terça-feira, 31 de maio de 2016

DONA DO NAVIO HAIDAR E SEGURADORA BRIGAM EM LONDRES. E O PARÁ, FICA COM OS PREJUÍZOS


O Haidar vai fazer 8 meses no fundo, e as autoridades continuam a ver navios


Novidades sobre a situação do navio Haidar, que no dia 6 de outubro do ano passado – portanto, prestes a completar oito meses - afundou com 4.900 bois vivos no porto de Vila do Conde, em Barcarena, provocando um tragédia ambiental e social sem precedentes na região colada à capital, Belém: a dona do navio, Tamara Shipping, e a seguradora da embarcação, Al-Bahriah Insurance, estão brigando sobre a franquia de 4 milhões de dólares e a questão foi parar em uma câmara de arbitragem de Londres, que decidirá quem tem razão. Aqui, no Brasil, eles fogem da Justiça. E foram brigar bem longe.


O valor da salvatagem do Haidar, oferecido pela empresa Ardent, que venceu a licitação em Londres, foi de US$ 15,7 milhões (R$ 56,4 milhões), aí incluido uma caução de US$ 5 milhões (R$ 17,9 milhões), que podem ser restituídos caso não haja embolso, no final do serviço. Por conta do valor que a seguradora já pagou da retirada do óleo, cerca de US$ 10 milhões (R$ 35,5 milhões), a franquia seria de aproximadamente US$ 4 milhões (R$ 14, 3 milhões), o que o armador contesta


Caso as autoridades brasileiras resolvam aguardar o julgamento dessa briga pela corte de arbitragem inglesa, isso pode levar dois anos – prazo que, segundo advogados que já atuaram nesse tipo de contenda, é comum em julgamento dessa natureza. Pressionada por todos os lados e contra a parede, a Companhia Docas do Pará (CDP), em cujo porto o navio continua afundado, está exaurida de recursos, com multas arbitradas pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) que já passam de R$ 500 milhões, e se vira nos trinta para bancar a retirada da embarcação do leito do rio Pará, enquanto os verdadeiros responsáveis pela tarefa se engalfinham num tatame judicial na Inglaterra.


O Ver-o-Fato procurou o presidente da CDP, Parsifal Pontes, para perguntar se a União vai continuar de braços cruzados nesse caso– como, aliás, já está o próprio Ministério Público Federal (MPF), que é o único que pode, por ter legitimidade para isso, pedir nas cortes internacionais o bloqueio de bens e de contas bancárias da seguradora e do armador do navio Haidar, para obrigá-los a retirar a embarcação imediatamente do fundo do rio.


Parsifal respondeu com a informação de que a CDP está tentando junto à União – dona da estatal – que ela banque a reflutuação do navio, uma vez que possui condições financeiras para tal, para depois cobrar com juros e correção as despesas junto ao proprietário da embarcação e da seguradora.


“A CDP fez o pedido do valor à União, mas a mudança de governo fez com que tudo voltasse à estaca zero. Quem autoriza isso é o Ministério do Planejamento e iríamos começar a tratar com o Jucá (senador Romero Jucá, atual presidente do PMDB nacional), quando ele foi apanhado pelo gravador-mor da República, Sérgio Machado. Aí tenho que esperar o novo ministro do Planejamento para voltar à carga”, explicou Pontes.


Nova licitação 


Não há prazo estabelecido para que o navio saia do fundo, pois o serviço sequer foi contratado. A Ardent apresentou um cronograma de 180 dias para reflutuar e remover o navio, a partir da assinatura de um contrato, em Londres, dois meses atrás. Caso a CDP consiga o dinheiro, ela terá de abrir uma licitação. Na verdade, segundo Pontes, “não há mais justificativa técnica para contratação direta e a licitação feita em Londres pela empresa contratada pelo armador não tem validade para a CDP”.


Enquanto a novela prossegue, com seus capítulos picantes e contraditórios, o embarque de bois pelo porto de Vila do Conde foi retomado. O navio Haidar, de acordo com Pontes, está estabilizado, drenado, 80% das carcaças de bois já foram retiradas, a área do naufrágio contida e sinalizada, o que permitiu a liberação do berço contíguo (402), sem nenhum perigo para a navegação no canal.


Os níveis de oxigênio da água, mesmo aquela colhida em cima do navio – diz o presidente da CDP – estão normais, ou seja, “a área esta limpa e isolada, não representando mais nenhum perigo para a navegação e sem mais consequências ambientais, mas a CDP fica sem um berço e tem um custo altíssimo mensal para manter esse "isolamento".


Carcaças depositadas


Como os 80% das carcaças foram retirados, qual o custo disso para a CDP, onde foram enterradas e se há algum impacto ambiental ao enterrá-las em vez de incinerá-las? Foi a pergunta do blog a Parsifal Pontes. Resposta: as carcaças foram retiradas com mergulhadores e sacos içados por guindaste. “O valor disso, não tenho exatamente, pois nisso estava a contenção e sinalização, que agora foi assumido pela CDA, empresa da Petrobrás. Mas com tudo isso a CDP já gastou cerca de R$ 3 milhões”.


Para Pontes, não há impacto ambiental pois as carcaças não foram enterradas e sim depositadas em valas impermeabilizadas com material próprio e seguindo todas as normas da Semas e Ibama, com vazamento zero para o lençol. Não há contato com o solo. Mas isso não é destinação final. O caro é a destinação final: o valor menor que Pontes informa ter recebido até hoje para dar destinação final (incineração e transformação do material incinerado em blocos para serem depositados em aterro sanitário próprio para depósito orgânico) foi de R$ 16 milhões.


“É muito dinheiro”, alega ele, afirmando que a CDP está “esgotada financeiramente”. Tudo o que era possível ser cortado na empresa já foi, Isso tudo foi apresentado ao MPF e à Justiça Federal, pedindo que a União viesse à lide ou a empresa estaria inviabilizada até mesmo para fazer o babysitting (termo do ramo para o trabalho de manutenção do naufrágio, que agora a CDA assumiu) do navio.


