VER-O-FATO: A VERDADE TAMBÉM NÃO PODE EXPLODIR NO PORTO DE BARCARENA. EIS AS NOTÍCIAS RECENTES

sexta-feira, 29 de julho de 2016

A VERDADE TAMBÉM NÃO PODE EXPLODIR NO PORTO DE BARCARENA. EIS AS NOTÍCIAS RECENTES

Agora, a versão é de que a foto não é de explosão, mas de vapor químico.

A busca de fatos verdadeiros - separando-os de boatos e ilações, prejudiciais ao real objetivo de informar leitores que confiam no trabalho do repórter - sobre a explosão ocorrida na tarde de ontem no porto da empresa Hidrovias do Brasil, na orla da Vila de Itupanema, em Barcarena, tem esbarrado em informações desencontradas. Vejo isso como "ossos do ofício", dificuldades que surgem para desafiar o senso jornalístico de investigação.

A Capitania dos Portos (Marinha) e a Hidrovias do Brasil, por exemplo, sobre a suposta existência de seis vítimas da explosão, dizem a mesma coisa: não houve feridos, até porque, segundo elas, só haveria uma pessoa no navio na hora da explosão no convés. Essa pessoa teria sido retirada a tempo sem que sofresse qualquer tipo de ferimento ou intoxicação. Tomemos tal informação por verdadeira, se prova em contrário não for obtida.

O Ver-o-Fato, durante a noite de ontem, tentou contato com a Hidrovias e a Capitania, para saber mais detalhes sobre o acidente, mas nada conseguiu. Os telefones não atendiam às ligações. A Capitania, na verdade, quando fala, só o faz por meio de nota oficial. E geralmente essa nota é curta e lacônica. É natural, pois a ela cabe a tarefa de abrir inquérito sobre os acidentes com embarcações nos rios brasileiros.

Quanto à Hidrovias, o silêncio da empresa representa um desafio para o repórter, que deve apurar por outros meios o que de fato ocorreu no porto de Itupanema. Depender de notas ou releases de assessoria, nessas horas, pouco ajuda na busca da verdade.

A empresa estava com menos de dois dias de um ato da Receita Federal, declarando seu porto em Vila do Conde como "alfandegado" para operar "a título extraordinário e em caráter eventual". Falarei mais tarde sobre esse documento da Receita Federal, que o blog obteve, porque ele trata de embarques de soja e milho previsto para ocorrer entre o dia 20 e 29 (hoje).

Ainda durante a noite de ontem, por telefone, o Ver-o-Fato, falou primeiro com o Corpo de Bombeiros de Barcarena. Queria saber se a corporação havia atendido algum chamado sobre a existência de feridos durante a explosão. O cabo Elder explicou que, de fato, os bombeiros, assim que tomaram conhecimento do acidente, "pelas redes sociais" ficaram de sobreaviso à espera de um contato da Hidrovias do Brasil.

Sem chamado

"A empresa não chamou a gente, acho que não foi preciso", disse Elder. Ele sugeriu que o serviço 192 (Samu) de Barcarena fosse acionado, porque é ele quem faz o transporte de feridos. No telefonema ao Samu, a servidora Idália Cristina informou ao blog que a única ambulância do serviço em Barcarena passou parte do dia "no prego" e que à noite ela já estava operando normalmente. Sobre transporte de feridos, disse que o Samu não havia recebido nenhum chamado da empresa dona do navio.

Antes de Idália, uma outra atendente, de prenome Andreza, em conversa com o blog, relatou ter ouvido de um colega do próprio Samu que uma pessoa que estava no navio na hora da explosão foi socorrida dentro de um carro da Hidrovias do Brasil, porque estava "muito assustada".

Em conversa com uma fonte, o blog tomou conhecimento de que vizinhos do Posto de Saúde da Vila dos Cabanos teriam presenciado intensa movimentação de pessoas feridas que teriam sido resgatadas do navio após a explosão e levadas para atendimento médico. Criou-se certo mistério sobre isso, alimentado por seguranças e funcionarários do posto, que se negaram a prestar informações. 

Agora pela manhã, o blog falou com o secretário estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Luiz Fernandes. "Mandei uma equipe para o local do acidente e ela deve estar chegando com um relatório sobre o que aconteceu", informou o secretário. Ele disse que falou ontem mesmo com a secretaria de Meio Ambiente de Barcarena e recebeu a informação de que sequer explosão houve no navio.

A fumaça, vista de longe, nem seria fumaça, mas vapor resultado da utilização de produto químico sobre impurezas de soja que estava armazenada no convés do navio. Fernandes relatou ao Ver-o-Fato que a informação a ele repassada pela Sema de Barcarena seria checada pelos técnicos do órgão deslocados para o local do acidente. 

Nota da Hidrovias

O navio atingido pela explosão, aparentemente, não sofreu danos graves. Em nota, a Hidrovias do Brasil, diz que a  fumaça vista no navio, que havia acabado de desatracar do seu terminal em Vila do Conde, pode ser decorrente do "processo de fumigação, procedimento adotado como padrão pelo setor para proteger o grão armazenado no porão do navio".

Segundo a gerência de segurança da empresa, houve a liberação de vapor depois que um produto químico utilizado para retirar impurezas de grãos transportados no porão do navio entrou em contato com água.  A Hidrovias do Brasil informou que desatracou o navio e o afastou do porto de Vila do Conde, de acordo com o comandante do Corpo de Bombeiros em Barcarena, capitão Arlenson Lemos Carvalho.

Custo reduzido

Na página da Hidrovias do Brasil ela informa que o transporte de grãos em Barcarena terá início no começo do segundo semestre - na verdade, já começou desde a semana passada. Serão 6,5 milhões de toneladas por ano de grãos.

O projeto consiste  na construção e operação de um terminal de transbordo rodo-fluvial em Miritituba(Itaituba), navegação por cerca de 1,2 mil quilômetros pelos rios Tapajós e Amazonas e construção e operação de um terminal portuário em Vila do Conde.

Ela é a "única operadora independente com investimentos neste corredor", o que possibilita acesso às empresas do mercado de commodities agrícolas a uma logística "eficiente e de custo reduzido".


Nota do blog: ainda hoje, divulgaremos novas informações sobre o acidente e o transporte de grãos pelo porto da Hidrovias do Brasil, o ato da Receita Federal sobre o porto alfandegado, além de outras informações exclusivas para nossos leitores. 


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