sábado, 1 de outubro de 2016

A COMPRA DE VOTOS SOB O PODER SEM PUDOR

Essa eleição municipal, que já deu de tudo pelo Brasil afora, incluindo assassinatos de candidatos, atentados a bala em residências, ameaças de morte, também é a eleição da descarada compra de votos e do abuso do poder econômico. E sob a novidade - faz alguma diferença? - da proibição de doação por empresas privadas.

As denúncias que pipocam no Ministério Público Eleitoral (MPE) - infelizmente sem estrutura de pessoal e promotores em número suficiente para receber tantas demandas sobre crimes eleitorais de todo o Pará - revelam a ousadia de políticos organizados em quadrilhas para assaltar o poder, ou nele continuar dando as cartas. 

Fotos, filmagens, maços de dinheiro, propaganda de candidatos em cena nas negociatas, entrega de remédios em postos de saúde com ordem para votar em candidato, doação de óculos, material de construção, dentaduras, abastecimento em postos de combustíveis, enfim, um festival de bondades  e de hipocrisia eleitoral. 

Nossa jovem democracia, nesses tempos em que vale tudo pelo poder, é estuprada com areia nos motéis dos acordos políticos escabrosos. Não nos iludamos com discursos oficiais vazios do tipo "o voto é o exercício da cidadania" ou da manjada "vontade popular nas urnas". Isso só engana os tolos. Infelizmente. As próprias autoridades sabem que não é assim que a banda toca.

Esta, mais uma vez, é a eleição dos que têm dinheiro para mostrar a cara - e a mala - na véspera da eleição, desovando dinheiro de Caixa 2, da lavagem financeira e, também, na sua face já visível, do crime organizado. 

Enquanto isso, candidatos pobres, que vivem do idealismo de acreditar e lutar por uma sociedade melhor e na mudança de nossas cancerosas estruturas políticas pela força do voto, esgoelam-se, gastam a sola do sapato e o verbo, batendo de porta em porta, ou apelando para amigos, vizinhos e conhecidos para pedir uma chance de ter o número digitado na urna.

Por outro lado, massas alienadas e desinformadas embriagam-se na farra do assistencialismo deslavado, acreditando que os miseráveis favores que recebem dos endinheirados irá diminuir, ainda que momentaneamente, os sofrimentos que padecem. E vendem o voto e a alma aos deuses - ou demônios - do oportunismo.

E assim caminha - ou tropeça - nossa democracia representativa. Que representa não a vontade das maiorias, mas o sistema de grupos e castas financeiras acostumadas a mandar e a dividir cargos no poder. 

Até quando? 

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