Conta salgada


O tamanho da conta, incluindo todas as despesas decorrentes do naufrágio do navio, a remoção de bois mortos das praias de Barcarena, a retirada do óleo de dentro da embarcação, barreiras de contenção e outros custos, devem passar de R$ 130 milhões. Isso tudo sem falar das indenizações às famílias e ao meio ambiente da região. Somente a ação judicial impetrada pelo MPF alcança R$ 71 milhões. Resumo do desastre, por baixo: R$ 200 milhões. 


A ironia de tudo: quando navegava pelos mares do mundo, o Haidar valia 7 milhões de dólares, ou R$ 25,1 milhões ao câmbio de hoje, em moeda brasileira.


É por essas e outras que a seguradora, a dona do navio e a Minerva Foods, proprietária dos bois que morreram no naufrágio, oram todos os dias e agem para que o Haidar continue no fundo do rio. Se possível, por toda a eternidade.


E aí, o MPF, a Justiça brasileira e a União Federal vão permitir isso?

segunda-feira, 30 de maio de 2016

FILHO DE 7 ANOS DE MICHEL TEMER TEM 2 MILHÕES DE REAIS EM IMÓVEIS

Aos 7 anos de idade, completados em 2 de maio, Michel Miguel Elias Temer Lulia Filho, mais conhecido como Michelzinho, é proprietário de pelo menos dois imóveis cujos valores somados superam R$ 2 milhões. O pai, Michel Miguel Elias Temer Lulia, de 75 anos, presidente em exercício da República, passou para o nome do único herdeiro do seu casamento com Marcela Temer dois conjuntos comerciais que abrigam seu escritório político em São Paulo.

Localizados no Edifício Lugano, no Itaim-Bibi, zona sul da capital paulista, cada conjunto tem 196 m² e valor venal de R$ 1.024.802, segundo a Prefeitura de São Paulo – os dados são públicos e podem ser consultados na internet. O valor de mercado costuma ser de 20% a 40% mais alto do que o valor de referência usado pela Prefeitura para calcular o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

Mesmo assim, na declaração de bens que Temer apresentou à Justiça Eleitoral em 2014, cada conjunto é avaliado em apenas R$ 190 mil. Isso é comum nas declarações de políticos, pois os imóveis costumam ser declarados pelo valor de quando foram comprados. A legislação não obriga a atualização do valor. 

Doação. A assessoria de imprensa de Temer informou que a transferência foi feita como doação, uma espécie de antecipação da herança, e que as filhas do presidente em exercício também já receberam imóveis em outros momentos. A assessoria não esclareceu quais imóveis foram doados para as filhas, nem em que data isso ocorreu. 

Luciana, Maristela e Clarissa, fruto do primeiro casamento de Temer, são proprietárias de imóveis residenciais na zona oeste de São Paulo, segundo a Prefeitura. A primeira também é dona de um escritório no mesmo prédio onde ficam os imóveis transferidos para seu irmão.

Outros bens. No caso da declaração de bens de Temer apresentada quando foi candidato a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff, a casa que possui na zona oeste de São Paulo também está subavaliada. Em 2014, o presidente em exercício declarou a residência de 415 m² no Alto de Pinheiros, comprada em 1998, por R$ 722.977,41. Na Prefeitura, o valor venal é de R$ 2.875,109. Sobre esse valor incide a cobrança de IPTU.

Se a casa e os dois conjuntos do Itaim-Bibi tivessem seu valor corrigido para pelo menos o valor venal, o patrimônio declarado de Temer aumentaria em pelo menos R$ 3,6 milhões e chegaria a um total de mais de R$ 11 milhões. Isso não inclui outra casa, de R$ 1.434.558, no bairro do Pacaembu, pela qual ele responde a uma ação por não pagamento de IPTU, e que Temer diz ter vendido.

O patrimônio do presidente interino cresceu rapidamente desde 2006. Naquele ano, Temer foi candidato a deputado federal e declarou bens no valor de R$ 2.293.645,53. Se corrigido pelo IGP-M da Fundação Getúlio Vargas, eles corresponderiam, em 2014, a R$ 3.678.526,22. 

Porém, seu patrimônio declarado à Justiça Eleitoral em 2014 já havia crescido para R$ 7.521.799,27. Ou seja, mais do que dobrou acima da inflação entre duas eleições – e isso sem levar em conta a valorização dos imóveis. Fonte: "O Estado de São Paulo".

domingo, 29 de maio de 2016

RUBINHO, AQUELE QUE CANTA COM A ALMA



Quando entrei hoje no restaurante "Dedão", no começo da tarde, para almoçar com minha família, pensei que a música que ecoava pelo ambiente era mecânica. Mas, ao virar-me para o mini-palco vi que havia um cantor que, ao teclado, se virava nos trinta e dominava a cena.

Era o cantor Rubinho. Boa voz, afinada, cantando alguns pagodes e bregas - só o filé. Pensei: como Belém tem gente de talento, com voz para fazer sucesso em qualquer lugar deste país e das Américas. Rubinho é um desses artistas. Ele canta com a alma e sensibiliza quem o ouve.

Vale a pena ouvi-lo. Ao sair, apenas o cumprimentei de longe e ele, sem parar a música, disse apenas "muito obrigado", ao microfone. Não o conhecia e nunca tinha ouvido falar do Rubinho. E, agora, quem fala dele sou eu. O cara sabe cantar e canta bem.

Rubinho pode ser contratado para cantar em festas e shows pelos seguintes telefones: (91) 98152-9657 ou (93) 99231-9611 ou pelo email rubinho.rjj@gmail.com

Ouça e veja, acima, um pouco do Rubinho.

