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Linha de Tiro - 19/04/2018

quinta-feira, 2 de junho de 2016

A CABEÇA DE AMAURY SILVEIRA CABE SOZINHA NA CARAPUÇA DO "DIÁRIO DO PARÁ"?




Conheço o repórter Amaury Silveira desde os anos 70. Eu trabalhava no jornal "O Estado do Pará" e o Amaury, então um iniciante na cobertura policial, dava seus primeiros passos na profissão. Apareceu no jornal levado pelo radialista Paulo Ronaldo, já falecido, que além de ser o editor de Polícia do jornal tinha na Rádio Guajará - emissora do grupo de comunicação da família Lopo de Castro, dona do jornal - o programa "Paulo Ronaldo Show", líder de audiência na cidade. 

Paulo Ronaldo foi quem lapidou o então "foca" Amaury porque viu nele aquele cavador de notícias do "mundo cão", como costumava definir as idas e vindas de repórteres por delegacias, hospitais, IML, e pelo antigo prédio da Central de Polícia, na 28 de Setembro, no centro de Belém. Amigo pessoal de Paulo Ronaldo, ouvi dele, certa vez, a seguinte confissão: "o Amaury é meu menino de ouro na reportagem policial".

Ele sabia o que falava. Quem não soubesse se virar na cobertura e trazer as melhores notícias para o jornal não criava raiz na equipe de Paulo Ronaldo e tinha destino certo: rua. Após a morte precoce de Paulo Ronaldo - um fenômeno do jornalismo policial em plena ditadura militar e com um baita processo nas costas, enquadrado na Lei de Segurança Nacional por denunciar tortura de presos numa delegacia, mas absolvido - Amaury Silveira seguiu seu caminho nas rádios de Belém, apresentando programas policiais. A premonição de Paulo Ronaldo dera certo.

Ao microfone e, ao mesmo tempo, no jornalismo impresso, Amaury já contabiliza décadas na redação do "Diário do Pará", o jornal da família Barbalho. Ou seja, é aquilo que no jargão popular se chama de "macaco velho" na profissão. E tem um faro para notícias policiais como poucos no País. Ele quase não dorme e acompanha os passos da polícia e dos criminosos pelas madrugadas. Já sofreu ameaças, um atentado, mas sempre resistiu, incólume.

E é justamente por seu histórico de sucesso na cobertura policial, sempre com notícias exclusivas e "furos" sobre a concorrência por onde passou, que considero estranho Amaury ter produzido uma notícia velha, como se fosse nova, sobre um assalto ocorrido no dia 28 de agosto de 2014, publicado na edição do dia 29 daquele mesmo mês e ano e ontem "ressuscitada" novamente na capa do "Diário do Pará". 

Mais constrangedor foi ver Amaury assinar na página 3 da edição de hoje do "Diário" um pedido público de desculpas, reconhecendo seu erro, embora o atribuindo a uma fonte que ele agora considera inconfiável. Se a fonte armou uma "casinha", com notícia falsa, para atingir o jornal, como ele diz no pedido de desculpas, isso poderia ter sido descoberto se a empresa de segurança Prosecur, suposta vítima do novo assalto, tivesse sido ouvida. A própria empresa reclama disso, em nota divulgada pelo jornal.

É lógico que o pedido de desculpas não deveria ser somente do repórter, mas de todos pelos quais a matéria dele passou pelas mãos, inclusive do chefe da redação, Klester Cavalcanti, a quem cabe a tarefa de produzir as manchetes do jornal. Por quê não o fez? Não possui humildade para tal? O "erramos" da capa do jornal apenas remete a chamada para a página 3, onde Amaury faz o "mea culpa".

Por quê expor apenas o repórter? E mais: por quê o jornal não reconhece solidariamente seu erro? Amaury não faz sozinho o jornal sozinho. Ele é uma peça dessa engrenagem cada vez mais massacrante e que cobra resultados imediatos, às vezes sem ter tempo de checar o que chega à redação, porque o jornal está no forno e precisa logo ir às ruas para ser vendido e distribuído a quem já pagou antecipadamente para tê-lo em mãos.

O "Diário" ficou devendo essa explicação a seus leitores. A cabeça de Amaury Silveira não cabe sozinha nessa carapuça.      

2 comentários:

  1. Mais que jornalzinho sem vergonha! Durma-se com um impresso desse.

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  2. Esse jornal não possui credibilidade e não é um jornal sério. E esse desculpa esfarrapada não colou.

    Fico imaginando se o Helder tivesse ganhado as eleições como Governador, como seria esse jornal haha, todos os problemas iriam desaparecer.

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