terça-feira, 3 de maio de 2016

PROCURADOR-GERAL PEDE QUE LULA, JADER, CUNHA, ERENICE, PALOCCI E MAIS 26 SEJAM INCLUIDOS NO "QUADRILHÃO"


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao ministro relator da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, que inclua o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mais 30 pessoas no inquérito mais importante do caso, apelidado de “quadrilhão”. Entres eles, estão o assessor da Presidência Giles Azevedo, a ex-ministra Erenice Guerra e os ministros Jaques Wagner e Ricardo Berzoini.

De acordo o pedido de Janot, assinado na última sexta-feira, “a organização criminosa tem dois eixos centrais”. Um é ligado “a membros do PT” e o outro, “ao PMDB”. “Essa organizarção criminosa jamais poderia ter funcionado por tantos anos e de uma forma tão ampla e agressiva no âmbito do governo federal sem que o ex-presidente Lula dela participasse”, assegurou o procurador.

Os novos elementos colhidos pelo Ministério Público incluem delações premiadas do ex-senador Delcídio Amaral (ex-PT-MS), do ex-diretor de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró e de executivos da Andrade Gutierrez. O inquérito 3989 apura como um grupo de políticos promoveu indicações políticas em estatais, notadamente na Petrobras, a fim de obter propinas de fornecedoras das empresas, como as grandes empreiteiras.

Se o ministro aceitar o pedido do procurador, os alvos mencionados pelo Ministério Público se tornarão investigados no caso. A tendência é que Teori Zavascki autorize a medida para a continuidade das investigações. À exceção dos delatores, todos os políticos que se manifestaram até agora têm negado qualquer irregularidade.

Segundo Janot, Lula atuou para impedir que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró fechasse delação premiada e revelasse crimes na estatal. Para isso, diz o procurador, o petista contou com a ajuda de um amigo, o pecuarista José Carlos Bumlai. “A partir das investigações ganharam novos contornos e se constatou que Luiz Inácio Lula da Silva, José Carlos Bumlai e Maurício Bumlai atuaram na compra do silêncio de Nestor Cerveró para proteger outros interesses, além daqueles inerentes a Delcídio e a André Esteves, dando ensejo ao aditamento da denúncia anteriormente oferecida nos autos 4170/STF”.

O Ministério Público Federal afirma que o eixo do PMDB é dividido entre o setor da Câmara, em que um dos líderes é o presidente da Casa, Eduardo Cunha (RJ), e o do Senado, quem também tem a participação de Jader Barbalho (PA), do ex-ministro Silas Rondeau e dos lobistas Mylton Lira e Jorge Luz.

No PT, foi descoberto que o grupo criminoso age “de forma verticalizada, com um alcance bem mais amplo do que se imagina no início e com uma enorme concentração de poder nos chefes da organização”. Janot afirma que estão envolvidos os ministros do governo de Dilma Rousseff Edinho Silva (Comunicação), Jaques Wagner (Gabinete Pessoal da Presidência) e Ricardo Berzoini (Governo) e o assessor especial da Presidência Giles Azevedo, além do ex-presidente Lula, Bumlai, o ex-ministros Antônio Palocci, Erenice Guerra, o presidente do Instituto Lula Paulo Okamoto e o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli.

Negociatas


Segundo Janot, o esquema no PT se valia de doação oficiais ao partido, que depois fazia repasses de acordo com o interesse da organização. “Esse projeto de poder fica evidente em diversos relatos de colaboradores.”

Ele diz que a acusação de Delcídio de que Lula pediu para comprar o silêncio do ex-diretor de Internacional da Petrobras são comprovadas por emails em que a reunião com o ex-presidente é marcada, os bilhetes aéreos do senador até São Paulo “no período coincidente às negociatas envolvendo o silencio de Nestor Cerveró”. Além disso, a Procuradoria Geral da República descobriu registros de diversos telefonemas entre Lula e Bumlai, e entre o pecuarista e o senador – fatos que foram incluídos no aditamento de denúncia do inquérito 4170.