FUI 10 VEZES ASSALTADO - O DESABAFO DO APRESENTADOR DE TV MARCELO MARQUES

Marcelo Marques: "já pedi socorro à polícia e ao governo, mas tudo em vão"
 
Cansado  de pedir providências às autoridades da segurança pública sem receber qualquer resposta, o apresentador de TV Marcelo Marques, do Programa Bacana - exibido todo domingo, às 8 da noite, na RBA - postou em seu blog um desabafo, que o Ver-o-Fato abaixo reproduz:

"Peço licença aos leitores do blog para tratar aqui de um drama pessoal.

Em dois meses meu sítio nos arredores de Belém foi assaltado 10 vezes. Sabemos quem são os assaltantes e a vários policiais já recorri, do diretor geral da polícia a delegados , da PM a Polícia Civil , sem falar ao socorro que pedi a gente importante do Governo, tudo em vão.

39 moveis foram levados , e isso não é um mérito meu , na região onde está o sítio metade das casas foi assaltada. E não entrarei aqui no tema homicídio para não me prolongar.

A polícia sabe quem são os assaltantes , são os mesmos sempre . Sabem onde moram , sabem onde vendem o que assaltam , sabem quais casas foram assaltadas.

Sabem porque todos os moradores já avisaram , sabem porque eu mesmo já mostrei , expliquei , apontei onde residem.

Talvez eu tenha que pegar o carro e leva- los , se não estiverem muito ocupados , a realizarem o trabalho do qual são pagos pela população. 

Ter acesso ao alto comando da polícia não ajuda em nada . Ou o alto comando não comanda coisa alguma ou se faz de surdo. 

O fato apenas é mais um em uma estatística assustadora da violência em nosso Pará.

Aqui fica o convite , em público ao senhor secretário de segurança do estado e aos diretores da Polícia Civil e Militar para poderem ir até o meu programa de televisão falarmos sobre a violência.

Irão ? 

Duvido.

Talvez se o Governador mandar ..."

POVO COBRA AÇÃO DA JUSTIÇA E PROTESTA DIA 31 CONTRA CORRUPÇÃO EM PARAUAPEBAS




Enquanto o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) mantém-se sentado sobre o processo e sem apresentar ao Ministério Público o relatório final das inúmeras falcatruas existentes na prefeitura de Parauapebas, ao mesmo tempo em que a perícia do IML demora uma eternidade para examinar equipamentos e documentaçao apreendidos há mais de um ano durante a "Operação Filisteu", a população de Parauapebas vai às ruas, nesta terça-feira, 31, dizer "basta" à corrupção e cobrar providências da Justiça.  
 
A manifestação, que será realizada em frente ao Fórum, começa às 9 da manhã e terá a participação de comunidades pobres, movimento de mães, estudantes, cooperativas de trabalhadores, pequenos empresários e comerciantes e outros segmentos sociais que se dizem "sufocados pela corrupção que domina o nosso município". O que a população não entende é como, depois de um ano da operação feita pela Polícia Federal e Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado, do MP, nada tenha sido feito para higienizar a administração pública no município. 
 
A saúde em Parauapebas é caótica, assim como a educação e o saneamento. Comunidades inteiras denunciam que não são beneficiadas por obras e serviços, embora o município seja um dos mais ricos do Brasil em arrecadação de impostos e de royalties proveniente da extração de minério de ferro de seu solo pela empresa Vale.  

Dois meses atrás, em entrevista exclusiva ao Grupo Correio de Comunicação, que edita em Marabá o "Correio", o jornal de Carajás, o procurador de Justiça Nelson Medrado, do Núcleo de Combate à Improbidade Administrativa e Corrupção do Ministério Público, afirmou que já há provas concretas do esquema de corrupção na gestão pública de Parauapebas, praticado por um grupo criminoso armado que saqueia os cofres públicos.

“Em Parauapebas nós não só temos irregularidades na execução política do orçamento, como temos um poder financeiro, um poder do crime que se aliou ao poder político. Agora nós temos o poder político, o poder econômico e temos uma força armada, força através de armas, que está unida a esses dois poderes. Existe um grupo de pessoas que estaria se arvorando, se autoproclamando condutor dos desígnios do município. Isso nós já percebemos muito bem nas investigações”, garantiu Medrado.

Essa rede de corrupção montada no município tinha ramificações incrustradas na Câmara Municipal e na prefeitura. As investigações poderiam já estar bem mais profundas, mas o procurador Nelson Medrado enfrenta a lentidão do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) e do Instituto de Perícia Científica Renato Chaves, que não concluíram, respectivamente, o relatório final e a perícia na documentação e equipamentos apreendidos na operação. 
 
Contundentes
 
“As provas que o Ministério Público tem já são bastante contundentes. A esfera federal também mantém procedimentos contra o prefeito. Não que nós estejamos numa corrida para ver quem chega primeiro à condenação do prefeito ou o afastamento dele, mas existem várias frentes atuando, porque existem várias condutas consideradas irregulares, ilícitas, tanto na esfera estadual quanto na esfera federal. Eu não cometo nenhuma leviandade falando que já existem provas robustas de irregularidades, de ilícitos na prefeitura de Parauapebas”, ressaltou Medrado.

O procurador lembrou que antes da Operação Filisteu houve uma investigação preliminar para coleta de dados e depois ocorreu uma operação de busca e apreensão em Parauapebas, em que foram coletados documentos, computadores e houve uma sessão púbica relacionando tudo o que foi apreendido.

Parte do material apreendido foi encaminhada ao TCM, que elaborou um relatório preliminar. Depois a Prefeitura encaminhou outros documentos com justificativas e então o promotor local, Hélio Rubens, encaminhou os documentos apreendidos pela Operação Filisteu na Câmara Municipal de Parauapebas. Esses documentos foram encaminhados para uma análise complementar do TCM, mas esta segunda análise ainda não terminou. “Eles não me deram prazo, mas espero ainda que nesse primeiro semestre ela termine”, disse.

