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Linha de Tiro - 19/04/2018

domingo, 19 de junho de 2016

DA CAPITAL AO INTERIOR, A INSEGURANÇA É A MESMA


Trinta anos atrás, o tráfico de drogas, o assalto na rua e o assassinato banal era restrito às grandes cidades. Em Belém, por exemplo, dizia-se nas conversas familiares que a violência aumentava e o que melhor se podia fazer, num final de semana, era esfriar a cabeça no interior do Estado, onde a vida era mansa e tranquila.

Mal chegava a sexta-feira e muitos “enforcavam” o expediente da tarde nas repartições públicas e partiam com a família para o interior, embrenhando-se por rios, furos e igarapés, onde curtiam a vida adoidado, esquecendo por horas os problemas que haviam deixado na capital.

Voltava-se para casa com as baterias recarregadas já pensando em no final da semana partir novamente para um balneário qualquer, sítio cercado de árvores ou aquela pescaria que unia diversão à vontade de comer algo sadio. Isto sem falar no papo sem preocupação de horário com algum conhecido contador de boas histórias.

A vida interiorana, sem comida enlatada, sem trânsito estressante nas ruas e onde o tempo demorava a passar, era uma benção. Causava - temos de reconhecer - inveja ao morador de Belém. Momentos agradáveis, viagens inesquecíveis, as festinhas sem briga, as conversas na porta de casa, sob a luz do luar, olhando o rio. Um clima poético.

Em trinta anos, porém, tudo mudou. Para pior. A violência e a criminalidade que existiam em grande escala em Belém também já atinge pequenas e médias cidades do interior. Para onde se vá, o medo de ser assaltado ou morto, seja na rua ou na estrada, é o mesmo.

Não se tem paz e nem tranquilidade em Marabá, Parauapebas, Redenção ou Tucuruí, apenas para citar algumas cidades do sudeste paraense. Se viajar para o nordeste do Estado, a situação é a mesma: tráfico de drogas, roubo, assaltos e homicídios. O cenário não é diferente em cidades do oeste, como Santarém, Itaituba, Novo Progresso, Monte Alegre ou Oriximiná.

Na região do arquipélago do Marajó, onde o índice de desenvolvimento humano medido pelo governo federal é um dos mais baixos do país, jovens de 12 anos andam armados, entregues ao vício das drogas e à criminalidade. Eles não zelam pela própria vida. E tiram a dos outros.

Quem deveria zelar pela segurança de todos nós não o faz. Apesar dos bilhões que diz investir em viaturas e armas. A política de segurança pública do governo de Simão Jatene é um retumbante fracasso. Ele, porém, não perde nem a pose, nem o discurso. No interior do Estado, a situação de insegurança é igual ou pior que na capital.

Em suma, caímos e não paramos de cair no fundo do poço. O dinheiro dos nossos impostos é mal empregado em estratégias equivocadas, para não dizer desastrosas, de proteção aos cidadãos. Da avenida mais iluminada de Belém à rua esburacada da periferia de Marabá, a realidade se completa num único enredo.

Estamos sós e abandonados.

Um comentário:

  1. O problema é que só tem críticos, tanto agentes políticos ou não políticos, poucos apontam rumos para solucionar esses graves problemas daí a educação, a saude, a segurança pública, etc. Não tirando a responsabilidade dos gestores públicos, mas o que se vê é uma apatia de muitos gestores públicos, além do alto nível de corrupção que campeia na area...

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