VER-O-FATO: JADER RECEBEU PROPINA DE R$ 4,2 MILHÕES, DIZ DELATOR SÉRGIO MACHADO; SENADOR NEGA

quarta-feira, 15 de junho de 2016

JADER RECEBEU PROPINA DE R$ 4,2 MILHÕES, DIZ DELATOR SÉRGIO MACHADO; SENADOR NEGA


Aqui, a íntegra do trecho em que Sérgio Machado diz ter pago propina em espécie ao senador Jader Barbalho. E também a nota curta de Jader, chamando de "canalha" o delator:

"Às 19h25m do quinto dia mês de maio de 2016, no de Janeiro/RJ, na Procuradoria da República no Estado do Rio de Janeiro, presente o Procurador da República Marcello Paranhos de Oliveira Miller e o Promotor de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios Sergio Bruno Cabral Fernandes, integrantes do Grupo de Trabalho instituído pela Procurador-Geral da República através da Portaria PGRlMPU n° 3, de 19/01/2015, foi realizada, observando-se todas as cautelas de sigilo e prescrições da Lei 12.850/2013, na presença das advogadas Flavia Mortari Lotfi, Maria Clara Mendes de Almeida de Souza Martins e Fernanda Lara Tórtima, a inquirição do colaborador: JOSÉ SÉRGIO DE OLIVEIRA MACHADO, o qual declarou: 
 
QUE renuncia, na presença de seu defensor, ao direito ao silêncio, reafirmando o compromisso legal de dizer a verdade,  nos termos do §14° do art. 4° da Lei n° 12.850/2013; 
 
QUE o declarante e seu defensor autorizam expressamente o registro audiovisual do presente ato de colaboração em mídia digital, além do registro escrito (duas vias do termo assinadas em papel), nos termos do §13 do art. 4° da Lei n° 12.850/2013, os quais serão, ao final do ato, devidamente lacrados e  custodiados pelos representantes do Ministério Público, que ficará responsável pela guarda, custódia e preservação do sigilo das informações, a serem ulteriormente apresentados ao Supremo Tribunal Federal;

Indagado acerca dos fatos constantes do ANEXO JADE R, afirmou: QUE conhece o Senador JADER BARBALHO desde 1991; QUE a partir de 1995 o depoente e JADER passaram a ser colegas de Senado e se aproximaram; QUE até 2006 tinham uma relação mais próxima, e as conversas ocorriam com ele em sua casa em Brasília; QUE as conversas sempre ocorriam em sua casa no Lago Sul, em Brasília, no período de 2004 a 2006; QUE JADER também deu sustentação política para a nomeação do depoente para a presidência da TRANSPETRO; QUE ele pressionava muito por propinas, a serem pagas com recu sos das empresas que tinham contratos com a TRANSPETRO, para sua base no Pará; QUE a TRANSPETRO, naquele período, tinha poucos investimentos; QUE o depoente pagou propinas para o Senador JADER, entre 2004 e 2007, de forma errática, na medida do que o depoente conseguia com as empresas que tinham contratos com a TRANSPETRO; 
 
QUE naqueles anos o valor total que repassou em propinas a JADER foi de cerca de R$ 3.000.000,00, sempre em espécie; QUE essas entregas foram executadas por FELIPE PARENTE, que trabalhava na empresa de seu filho DANIEL; QUE FELIPE PARENTE retirava o dinheiro em espécie junto às empresas; QUE logo no início da gestão do depoente na TRANSPETRO, em 2003 ou no início de 2004, JADER tinha uma dívida com um advogado; QUE o depoente, o Senador RENAN CALHEIROS, e o Senador EDISON LOBÃO dividiram essa dívida, cabendo ao depoente foi o equivalente a US$100 mil à época, pagos em reais díretamente no Brasil; QUE, como estava bem no início de suas atividades na TRANSPETRO, o depoente não tinha de onde tirar esse valor; QUE, como houve muita pressão, estava sendo procurado naquele mesmo período por um empresário chamado MIGUEL SKIN; 
 
QUE esse empresário estava tentando dirigir um edital na TRANSPETRO para remediação, ou seja, recuperação de resíduos no solo, fato acontecido antes da chegada do depoente; QUE em 2004 conversava com MIGUEL SKIN no Hotel Sheraton em São Comado; QUE o depoente pediu propina para desse empresário e fez o repasse diretamente para o Senador JADER BARBALHO; QUE não se recorda de quem levou o dinheiro a seu pedido; QUE MIGUEL SKIN não conseguiu celebrar nenhum contrato com a TRANSPETRO apesar de haver pago a propina, tendo perdido a licitação; QUE MIGUEL SKIN reclamou muito com o depoente; 
 
QUE a empresa de MIGUEL SKIN era uma empresa francesa, de cujo nome o depoente não se recorda; QUE depois houve um desgaste porque o Senador JADER BARBALHO, em 2006, queria que o depoente o ajudasse a resolver uma dívida que ele tinha junto ao banco BVA ou com o presidente desse banco; QUE JADER pediu que o depoente assumisse o compromisso de pagar a dívida e fazer o pagamento diretamente ao presidente do banco; QUE o presidente do BVA, JOSE AUGUSTO FERREIRA DOS SANTOS, procurou o depoente díversas vezes na TRANSPETRO, mas o depoente não efetuou repasse de propina para essa finalidade; QUE JOSÉ AUGUSTO FERREIRA DOS SANTOS ofereceu logística financeira para que o depoente fizesse pagamentos de vantagens ilícitas a JADER e outros políticos; QUE como o depoente não atendeu ao Senador JADER BARBALHO, houve um desgaste;
 
QUE a partir daí, em anos eleitorais, RENAN CALHEIROS passou a pedir que o depoente obtivesse propinas para JADER na forma de doações oficiais das empresas que prestavam serviços à TRANSPETRQ; QUE em 2010 o depoente obteve doação de R$ 750.000,00 da QÚEIROZ GALVÃO e em 2012 doação de R$ 500.000,00 da CAMARGO CORRÊA; QUE essas doações eram formalmente dirigidas a diretório partidário; QUE o depoente apresentará planilha com discriminação desses valores. Nada mais havendo a ser consignado, determinou-se que o presente termo fosse encerrado às 19h45m, o qual, após lido e achado conforme, vai por todos assinado e lacrado em envelopes próprios". 
 
Nota de Jader

Por meio de nota, o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) diz que "jamais recebeu favores" de Machado. "Somos incompatíveis desde que deixei o Senado, em 2001. Não falo e nem tenho nenhum tipo de aproximação com ele há 15 anos. Jamais recebi nenhum tipo de favor desse canalha. Estou à disposição da Justiça para verificação de minha conta bancária", diz o comunicado.
 

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