De acordo com Nelson Medrado, “paralelamente houve apreensão de mídias, computadores, celulares, pen drives, discos rígidos e esse material foi encaminhado para o IML, que entrou em greve e voltou a funcionar em dezembro. Nós estamos cobrando, mas o IML ainda não concluiu nenhuma perícia sobre os objetos encaminhados. Estamos esperando, temos depoimentos para tomar”, cobrou.

Obstáculos
 
Medrado garantiu que o MP não ficou parado, pois já esteve duas vezes em Parauapebas para tomar depoimentos. “O problema é que nós temos que chamar as pessoas para ouvir, de posse da perícia do IML e do relatório final do TCM para poder confrontá-los, perguntar para elas e mostrar o que nós encontramos. Acontece que não temos nem a perícia, nem o relatório do TCM, o nosso trabalho está sendo obstaculizado. Nós não podemos concluir o processo se não tivermos a perícia e o relatório”, desabafou.

As denúncias são tantas e envolvem desvios que podem alcançar R$ 1,5 bilhão. As investigações  englobam tanto o Ministério Público Estadual, Ministério Público Federal, Polícia Civil, como a Polícia Federal e até a Controladoria Geral da União (CGU). (Paulo Jordão, com o blog Ver-o-Fato)

sábado, 28 de maio de 2016

CAMPANHA INFELIZ: "DEIXE DE SER CABEÇA PEQUENA", DIZ TEXTO SOBRE MICROCEFALIA




Uma campanha contra o Aedes aegypti com foco na relação do zika vírus com a microcefalia causa polêmica em Catanduva, interior de São Paulo. O texto publicitário faz menção a um dos efeitos mais graves da doença, a redução do perímetro encefálico, na tentativa de incentivar o combate ao mosquito. “Deixe de ser cabeça pequena. Combata o mosquito que causa a microcefalia”, diz a peça publicitária usada na campanha. A cidade teve dois casos confirmados de zika este ano, mas nenhum em gestante.

O material é veiculado em um jornal local e causou repercussão, principalmente pelas redes sociais. Depois que um morador postou o anúncio, afirmando que a frase era “de mau gosto”, várias pessoas postaram comentários, como “não é piada?” e “essa foi infeliz”. A campanha é veiculada pelo hospital psiquiátrico Mahatma Gandhi e tem os selos da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Catanduva e do Sistema Único de Saúde (SUS). 

O hospital informou ter usado os selos por ser gestor da UPA, mantida pelo SUS. Informou ainda que o objetivo era causar impacto para chamar a atenção para os riscos do Aedes, e que a campanha já foi alterada. Uma nova publicação foi feita com a frase: “Pare de pensar pequeno, combata o mosquito que causa microcefalia”.

Em todo o Brasil, foram confirmados 1.434 casos de microcefalia em 517 municípios de 25 unidades da federação, segundo o boletim mais recente do Ministério da Saúde. A pasta considera que houve infecção pelo zika na maior parte das mães que tiveram bebês com diagnóstico final de microcefalia. Fonte " O Estado de São Paulo". 

Nota do blog: o sujeito que criou essa peça publicitária deveria ser punido pelo Conar, a entidade que regulamenta o setor no país. Já é, de longe, primeiro lugar entre as coisas mais estúpidas produzidas este ano. O que chama a atenção é que foi aprovada e veiculada por um hospital psiquiátrico. 

Freud explicaria isso?   

IBAMA DIZ QUE AGUARDA POSIÇÃO DEFINITIVA DA FUNAI SOBRE USINA NO RIO TAPAJÓS

Na foto de Artur Massuda, a audiência feita esta semana com as comunidades da região



O Ministério Público Federal (MPF) no Pará promoveu, em Itaituba, no oeste do Pará, audiência pública para discutir os impactos das barragens projetadas para o rio Tapajós, um dos principais afluentes do Amazonas, na região oeste do Pará. Em meio a pronunciamentos de cientistas, ambientalistas e povos e comunidades afetados, representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) apresentaram a situação atual do licenciamento da usina. 
 
“Não existe mais próximo passo desse processo dentro do Ibama. Agora esperamos a manifestação conclusiva da Funai”, disse Hugo Américo, superintendente do órgão no estado.

O Ibama suspendeu oficialmente o licenciamento da usina São Luiz do Tapajós no último mês de abril, após receber pareceres técnicos da Funai que mostravam impedimentos constitucionais para a continuidade do processo. Tais pareceres somente foram anexados ao processo de licenciamento junto ao Ibama após reunião entre o MPF e a FUNAI, em fevereiro deste ano. 
 
A Constituição brasileira veda a remoção de povos indígenas de suas terras originárias e, após um longo atraso provocado por pressões do setor elétrico, finalmente a Funai reconheceu como indígena o território de Sawré Muybu, que seria alagado em caso de construção da barragem. “O parecer da Funai sobre a usina cumpre a Constituição”, disse a representante da instituição, Tatiana Fajardo.

Fajardo também ressaltou que mesmo que a usina seja completamente paralisada, já houve impactos sobre as populações indígenas, até mesmo na confecção dos estudos, que só foram realizados com forte presença de homens armados da Força Nacional na região. Houve conflitos entre índios e pesquisadores que entraram sem autorização em suas terras e a pressão sobre lideranças por parte de representantes do governo causou discórdias entre os Munduruku,

“A questão indígena é preponderante agora e trava o processo”, disse o superintendente, que foi muito cobrado pelos presentes, principalmente indígenas e ribeirinhos, sobre um cancelamento defintivo do projeto de São Luiz do Tapajós. “Nós já tivemos impactos, vocês deviam ter cancelado desde o começo. A gente não quer suspensão, quer o cancelamento”, disse Alessandra Akai Munduruku.

