VER-O-FATO: A DELAÇÃO DE LÉO PINHEIRO QUE O PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA JOGOU NO LIXO TEM LULA, AÉCIO E SERRA

sábado, 27 de agosto de 2016

A DELAÇÃO DE LÉO PINHEIRO QUE O PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA JOGOU NO LIXO TEM LULA, AÉCIO E SERRA




Quando grandes jornalistas - principalmente os que recolhem provas das matérias que escrevem, sejam elas testemunhais, documentais ou gravadas - publicam denúncias de grande repercussão, por envolver figuras notórias e notáveis, geralmente eles têm algo mais para alimentar novas reportagens. 

Na semana passada, a revista Veja adiantou, sem entrar em detalhes, que o poderoso chefão da construtora OAS, Léo Pinheiro, tinha bombas para detonar de vez o mito Lula e outras personalidades da República sobre as quais já pairavam suspeitas de envolvimento em corrupção - ela não mencionou as cabeças pensantes do PSDB, Aécio Neves e José Serra, hoje ministro do governo Temer, agora também detonadas.  

Só quem não sabia disso, embora escolados com as mumunhas do poder, são o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e o ministro do STF, Gilmar Mendes. Sem duvida - embora a matéria da semana passada fosse omissa dos detalhes -, Veja tinha muita munição quando divulgou um dos anexos da pré-delação do empreiteiro Leo Pinheiro, dono da OAS, o mesmo que assumiu o prédio da Bancoop no Guarujá, reservou ali o triplex de Lula, reformou-o luxuosamente para o ex-presidente, e ainda reformou o sítio de Atibaia e pagou as despesas dos armazéns onde foram guardados os bens que o ex-presidente trouxe de Brasília.
Quando Rodrigo Janot cancelou a delação, jogou no lixo tudo isso, mas também coisas bem mais importantes, como mostra a Veja desta semana, que bota a derradeira pá de cal na biografia de Lula e abala as biografias de gente graúda como Aécio e José Serra. 
 
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tomou a decisão mais controversa da Operação Lava-Jato na semana passada. Diante da repercussão da reportagem de capa de VEJA, Janot informou que as negociações de delação do empreiteiro Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, estão encerradas. 

O vasto material produzido ao longo de cinco meses de tratativas entre a Procuradoria e o empreiteiro foi enviado para o incinerador, eliminando uma das mais aguardadas confissões sobre o escândalo de corrupção na Petrobras.

Segundo a Veja, para quem vive atormentado desde 2014, quando surgiu a Lava-­Jato, a decisão de Janot representa um alívio ou até a salvação. Léo Pinheiro se preparava para contar os detalhes de mais de uma década de simbiose entre o poder e a corrupção. Em troca de uma redução de pena, o empreiteiro ofereceu aos investigadores um calhamaço com mais de setenta anexos. São capítulos que mostram como a corrupção se apoderou do Estado em diversos níveis.

A revista teve acesso ao conteúdo integral de sete anexos que o procurador-­geral decidiu jogar no lixo. Eles mencionam o ex-­presi­den­te Lula, a campanha à reeleição da presidente afastada Dilma Rousseff e, ainda, dois expoentes do tucanato, o senador Aécio Neves e o ministro José Serra. A gravidade das acusações é variável. 

Para Lula, por exemplo, as revelações de Léo Pinheiro são letais. Lula é retratado como um presidente corrupto que se abastecia de propinas da OAS para despesas pessoais. O relato do empreiteiro traz à tona algo de que todo mundo já desconfiava, mas que ninguém jamais confirmara: Lula é o verdadeiro dono do famoso tríplex no Guarujá, no litoral de São Paulo — comprado, reformado e mobiliado com dinheiro de uma conta em que a OAS controlava as propinas devidas ao PT.

O tríplex do Edifício Solaris é o tema de um dos anexos que narram crimes praticados pelo ex-presidente. O empreiteiro conta que, em 2010, soube, por intermédio de João Vaccari, então tesoureiro do PT, que Lula teria interesse em ficar com o imóvel no prédio. Vaccari, que está preso, pediu ao empreiteiro que reservasse a cobertura para o ex-presidente. 

Não perguntou o preço. E quem pagou? Léo Pinheiro responde: “Ficou acertado com Vaccari que esse apartamento seria abatido dos créditos que o PT tinha a receber por conta de propinas em obras da OAS na Petrobras”. Ou seja: dinheiro de propina pagou esse pequeno luxo da família Lula. Para transformar o que era um dúplex em um tríplex mobiliado, a conta, segundo a perícia, ficou em pouco mais de1 milhão de reais. 

Pinheiro esclarece até mesmo se Lula sabia que seu tríplex era produto de desvios da Petrobras. “Perguntei para João Vaccari se o ex-presidente Lula tinha conhecimento do fato, e ele respondeu positivamente”, diz o anexo.

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