quarta-feira, 29 de junho de 2016

EM MARITUBA, O TORMENTO CONTINUA; REVITA TORNA A VIDA INSUPORTÁVEL COM SEU LIXÃO

A doca de casa Érica Cunha reuniu 7 mil assinaturas. Fotos: reprodução TV Liberal
A pequena horta de Sueli Lima corre risco de ser prejudicada pelas bactérias do lixão
Aqui fica o restaurante Terra do Meio, a menos de 1 km do lixão da Revita




Sete bairros do município de Marituba, que fica na Região Metropolitana de Belém, reclamam do mau cheiro originário do aterro sanitário de Marituba e também temem que a água da região seja contaminada. A central de Processamento e Tratamento de Resíduos de Marituba recebe todo o lixo da Região Metropolitana de Belém desde o lixão do Aurá, em Ananindeua, foi fechado para cumprir a Lei Nacional de Resíduos Sólidos. O aterro sanitário completa um ano de funcionamento e pelo menos dez mil de famílias de sete bairros do município estão sendo atingidas.

"Muita gente doente, muita gente se queixando, gente indo para o posto médico, outras procurando outros recursos, utilizando gel, passando álcool para amenizar o odor”, reclama a dona de casa Érica Cunha, que mora na comunidade de São João, em Marituba, e que possui um abaixo assinado com mais de sete mil assinaturas contra as atividades do aterro.

Quem necessita do solo e da água para sobreviver também reclama da Central de Tratamento de Resíduos, como é o caso da agricultora Sueli Lima, que faz cultivo de hortaliças. “A gente não sabe como vai ficar as nossas hortaliças. Pode vir muitas bactérias mesmo, como geralmente dá. Como a gente vive disso, ficamos preocupados”, lamenta.

Outro que também está preocupado com a contaminação do solo e dos lençóis freáticos é o empresário André Nunes, proprietário de um restaurante ecológico e que fica menos de um quilometro de distância do novo aterro. "A minha vida toda foi para fazer um empreendimento ecológico. Aí de repente vem um lixão”, contou André.

No final do mês passado, moradores do município fecharam as duas pistas da Alça Viária para protestar contra os transtornos que o aterro tem trazido para a comunidade, e a possível contaminação dos lençóis freáticos. Diante das reclamações, a Ordem dos Advogados do Brasil do Pará (OAB-PA) e o Ministério Público Estadual (MPE) pretendem agir em prol das comunidades atingidas.
Segundo Patrícia Rocha, presidente da Comissão de Meio Ambiente da OAB-PA, o órgão entrará com ação civil pública contra as prefeituras de Belém, Ananindeua e Marituba.

“O quer nós temos é um grupo de estudo e que dependendo que ficar provado e da forma como está sendo, que cada vez está se tornando mais grave, nós pretendemos sim tomar medidas judiciais deste caso”, afirmou Patrícia Rocha, presidente da comissão de Meio Ambiente da OAB-PA. De acordo com o MPE, as vistorias são constantes no local. Na última delas, no dia 3 de junho, a empresa foi notificada e algumas mudanças foram exigidas, como a limpeza de área do sistema de drenagem e obras para que não haja o escoamento da água.

“Para ter uma ideia, a região que envolvia, por exemplo, o Rio Santana do Aurá, hoje os ribeirinhos bebem água fornecida pela prefeitura. Existem cerca de 30 mil pessoas em volta do lixão e que estão com poços com água contaminada. Temos que dar um basta nisso”, disse José Godofredo, promotor do MPE.

Em nota, a prefeitura de Belém disse que a instalação do aterro sanitário de Marituba cumpriu todas as exigências legais dos órgãos de fiscalização ambiental. A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semma) informou que a vistoria ocorre periodicamente e que já pediu adequações técnicas para o melhor funcionamento do aterro.

A prefeitura de Marituba informou que fez vistoria no aterro e constatou irregularidades e crimes ambientais cometidas pela Revita, empresa responsável pelo tratamento do lixo. Essas irregularidades fora apontadas no relatório encaminhado ao MPE. A empresa Revita garantiu que a Central de Tratamento de Resíduos de Marituba funciona com todas as licenças ambientais exigidas. Fonte: G1Pará

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