A Funai enviou ao Ibama um parecer técnico e outro jurídico. O jurídico sustenta que há obstáculo na Constituição que impede prosseguir o licenciamento da usina. “O parecer diz que o licenciamento carece de legalidade. A posição da Funai está clara: o processo não pode prosseguir porque há ilegalidade”, disse Tatiana Fajardo.

Os pareceres da Funai, assim como a suspensão do licenciamento pelo Ibama, respondem a reivindicações que os índios Munduruku vem expondo à sociedade brasileira desde o início do licenciamento da usina São Luiz do Tapajós. O MPF também apontou à Justiça em ações judiciais as ilegalidades da usina, agora admitidas na esfera administrativa. “Inconstitucionalidade não se repara com suspensão e sim com cancelamento”, disse durante a audiência o procurador da República Camões Boaventura.

Críticas – Durante toda a audiência, que não teve a presença do setor elétrico – convidados, nem Eletrobrás, nem Ministério de Minas e Energia mandaram representantes – cientistas, autoridades, ambientalistas e população local se revezaram em críticas ao projeto da usina e temores provocados pelas outras experiências com hidroelétricas na Amazônia, principalmente as barragens construídas no Xingu, Tocantins, Madeira e Teles Pires.

O médico Erik Jennings e a professora Liz-Carmen Pereira, ambos estudiosos dos efeitos do mercúrio na população do Tapajós, deram um panorama do que pode acontecer com a construção de barragens no rio, onde o problema já é considerado grave por causa da mineração e recebe atenção de pesquisadores tanto da Amazônia como de outros países, a exemplo do Canadá e do Japão. “Essa usina que querem construir não vai ser de produção só de energia, vai ser uma usina de produção de metilmercúrio", diz Erik Jennings, médico e estudioso do tema. 
 
O solo da Amazônia em geral é rico em mercúrio e o alagamento de áreas torna esse mercúrio, na natureza inerte, em um veneno violento. “Barragem e mercúrio podem resultar em uma catástrofe ambiental, disse a professora Liz-Carmen.

Danicley Aguiar do Greenpeace, que coordenou a realização de uma análise sobre o estudo de impactos ambientais da usina, fez várias críticas ao documento apresentado pelas empreiteiras ao Ibama. “O estudo de impacto ambiental não apresenta a totalidade dos impactos e se você não define corretamente os impactos, é impossível apontar a mitigações. Sobre povos indígenas e ribeirinhos o estudo é tendencioso, procura invisibilizar as populações ribeirinhas e minimizar os impactos aos indígenas”, disse.

O assessor do MPF, Rodrigo Oliveira, que acompanha desde 2012 os esforços dos índios Munduruku para terem respeitado o direito à consulta prévia, livre e informada prevista na Convenção 169 apontou os vários subterfúgios do governo para não cumprir a Convenção. "Desde 2012 há decisão judicial ordenando a consulta. Se tivessem iniciado aí, já teriam feito uma consulta apropriada", diz Oliveira. A consulta apropriada, prevista na Convenção 169, exige respeito aos costumes e à língua, assim como à organização política dos consultados.

Iury Paulino, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e Letícia Arthuzzo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), expuseram ao público o grave passivo humano e ambiental provocado pela usina de Belo Monte no Xingu. Paulino pediu ao superintendente do Ibama que se cancele qualquer novo empreendimento até que o estado consiga resolver os problemas que causou em Altamira e Tucuruí. 
 
“A construção de barragens segue os mesmos métodos de Tucuruí e Belo Monte. A mesma violação de direitos. O atingido é considerado um custo, não uma pessoa. Para um grande empreendimento, é um custo a ser eliminado", disse. Fonte: MPF/Pará.

NA FEIRA DO LIVRO, AMANHÃ, LANÇAMENTO DA OBRA DE PARAGUASSU ÉLERES



Apresentação

Paraguassú Éleres, meu pai, escreveu este livro em 1975, com informações do mundo que nos rodeia, quando Fábio, meu irmão mais velho, tinha 8 anos. Começa pelo ambiente mais próximo: a casa, a pracinha do Conjunto do Basa, onde morávamos, a quadra, o bairro, as ruas, as estradas, os rios, mundo que completava quando voltava das campanhas topográficas nos campos do Marajó, nas matas da Amazônia, encantando-nos com suas aventuras entre os índios Yanomami, e nas noites claras, com a luneta astronômica nos mostrava o “céu”, onde víamos crateras da Lua, o movimento dos planetas e estrelas (os lindos anéis de Saturno !) e tanto quanto possível, o nosso Pairágua nos integrava o micro e o macrocosmo.

Lembro que, lá pelos meus 8 anos, folheei o livro com papai, mas então vieram as viagens de Agrimensura com questões jurídicas que o nortearam a estudar Direito, depois a direção da Defensoria Pública, o Mestrado, o Magistério e tantos outros compromissos, de modo que pouco depois, quando chegaram Marília e os gêmeos Ricardo e Cristina o “livro” já fazia parte do acervo da pasta “Documentos Humanos”.


Nascem Gabriel, Lucas, Giovani, Bruna, Alexandre, Henrique, Laís Cecília e Ghido, e com eles, a vontade de publicar o texto com as páginas já amareladas, datilografadas há 40 anos pelo hoje avô, o qual renova as “informações do mundo que nos rodeia”, como fazia na aurora da nossa infância. Com os mesmos desenhos que fez e a colaboração da Imprensa Oficial do Pará, Parágua presenteia outras crianças com o livro que nos ensinou sobre o mundo, reafirmando que “basta amor e humor, que o resto vem sem dor”.


Gisele Éleres

sexta-feira, 27 de maio de 2016

O PARÁ E OS PORTOS (1)


Ismael Moraes – advogado socioambiental

O Pará é o estado brasileiro dotado da mais privilegiada costa fluvial-marítima para recebimento e escoamento de produção em razão da formidável quilometragem de enseadas, baías, taludes e penínsulas contendo centenas de refúgios naturais onde podem ser instalados portos para embarcações dos mais variados calados. Ou seja, entre o continente e o oceano existe a malha hidroviária natural, onde a navegação está abrigada das inconstâncias marítimas.

