Linha de Tiro - Gilberto Valente

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

EMPRESAS DE GRÃOS ATRAEM PROSTITUIÇÃO E TRÁFICO DE DROGAS EM MIRITITUBA




Elas ficam com o ônus - melhor dizendo, bilhões de dólares de lucro -, mas deixam como bônus um rastro de miséria, prostituição e drogas. Isso ocorre porque o mesmo Estado que as atrai é incapaz de fazê-las compensar socialmente e ambientalmente os danos que provocam. 

Este cenário é o que se vê em diversas regiões do Pará. E a mais recente comprovação desta realidade está em Miritituba, a região de Itaituba para onde convergem as grandes empresas exportadoras de grãos que se utilizam da privilegiada geografia paraense para  encurtar o caminho de seus negócios no mercado internacional. 

A matéria do jornal "O Impacto", de Santarém, denuncia o que ocorre em Miritituba pela boca de duas importantes lideranças populares da região: Antônio Santana e Regina Lucirene, integrantes do Movimento em Defesa do Tapajós. Ambos estiveram em Santarém, na semana passada, para participar da "Segunda Caravana de Resistência em Defesa do Rio Tapajós" e antes de retornar à Itaituba concederam entrevista ao jornal, relatando graves acontecimentos.

Em sua passagem por Santarém, a dupla de ativistas reconheceu que a paralisação das obras da usina São Luiz do Tapajós, “é uma vitória provisória, não temos garantia se amanhã ou depois tudo vai ser desarquivado e nosso temor comece outra vez”, ressalvou Antônio Santana. 

Um dos cenários que causa todo esse temor a quem vive na região e seus defensores, é o fato de quem chega em busca de recursos, nem sempre está preocupado em preservar o meio ambiente. "Essa verdadeira história nós tivemos que passar para a população de Itaituba e todos que estiveram presentes nesse importante evento”, completou Regina Lucirene.

Violência e exclusão

O Porto de Miritituba, que depois de concluído pontificava como importante referencial de progresso e desenvolvimento, teve seu objetivo invertido na região, de forma radical: já existe a prostituição, em Itaituba todos os dias temos assaltos e mortes, tudo isso por causa somente dos boatos de que vai haver a Hidrelétrica São Luiz do Tapajós. Segundo Regina Lucirene, quem chega em Miritituba encontra número significativo de jovens na prostituição.

"Vemos muita droga circulando, assaltos e mais assaltos, então, ficou muito perigoso. Infelizmente Miritituba virou um verdadeiro paraíso de drogas e prostituição”, alerta a liderança feminina. Lucirene explica, para reforçar sua denúncia, que Miritituba hoje possui  quatro bairros em "crescimento desordenado, que trouxe junto a preocupação que atravessa o rio Tapajós, atormentando e tirando o sono de quem mora em frente, no município de Itaituba". 

Lucirene citou ao jornal "O Impacto" a preocupação pelo tráfego intenso de carretas, principalmente em Miritituba. “Os governos federal e municipal devem atentar para esta importante questão, porque os acidentes estão acontecendo, quando matam, não apenas uma, mas várias pessoas. A velocidade dos carros é muito grande, principalmente das carretas. Elas passam por cima de qualquer um que tiver a infelicidade de estar na frente”, reclama.

Antônio Santana relata que a princípio prometeram que iriam fazer um desvio pela rodovia para o tráfego de carretas, para elas poderem chegar diretamente nos portos. Nada disso ocorreu: as carretas entram pela Vila de Miritituba. "Teve o caso de um adolescente que morreu esmagado por uma carreta. Miritituba está abandonada, não existe saneamento, não tem asfalto, só uma poeirada”, afirma Santana. E por que um porto em Miritituba? “O objetivo é ganhar dinheiro, não existe preocupação com a população”, lamenta.

De acordo ainda com Lucirene, as denúncias através do jornal "O Impacto" estão sendo feitas para que a sociedade não apenas itaitubense, mas a sociedade paraense e principalmente os políticos "vejam essa questão com mais carinho, porque nós que moramos em Itaituba, estamos observando as mudanças negativas que estão acontecendo naquele local, além do aumento das mortes”.

Bunge e outras

Santana é um dos que fazem coro de alerta contra exploração do grande rio da região, o Tapajós, e por consequência a região onde está geograficamente instalado. “Não apenas as grandes empresas, como também as pequenas instaladas ao longo do rio Tapajós, também contribuem para sua degradação, trazendo grandes impactos negativos”, disse ele.

A empresa Bunge, entre tantas, figura também como uma das vilãs do rio Tapajós. “Essa empresa foi criada no município de Itaituba, para atender aos portos que estão se instalando e acabando também com a orla da cidade, na área do rio Tapajós. A Bunge é uma multinacional igual a Cargill, que foi criada simplesmente para depredar o que é nosso”, resumiu Santana.

En favor do Tapajós

A dupla de ativistas populares, que faz parte do movimento ambiental, encerrou a entrevista informando que a Segunda Caravana será realizada em Itaituba, “é fruto de um trabalho árduo, que está sendo organizado com objetivo de fazer grande parte da população itaitubense participar, para ter um conhecimento mais adequado sobre a realidade. Esta Caravana será realizada nos dias 26, 27 e 28 deste mês. Ou seja, começa nesta sexta-feira. Por: Carlos Cruz

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