas o escândalo se ampliou quando o ministro teve que ir ao Congresso explicar uma viagem no avião do empresário dono da ONG Pró-Cerrado, que tem convênios de R$ 14 milhões com o Trabalho, para cumprir agenda no Maranhão. Inicialmente, o ministro negou conhecer Adair Meira, mas voltou atrás depois de ter fotos divulgadas ao lado dele. Lupi argumentou ter dito apenas que não mantinha "relações pessoais" com Meira. 

Como se vê, a Assembleia Legislativa do Pará e seu presidente, Márcio Miranda, pisaram feio na bola e homenagearam, com empolgados discursos, alguém que nada tem a ver com o Pará ou possui algo de relevante em favor do Estado. 

Vergonha e manipulação

A Alepa manipula e se utiliza, sem nenhum pudor, de uma honraria que envolve o nome de uma das maiores revoluções populares, senão a maior, do país, a Cabanagem, feita por verdadeiros heróis paraenses, caboclos, índios e negros que deram o sangue e suas vidas por nossa dignidade e liberdade.

O "Mérito Cabanagem", depois dessa, deveria mudar de nome. Para não envergonhar ainda mais o nosso Estado. E proporcionar o merecido descanso às almas dos guerreiros cabanos.


8 comentários:

  1. Comenda indicada pelo Dep. Est. MIRO SANOVA.

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  2. O povo não fiscaliza esses deputados e dá nisso. O Pará já teve um parlamento bem melhor que o atual, hoje um mero apêndice do Executivo.

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  3. apêndice daqueles que não se lê, que não se leva em conta... diga-se de passagem!!

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  4. A Alepa anestesiou-se e transformou-se em uma casa de conveniências, uma ação entre amigos. O povo elegeu nulidades e estas dedicam-se ao desvario de homenagearem a si próprias e a seus apaniguados, perderam a compostura. Eu já era admirador do blog agora mais ainda por nos exibir um parlamento totalmente descompromissado das boas causas sociais. Outro dia fui à Alepa e para entrar tive de passar por uma revista de documentos e olhares desconfiados de PMs, enfim, uma casa militarizada como se ainda vivêssemos os tempos da ditadura. Nas ruas, a população é roubada, assaltada e assassinada e os PMs fazem segurança para deputados que não trabalham.

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  5. Quem lembra da farra e da corrupção com o dinheiro público durante a gestão do deputado Domingos Juvenil, hoje reeleito prefeito de Altamira? Os processos se arrastam na Justiça e provavelmente devem demorar bastante até que tenhamos sentenças e responsabilização dos autores de tantas falcatruas. O anônimo tem razão: é uma casa de conveniências sem o mínimo de independência diante do Poder Executivo. Aliás, a cada eleição, partidos majoritários tentam eleger o governador e a maioria na Alepa para ter o controle de tudo. E conseguem, sob a apatia da população. Os cabanos deveriam reencarnar e dar uma surra nesses deputados que nos envergonham.

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  6. Antes heróis da Cabanagem, agora são os heróis da Sacanagem.A homenagem é justa pois é feita pela ALOPRA (a Alepa já não existe há muitos carnavais)virou casa de loucos.

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  7. Brasil terra onde corrupto é homenageado... larápio virá herói e bandido vira político!

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  8. Vergonhosos esses deputados de usar nomes de bravos cabanos que fizeram nossa história. Cínicos !!!!!!!

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