Mas os frutos dessa vocação não reverteram em quase nada em bens e em investimentos perenes ao Pará. Após a exploração desse potencial pelo empresário norte-americano Percival Farquhar, que possuiu por quase 40 anos a concessão dos serviços portuários por meio da empresa Port of Pará Co., em 1940 entrou no processo de mumificação que a estatização e as relações sindicais parasitárias causaram em todo o setor portuário. Hoje vem a ser a atual Companhia Docas do Pará.

A partir de 1993, com o início da modernização do setor, portos privados passaram a ser planejados, mas de novo, sem que os investidores trouxessem perspectivas de investimentos locais. Ao contrário, deixando passivos socioambientais gravíssimos. Exemplo disso são as atividades ilegais e criminosas da multinacional norte-americana Bunge Alimentos, que é titular de uma alça portuária de Miritituba em Itaituba até Vila do Conde em Barcarena, adquirida do atual Secretário de Estado de Transportes, Kleber Menezes, sem qualquer investimento para reduzir os impactos sociais e ambientais das suas operações. 

Até junho do ano passado, quando foi subjugada por ordem judicial liminar com multa diária milionária, a empresa ianque barbarizava as comunidades ribeirinhas no Furo do Arrozal.

O deputado federal Edmilson Rodrigues tornou-se, de crítico diário na tribuna da Câmara, no mais festivo anfitrião dessa empresa, tendo realizado um seminário em Barcarena para celebrar “os investimentos sociais” (?!?!)da Bunge Alimentos. Se não estivesse filmada e gravada a patacoada, eu não teria acreditado, porque tudo é uma simulação, porque nunca a empresa norte-americana investira em Barcarena!

Na sessão do Tribunal de Justiça do dia 18 passado, o mais profícuo debatedor do Tribunal de Justiça, desembargador Milton Nobre, demonstrou desconhecer como estão as relações dessas exportadoras de grãos que estão ocupando os mais privilegiados espaços portuários no Pará. Exaltou os empregos e os investimentos que fazem aqui. Empregos? Investimentos? Se eu não tivesse assistido, não acreditaria se me contassem!

Além do passivo deixado (desgaste de estradas, prostituição infantil, danos ambientais, enfim) sem qualquer remediação, as empresas de exportação de grãos que utilizam a malha fluvial e possuem terminais portuários quase não geram empregos e quase nada pagam de tributação.

Mas parece que algumas autoridades do Estado do Pará começaram a despertar.  Na sua 5Oª sessão ordinária, ocorrida na semana passada, o Conselho Estadual do Meio Ambiente acolheu por unanimidade o voto do secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Adnan Demachki, condicionando autorização de construção de porto pela empresa Odebrecht Transport a que ela apresente, em 180 dias, projeto de uma indústria que verticalize a produção de grãos no Pará, o que redundará em empregos e receitas tributárias diversas.

EM MARABÁ, A COISA ESTÁ ASSIM: O INTERINO OU É TELEFONISTA OU É PREFEITO

O petista Luiz Carlos Pies, na interinidade do governo: atormentado por dúvida cruel
 
Não está fácil para ninguém. Que o diga o vice-prefeito de Marabá, Luiz Carlos Pies (PT), que assumiu um pepino: ser o prefeito interino no lugar do titular, João Salame, afastado por irregularidades. Diante das pressões que têm sofrido e do tamanho de problemas que cairam em suas mãos, o interino postou um desabafo nas redes sociais. 

E nesse desabafo ele revela um impasse meio shakespereano: ou atende 500 telefonemas por dia, ou governa. Realmente, é um drama. Vejam o que ele escreveu.

"PEÇO PERDÃO AOS AMIGOS/AS DE MARABÁ:

Quero aproveitar a oportunidade para pedir desculpas para os  parceiros e amigos/as, pela falta de atenção da minha parte, nos últimos dias. Estamos passando por uma turbulência política,  causada principalmente pela crise econômica. 

Os capitalistas do primeiro mundo não aceitam "pagar o pato" pela crise. Aliás, em toda história da humanidade, a corda sempre estourou no lado dos mais fracos. As 500 empresas mais poderosas do mundo exigem os juros da dívida e a margem de lucros em seus negócios a qualquer custo. 

Teremos uma década muito difícil para a classe trabalhadora,  principalmente na América Latina e nos demais países do hemisfério sul.

Aqui em Marabá,  por situações externas à nossa governabilidade,  fui chamado para assumir interinamente o posto de prefeito. Diante dos desafios,  gostaríamos de contar com a compreensão de vocês.

Fui forçado a fazer uma escolha: ou atender 500 ligações telefônicas por dia, ou governar. É humanamente impossível fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Governar é resolver problemas!

Por isso, quem precisar falar comigo, por estes dias, envie mensagem por WhatsApp ou SMS. No máximo,  na madrugada seguinte, enviarei a resposta.

A partir do dia 06 de junho pretendo voltar a atender normalmente às ligações;  não só porque será o dia do meu aniversário, mas porque será o dia do retorno do João Salame ao cargo de titular.

Que Deus continue nos iluminando.
Muito obrigado."

