VER-O-FATO: OS QUATRO DESAFIOS DE TEMER E A SOMBRA DA LAVA-JATO

terça-feira, 10 de maio de 2016

OS QUATRO DESAFIOS DE TEMER E A SOMBRA DA LAVA-JATO


Não cair na mesma paralisia do governo Dilma, restabelecer a confiança da população, recuperar a economia e ajustar a questão fiscal. Michel Temer tem quatro grandes desafios a vencer e pouco tempo para agir. Caso o processo de impeachment seja mesmo instaurado pelo Senado – como se desenha - e Dilma afastada por 180 dias, ele precisará não apenas ter as rédeas do governo nas mãos, mas construir uma ampla coalizão política de apoio no Congresso Nacional. 


É claro que essa combinação de fatores terá pela frente uma oposição raivosa e vingativa do PT, de entidades sindicais e movimentos sociais aliados do atual governo e que dele recebem verbas. Temer, para esses novos opositores, não passa de um golpista que deve ser combatido com todas as armas. Nesse aspecto, os inimigos avisam que não haverá trégua. 


O discurso por uma nova eleição para presidente será a tecla a ser batida com insistência, embora isso não tenha amparo constitucional. Pouco vai interessar, para os opositores, que a economia tenha pequena melhora no começo e a sangria do desemprego seja estancada.


Não se pode deixar de considerar que a continuidade da operação Lava Jato representa um problema, pois o partido do vice, o PMDB, também está envolvido, assim como o próprio PT e o PP. A Lava Jato vai pairar como uma espada de Dâmocles sobre a cabeça do presidente e do próprio sistema político. Sem esquecer que o homem mais odiado do momento, Eduardo Cunha – na linha sucessória o vice de Temer – poderá assumir o governo em caso de viagem do titular.


Se isso não bastasse, ainda há a ação de impugnação da chapa Dilma-Temer sendo analisada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde o ano passado. Isso faz a alegria dos opositores, pois a ação de cassação da chapa é baseada em acusações do PSDB – o namorado político da vez - de que a campanha da chapa teria sido financiada parcialmente pelo esquema de corrupção na Petrobras. 


Caso o TSE julgue o processo, o peemedebista poderá ter o mandato cassado. Mais impensável do que isso só o fato de Eduardo Cunha ter de assumir temporariamente o poder. O cenário de coisas que Temer sequer gosta de pensar, porém, não está completo. Há contra ele, em tramitação na Câmara dos Deputados, um pedido de impeachment, no qual o vice também é acusado de responsabilidade nas chamadas pedaladas fiscais - manobras fiscais usadas para mascarar déficits do governo com empréstimos de bancos públicos. As pedaladas, como se sabe, são a principal acusação contra Dilma no processo de impeachment que vai tirá-la do poder. 


O anúncio da entrada em cena de Henrique Meirelles, como ministro da Fazenda, traz esperança para os empresários e para o mercado financeiro. Foi no primeiro governo de Lula que Meirelles implantou sua marca de gestor pragmático e eficiente daquilo que foram os melhores anos do governo do PT. A estabilização econômica e o equilíbrio fiscal são as metas que ele deve perseguir.


No documento "Ponte para o Futuro", elaborado em outubro do ano passado pela Fundação Ulysses Guimarães, ligada ao PMDB, Temer acenou que as ideias nele contidas poderão constituir-se numa espécie de programa de seu governo. "O desequilíbrio fiscal significa ao mesmo tempo: aumento da inflação, juros muito altos, incerteza sobre a evolução da economia, impostos elevados, pressão cambial e retração do investimento privado", diz o texto. 


A carta do PMDB também propõe medidas emergenciais e reformas estruturais para a retomada do crescimento, admitindo, porém, que essas podem ser "duras para o conjunto da população". Entre as propostas estão uma reforma da Previdência, com aumento da idade mínima para a aposentadoria, e o fim da vinculação constitucional de gastos com saúde e educação. O documento também critica a indexação de "qualquer benefício" ao salário mínimo e se diz contra o aumento de impostos. No cenário externo, defende que o Brasil precisa se "preparar rapidamente para uma abertura comercial".


Eis a receita de Temer . Espera-se apenas que a dose do remédio seja capaz de curar o doente chamado Brasil.



___________________BASTIDORES_____________________


* O prefeito Walmir Mariano tenta correr contra o tempo, fazendo aquilo que não fez em três anos e quatro meses: obras e serviços em favor da população de Parauapebas. O índice de reprovação popular ao seu governo, porém, continua elevado.


* O serviço de inteligência da Polícia Militar adverte: todo cuidado é pouco para quem trafega por rodovias do sul e sudeste paraense. Assaltantes de estrada estão atacando a qualquer hora do dia. O alvo são motoristas de carros possantes.


* Os bandidos querem veículos bons e rápidos para a realização de assaltos relâmpagos em agências bancárias e casas comerciais.


* Até petição pública, pedindo o afastamento imediato de Maurílio Gomes, o “Maguila”, da prefeitura de Ourilândia do Norte, está correndo nas redes sociais. A meta é atingir mil assinaturas.


* “Maguila”, apesar de duas sentenças de bloqueio de bens da Justiça Federal de Redenção, se mantém firme e forte no cargo. Tem santo poderoso na parada.


* A CPI da Cerpasa não decola na Assembleia Legislativa do Pará. A base aliada do governador Simão Jatene está fazendo das tripas coração para impedir que isso ocorra.


* Com 85% das obras já concluídas em Canaã dos Carajás, a Vale espera que até agosto o projeto S11D esteja funcionando a todo vapor, extraindo e transportando minério de ferro para seu grande cliente, a China.


* Pelo menos 25 municípios, dos 144 existentes no Estado, ainda não têm juízes titulares em suas comarcas. Um deles é Igarapé-Miri, que na terça-feira saiu às ruas para protestar. Não apenas contra a falta de juiz, mas também de promotor, delegado de polícia e defensor público.

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