sexta-feira, 22 de julho de 2016

OS PREDADORES DAS FLORESTAS DO PARÁ NÃO TIRAM FÉRIAS E O DESMATAMENTO VOLTA A SUBIR


Embora a repressão aos crimes ambientais na Amazônia, especialmente no Pará, seja razoável - não é aquilo que se poderia esperar, devido a falta de servidores e de meios de transporte para um trabalho mais eficaz e diário -, sobretudo por parte da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, a verdade é que o desmatamento e a extração ilgeal de madeira continuam preocupantes. Os criminosos não descansam, não tiram férias e trabalham dia e noite, roubando e destruindo nossas florestas. (Veja o vídeo acima)

Segundo o Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), os índices do desflorestamento voltaram a subir em junho deste ano. O desmatamento na Amazônia é preocupante. Dados apontam que em toda a Amazônia uma área de floresta equivalente a duas cidades de Porto Alegre deixou de existir só no mês passado. 

A área devastada quase dobrou em relação a junho de 2015. O boletim divulgado nesta sexta-feira (22) apontou um aumento de 51% no desmatamento no Estado de agosto de 2015 a junho de 2016 – 966 km², se comparado ao índice registrado no mesmo período anterior – de 492 km². Na manhã de ontem, os secretários de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), Luiz Fernandes, e do Programa Municípios Verdes (PMV), Justiniano Netto estiveram reunidos para discutir novas estratégias para conter o avanço do desmatamento.

“Recebemos os alertas do Imazon mensalmente, até com antecedência. Aí os encaminhamos para as prefeituras para que sejam verificadas as ocorrências no âmbito municipal, mas também fazemos todo o acompanhamento dos casos pela Semas. Algumas das áreas apontadas pelo boletim já haviam sido detectadas pela fiscalização de campo e até tinham sido embargadas, mas o alerta serviu para reorientar a fiscalização”, declarou Luiz Fernandes.
Embora os dados sejam preocupantes, a dinâmica do desmatamento ainda se concentra na região oeste do Estado, ao redor de Novo Progresso e Castelo dos Sonhos, principalmente em áreas federais. Nas áreas estaduais, o principal foco ocorre na Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, que fica entre São Félix do Xingu e Altamira. O secretário informou que a Semas está com uma operação intensiva na região, já tendo realizado, apenas durante o mês de junho, 138 autuações, com 16 mil hectares de áreas embargadas.
“Os números do SAD são, de certo modo, contrários à tendência de queda que estávamos constatando até então, pois o Pará vinha apresentando diminuição de cerca de 20% do desmatamento até o mês de maio/2016”, disse o secretário do PMV, Justiniano Netto.

Queimadas atraem

Uma equipe técnica foi formada para discutir os dados apresentados pelo Imazon e fazer comparativos com outros sistemas de verificação do desmatamento, como o Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter) e o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), ambos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). À frente do grupo estão as Diretorias de Fiscalização (Difisc), de Geotecnologia (Digeo) e de Meteorologia e Hidrologia (Dimeh) da Semas. 

Sobre as causas da abertura de novas áreas, não é descartada a influência das queimadas no aumento dos índices. Mais comuns nessa época do ano, elas criam um ambiente mais propício para o desmatamento. Dentre as ações previstas para conter o desmatamento está o redirecionamento das equipes que estão em campo, o embargo das áreas onde ocorreram as atividades ilegais e a responsabilização dos infratores. 

“Os sistemas servem para indicar a tendência e a dinâmica do desmatamento. É importante ressaltar também que não houve, da parte do Estado, qualquer afrouxamento da fiscalização ou da política ambiental. Estamos com diversas equipes do setor de inteligência da Semas em campo, combatendo a extração ilegal de madeira e o desmatamento”, destacou Fernandes.
Segundo Justiniano, os índices levam à confirmação de uma nova configuração de ação dos desmatadores. “Os desmatadores estão agindo no período de inverno para tentar escapar de serem pegos por conta das nuvens, aí fazem um desmatamento seletivo. Apenas quando dão o corte final que o sistema consegue detectar. A gente acredita que com a desarticulação da quadrilha que foi presa pela operação "Rios Voadores", recentemente deflagrada pelo Ministério Público Federal, Receita Federal e Ibama, nos próximos meses, os números tendem a melhorar”, concluiu.

Já está agendada para a próxima terça-feira (26) uma reunião entre o Fórum dos Secretários de Meio Ambiente da Amazônia Legal com o ministro José Sarney Filho, onde o governo do Pará pretende abordar o tema e propor a necessidade de intensificar as ações conjuntas de combate ao desmatamento.

O blog Ver-o-Fato espera que essa não seja mais uma daquelas reuniões que juntam o nada com coisa alguma. Ou eles fazem algo, ou continuaremos a ter nossas florestas saqueadas. 

Todo dia e a toda hora.

Do Ver-o-Fato, com informações da assessoria do governo do Pará e do Imazon.

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