Luiz Carlos Pies
Prefeito em Exercício

ZENALDO MOBILIZA EXÉRCITO DE TEMPORÁRIOS E NÃO QUER OUVIR FALAR EM REAJUSTE SALARIAL

Os servidores reclamam de salários defasados, mas o prefeito diz não ter dinheiro
 
O prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, como bom tucano que é, parece não ter tempo, nem pressa, para discutir com servidores do município qualquer pauta de reivindicação que trate de reajuste salarial de 11%, melhores condições de trabalho e segurança nas unidades de atendimento, ou o fim do sucateamento no serviço público. 
A propósito disso, o presidente da Associação dos Concursados do Pará (Asconpa), José Emílio Almeida, narra um episódio ocorrido na última terça-feira, dia 24, no ginásio da Uepa, quando seria realizada a assembleia geral unificada dos servidores da prefeitura. A assembleia foi cancelada pelas razões que Emílio Almeida passa a expor a seguir:

"A reunião tinha como objetivo discutir diversos pontos da pauta de reivindicações dos servidores, entre as quais reajuste salarial de 11%, melhores condições de trabalho e segurança nas unidades de atendimento e o fim do sucateamento no serviço público.

O motivo do cancelamento foi a presença em massa de cerca de 1.500 DAS da prefeitura, mototaxistas e comunitários, convocados pelo prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho (PSDB), para impedir que fosse deflagrada greve no município.

Com a falta de ônibus nas ruas, devido a greve dos rodoviários de Belém e da região metropolitana, apenas 200 servidores concursados da Secon, Sesan, Semec, Sesma, Ipamb e Funpapa, conseguiram chegar ao local da assembleia. Os DAS, no entanto, chegaram ao local em seis ônibus, dois micro-ônibus e 35 carros alugados pela prefeitura.

No ginásio, ao perceberem que a assembleia seria cancelada, os DAS invadiram a quadra, gritando palavras de ordem, como “Não vai ter greve!” e “Vão trabalhar, concursados vagabundos!”.

Ficou evidente que Zenaldo tem a seu dispor um imenso exército de servidores contratados, comandados diretamente por vereadores e assessores, como Bruna Lorrane, autora de uma gravação, vazada nas redes sociais, assediando, sem nenhum pudor, centenas de servidores contratados. 
Na gravação, a assessora tucana orienta os contratados a fazerem o possível para impedir a realização da assembleia, inclusive usando falsos comprovantes de contratos de trabalho em órgãos como o ProJovem, que serve como fortaleza política dos dirigentes do PSDB no Pará.

Lorrane é filiada do PSDB, tendo sido inúmeras vezes candidata a cargos na Câmara de Vereadores e Assembleia Legislativa. É lotada na Coordenação de Políticas de Segurança Alimentar e Nutricional (Copsan), onde tem até carro oficial a disposição, para acompanhar o prefeito em eventos realizados pela prefeitura e comandar grupos de DAS que aplaudem o prefeito quando este discursa. 
Mas também impedir que servidores públicos concursados façam atos públicos contra Zenaldo, como ocorreu na Câmara Municipal de Belém, há dois meses, quando o prefeito aprovou com apoio da maioria dos vereadores, um projeto de extinção de cargos públicos.

Além dela, Zenaldo tem a sua disposição o advogado Vinícius Augustus Morais de Sá, sobrinho do promotor de Justiça, Benedito Sá. Vinicius atua na Prefeitura como chefe do Departamento de Comércio e Publicidade em Vias Públicas da Secon e é considerado um defensor ferrenho do prefeito, contra os servidores concursados.

O que se viu, na verdade, foi uma grande demonstração de desespero de Zenaldo, que teme uma greve no município, pois se prepara para disputar a reeleição em outubro deste ano e, conforme revelam as pesquisas, não tem nenhuma chance de ganhar.

Para tentar reverter a derrota, Zenaldo conta com o apoio dos milhares de servidores contratados sem concurso público, entre eles terceirados e DAS, que servem de cabos eleitorais pagos com dinheiro público. Uma grave irregularidade, que será denunciada ao Ministério Público Eleitoral, pela Associação dos Concursados do Pará.

Mas a brutal ação dos assessores do prefeito não foi apenas contra os trabalhadores, que exigem melhores condições de trabalho e salários, ao menos, corrigidos pela inflação. Foi sobretudo contra a população, que clama por melhor atendimento nas unidades de saúde e assistência do município.

As entidades representantes dos servidores públicos municipais marcaram nova reunião, para a próxima segunda-feira, dia 30 de maio, às 16 horas, no auditório do Instituto de Previdência e Assistência do Município de Belém (Ipamb).

Para a Associação dos Concursados do Pará, é preciso tomar as ruas, organizando os trabalhadores e os estudantes na construção de um terceiro campo, convocando greve geral, seguindo o exemplo dos servidores da Funpapa, que já estão paralisados, contra o abandono da assistência no município de Belém e dos servidores da Sespa, Santa Casa, HOL e HCGV, que, mesmo com um sindicato claudicante, não hesitaram em enfrentar Jatene. 
Uma greve na Saúde pública chegou a ser anunciada pelos trabalhadores, mas foi sufocada pela direção do Sindsaúde. É preciso também seguir o exemplo dos estudantes, que ocupam escolas em sete estados do Brasil".
 

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Exclusivo - QUEBRA DE SIGILO TELEFÔNICO E BANCÁRIO DERRUBOU RADIALISTA E QUADRILHA DO FUNDEB


Procurador da República Alan Mansur falou com exclusividade ao Ver-o-Fato


A investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF) para desbaratar a quadrilha abrigada na empresa de fachada BR7 Editora de Ensino – responsável pela sangria de R$ 10 milhões nos cofres públicos de seis prefeituras beneficiadas com verbas do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) o - incluiu até a quebra de sigilo telefônico por ordem do juiz da 3ª Vara Federal de Belém, Rubens Rollo D'Oliveira. As conversas gravadas pela PF apontam as tratativas dos diretores presos e até do radialista Nonato Pereira, ainda foragido, sobre os métodos de ação do grupo.


Mesmo que o radialista se apresente à PF ele será preso porque a medida é preventiva e só poderá ser revogada em caso de habeas-corpus ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), ao qual é subordinada a Justiça Federal do Pará. Além das escutas telefônicas, documentos e extratos de movimentação bancária também foram importantes para tirar qualquer dúvida dos investigadores sobre os crimes praticados.


