VER-O-FATO: CASO DOS ÍNDIOS GÊMEOS DE ALTAMIRA REJEITADOS PELA TRIBO: ACIMA DE TUDO, O DIREITO À VIDA

quarta-feira, 1 de junho de 2016

CASO DOS ÍNDIOS GÊMEOS DE ALTAMIRA REJEITADOS PELA TRIBO: ACIMA DE TUDO, O DIREITO À VIDA


O nascimento de gêmeos, na cultura dos índios Arawete, significa o anúncio de  catástrofe. Algo, para eles, equivalente ao fim do mundo. Os gêmeos não podem ficar na tribo, quando nascem, para que a catástrofe anunciada com o nascimento deles não se concretize. 

Por outro lado, há um direito humano, o direito à vida, que supera qualquer cultura ou tradição. É difícil explicar isso para um arewete e convencê-lo a mudar seu modo de ver as coisas. Afinal, nenhuma cultura, seja "branca" ou indígena, deve se impor ou prevalecer sobre outra. 

Diante disso, torna-se desafiador compreender qual o destino que terão duas crianças gêmeas, geradas no ventre de uma índia da tribo arawete e nascidas semana passada no Hospital Municipal de Altamira. Por determinação dos pajés da tribo, os gêmeos não poderão viver na aldeia.

Segundo o coordenador da Associação Indígena Kuruaya, Cláudio Kuruaya, ainda não há uma decisão final sobre o destino das crianças, mas normalmente nos casos em que os bebês são rejeitados pela tribo, a adoção é o procedimento usual. Ele exemplifica o caso recente em que uma criança da tribo foi doada para uma família após ser rejeitada pela mãe, "porque aprendeu a falar português”.

Os arawetes não falam a língua portuguesa, como outras tribos da região do Xingu. O Ministério Público de Altamira, por meio de sua promotoria da infância e juventude, já foi acionado pela Fundação Nacional do Indio (Funai) para cuidar do caso. 

Preconceito

Em nota divulgada, a Funai criticou boatos espalhados na região dando conta de que os gêmeos seria mortos caso a mãe voltasse à aldeia com os bebês e até mesmo que grupos de índios teriam decidido invadir o hospital em Altamira para matar as crianças. Para a Funai, as informações "foram compartilhadas de forma anônima, caluniosa e criminosa, afirmando equívocos sobre a família, os bebês e o povo Arawete”. 

O coordenador da Funai em Altamira, Gilson Curuaia,  disse que o órgão está acompanhando o caso e tomando providências para "preservar as crianças e a população arawete". Segundo ele, "as crianças estão bem, são saudáveis e lindas, têm recebido a visita de seus pais, que buscam, justamente por os amar, um destino melhor para os meninos”, escreveu na nota Uwira Xakriaba, presidente do Distrito Indígena da Funai em Altamira. Ele tachou de "inverdades e preconceito" as informações divulgadas sobre a situação dos bebês.   

4 comentários:

  1. Tatiane, o caso está nas mãos da Funai, que é quem tutela os índios. Você pode entrar em contato com eles. O fone é este: (93) 3515-2361

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  2. Esse numero não atende. Você pode me informar outro numero de telefone?

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