Propina retroativa

O procurador diz que as acusações de Delcídio e Cerveró batem com as de executivos da Andrade Gutierrez. O ex-presidente da empreiteira, Otávio Azevedo disse que, em 2008, o ministro Ricardo Berzoini e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari pediram “de forma bastante clara”, segundo Janot, que 1% de todas as obras do governo. Os pagamentos deveriam ser retroativos a 2003, no início do governo Lula e daquele ano em diante. Azevedo diz que a conversa foi testemunhada pelo executivo Flávio Machado.

De 2009 a 2014, a Andrade doou cerca de R$ 94 milhões ao PT, oficialmente e de forma registrada. Desse valor, Azevedo estima que R$ 40 milhões foram referentes a propinas, e não a doações espontâneas.

O executivo da empreiteira contou que o ex-ministro da Casa Civil Antônio Palocci e Giles Azevedo lhe pediram para pagar uma dívida cm a agência de publicidade Pepper, que trabalhou na campanha de 2010 de Dilma. Palocci e Erenice Guerra “teriam atuado de forma decisiva”, de acordo com Janot, “no esquema ilícito relacionado à construção da Usina Belo Monte”. A obra teria 1% de subornos, sendo metade para o PT e outra metade para o PMDB.

O delator contou que Andrade pagou mais de R$ 3 milhões a Lula a título de palestras no exterior. O objetivo “era o de aproximar a empresa de empresários destes países”, relata a PGR. As obras fora do país acabaram não se concretizando, apesar disso. Durante o mandato do petista (2003-2010), a empreiteira foi ajudada por ele a obter uma obra na Venezuela, segundo Azevedo.

Delações


Janot pediu que as delações premiadas do ex-senador Delcídio Amaral (ex-PT-MS), do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e dos executivos da Andrade Gutierrez fossem anexadas ao processo. O Ministério Público pede que as investigações do caso sejam prorrogadas por mais cinco meses.

O criminalista Fernando Augusto Fernandes, que defende Okamotto, afirmou nesta terça-feira (3/5) que o STF “deverá impedir investigações sem justa causa”. “Ainda não tivemos acesso a integralidade do pedido do Procurador Geral para verificar a legalidade”, disse ele, em nota. “Quanto a seus fundamentos, o Supremo deverá impedir investigações sem justa causa e fora dos contornos legais. No entanto, respeitados o juiz natural e a Constituição, não se receia qualquer investigação.” Fonte: Correio Braziliense

Quem deve passar a integrar o “quadrilhão”:
 
1. Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
2. Ministro Jacques Wagner
3. Minstro Ricardo Berzoini
4. Ministro Edinho silva
5. Senador Jáder Barbalho
6. Senador Delcidio do Amaral
7. Deputado Eduardo Cunha
8. Deputado Eduardo da Fonte
9. Deputado Aguinaldo ribeiro
10. Deputado André Moura
11. Deputado Arnaldo Faria de Sá
12. Deputado Altineu Côrtes
13. Deputado Manoel Júnior
14. Ex-ministro Henrique Eduardo Alves
15. Assessor da Presidência Giles de Azevedo
16. Ex-ministra Erenice Guerra
17. Ex-ministro Antonio Palocci,
18. Pecuarista José Carlos Bumlai
19. Presidente do Instituo Lual, Paulo Okamoto
20. Banqueiro André Esteves,
21. Ex-ministro Silas Rondeau
22. Lobista Milton Lyra
23. Lobista Jorge Luz,
24. Ex-senador Sérgio Machado
25. Ex-presidente da Petrobras Jose Sérgio Gabrielli
26. Doleiro Lúcio Bolonha Funaro
27. Ex-deputado Alexandre Santos
28. Ex-deputado Carlos Willian,
29. Ex-deputado João Magalhães
30. Ex-deputado Nelson Bornier e
31. Ex-deputada Solange Almeida

Um comentário:

  1. Lularápio-mor: "duvido que exista alguém mais honesto que eu!...; nem na igreja, nem Congresso, nem, nem, nem...". Mais do que o Barbalho? Duvido-dó-dó...

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