sexta-feira, 3 de junho de 2016

OPERAÇÃO DESMONTA VENDA DE QUEIJO ESTRAGADO NO SUDESTE DO PARÁ








O trabalho de fiscalização durou três dias e o resultado revelou que a população dos municípios de Marabá, Piçarra, Itupiranga e São Geraldo do Araguaia está sendo envenenada pelo consumo de queijo estragado, vendido abertamente por seis empresas já interditadas pelo Ministério Público do Pará, Ministério da Agricultura (Mapa), Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará) e Polícia Militar.

Durante a operação, que começou na última terça-feira e foi encerrada ontem, técnicos dos órgãos constataram que estabelecimentos instalados nos quatro municípios operam com várias irregularidades sanitárias e administrativas, que vão desde a falta de documentação até a comercialização de queijo estragado.


Foram interditadas duas empresas em São Geraldo do Araguaia, a Laticínios Rio Doce e a Ourolando, e duas em Piçarra (Laticínio Açaí e um empreendimento clandestino, sem identificação). Também foram paralisadas as atividades das empresas Janaúba (Itupiranga) e outra unidade da Ourolando, esta em Marabá. O proprietário da Ourolando, em Marabá, foi preso pela Polícia Militar.


Os fiscais identificaram várias irregularidades, especialmente na higiene e manipulação de alimentos. As seis empresas interditadas funcionam sem pasteurizador, equipamento necessário para conservar e esterilizar a produção. As condições de higiene também são precárias: a produção de queijo e outros derivados de leite ocorria em ambientes sujos, em meio a limo, teia de aranha, ferrugem e fezes de ratos.


“Também vimos manipulação do salitre do Chile, um produto proibido, utilizado para mascarar a acidez do leite”, explica Elton Toda, técnico da Adepará. A equipe flagrou ainda leite estragado sendo utilizado para produzir queijo e outros produtos. Foram apreendidos cerca de 500 quilos de queijo e 110 quilos de manteiga. Por estarem impróprios para consumo, os produtos foram inutilizados.


Na merenda escolar?


Nenhuma das empresas interditadas possui licença dos órgãos competentes para funcionar. Segundo o promotor de justiça Marco Aurélio do Nascimento, há a suspeita de os estabelecimentos comercializarem os produtos inadequados para outros estados. “Também vamos averiguar se estes produtos estavam sendo vendidos para compor merenda escolar”, completou.


Os laticínios ficarão interditados até que os proprietários legalizem os mesmos. Será instaurado inquérito policial para apurar os fatos. O MPPA vai produzir relatório com base nos resultados da fiscalização e notificar os proprietários das empresas para que realizam as devidas adequações nos estabelecimentos. “Caso as empresas queiram voltar a funcionar serão necessárias reformas, legalização e outras providências”, antecipa o promotor Marco Aurélio.


A força-tarefa composta pelo MPPA, Adepará, Mapa e Polícia Militar teve ainda as participações do tenente Emerson Fragoso e do técnico Cristovão Morelly, do Ministério da Agricultura.

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