No decreto de busca e apreensão e de prisão dos envolvidos, o juiz determinou o bloqueio das contas bancárias e de bens de todos para garantir eventual ressarcimento ao erário. Nenhum dos presos ainda se dispôs a fazer delação premiada – o que contribuiria para redução da pena em caso de condenação -, mas se isso vier a ocorrer servirá para a agilização do processo, como tem ocorrido nas investigações da Lava Jato.


“Se alguém tiver interesse em fazer delação e procurar o Ministério Público ou a Polícia Federal, isso será importante. As declarações prestadas serão levadas em consideração”, explicou o procurador da República, Alan Mansur, em entrevista exclusiva ao Ver-o-Fato. Mansur disse que, a princípio, não há envolvimento de servidores municipais nas fraudes e no favorecimento à empresa BR7 para o fechamento dos contratos.


O procurador esclareceu que, no caso do fechamento de um contrato de R$ 200 milhões com o governo do Estado, por intermédio da Secretaria de Educação (Seduc) para o fornecimento de livros de inglês e três DVD pela mesma BR7, a própria Seduc - à época comandada por Helenilson Pontes, vice do governador Simão Jatene – decidiu anular o contrato baseada num parecer de seu departamento jurídico. Nesse caso, não chegou a haver danos aos cofres estaduais.


Achaque pelo rádio
A prefeitura de Augusto Correia, que também está sob investigação por envolvimento com a BR7, chegou a ser cobrada publicamente pelo radialista Nonato Pereira em seu programa na Rádio Mix, do grupo Carlos Santos. A participação dessa prefeitura na falcatrua está sendo examinada pela PF e MPF. Os veículos de luxo apreendidos durante a operação da PF e Receita Federal, na última terça-feira, segundo informou Mansur, pertencem ao empresário Alberto Pereira Júnior, proprietário da BR7, e à empresa. São dois Porsche e um Rover.


Perguntado qual a responsabilidade da rádio Mix no esquema que envolve a BR7, uma vez que Nonato Pereira se utilizava de uma emissora cuja concessão é pública para, durante seu programa, fazer achaques aos prefeitos que tinham contrato assinado com a empresa e por alguma razão não estavam liberando dinheiro, o procurador da República disse que a natureza do trabalho feito nesse caso pelo MPF e PF é “essencialmente criminal, e visa apurar apenas a participação de quem praticou o ato”.


Segundo Mansur, no caso da participação de Nonato Pereira, a investigação era inicialmente direcionada à BR7. O nome do radialista apareceu porque ele, além de fazer as cobranças no ar, ainda indicava pessoas para participar do esquema, auxiliando Alberto Pereira Junior. Em troca, o radialista recebia valores por sua participação no esquema, sem um porcentual definido. A investigação ainda está sendo aprofundada para chegar a isso.


Nonato Pereira, ainda de acordo com o procurador, não tinha nenhuma empresa em seu nome no esquema, embora recebesse as vantagens financeiras já apuradas pela investigação. “Nós vamos agora examinar todos os documentos, computadores apreendidos para chegar a uma conclusão”, adiantou. Para Mansur, essa análise, além dos depoimentos já tomados, poderá revelar fatos novos e definir a real participação de cada envolvido nas fraudes.


Pagou adiantado
Dos R$ 10 milhões que foram desviados, a prefeitura de Marituba responde por mais da metade dos valores dos contratos firmados pela BR7 com as prefeituras de Inhangapi, Acará, Tomé-Açu e Vitória do Xingu. O primeiro contrato da maracutaia em Marituba foi de R$ 1,8 milhão, que a prefeitura pagou adiantado, antes da suposta prestação do serviço, que consistia na entrega de três livros de inglês e três DVDs às escolas do município. Depois do primeiro contrato, um segundo contrato foi assinado, dobrando o valor para R$ 3,6 milhões.


Ou seja, a fraude em Marituba alcança R$ 5,4 milhões. Mansur argumenta que a prefeitura, em suas alegações ao MPF, tentou confundir as coisas. O primeiro contrato, que ela diz não existir, é um contrassenso, porque houve desembolso do erário. No segundo contrato, de R$ 3,6 milhões, houve o empenho, embora paire dúvida se ocorreu a liberação do dinheiro. A prefeitura nega a existência desse segundo contrato. 
Presos e levados sob vara

Estão presos preventivamente - sem prazo determinado para o relaxamento da prisão - o empresário Alberto Pereira de Souza Júnior e o empresário Washington Luiz Dias Lima. Ficarão presas temporariamente, pelo prazo máximo de cinco dias, a advogada Angélica Laucilena Mota Lima, o servidor público Mário Wilson Moraes Júnior e o empresário Heron Melo de Souza.

Foram conduzidos coercitivamente, para prestar depoimento na Polícia Federal, Washington Luiz Maia (contador), Ilmara Azevedo Campos (servidora da Prefeitura de Marituba), Jean Neves Gomes, John Anderson Nascimento Lima (vereador de Marituba), Raimundo Edson Santos (contador).
Também foram conduzidos os servidores Marcelo dos Santos Marreiro e Murilo Ferreira de Souza, ambos do município de Vitória do Xingu (PA), e Antônio Darlei Maciel Lopes, funcionário público de Tomé-Açu (PA).

ZÉ SARNEY CONTINUA O MESMO: SEMPRE NA CONSPIRAÇÃO PARA MANTER O PAÍS NA SUJEIRA

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José Sarney: ele está há 60 anos na política e aderiu a todos os governos. Foto Estadão

Divulgado nesta quarta-feira, 25, pela "Folha de São Paulo" o diálogo do ex-presidente da Transpetro e delator da Lava Jato Sérgio Machado com o ex-presidente José Sarney bota ainda mais gasolina na crise ao revelar o medo dos políticos com o avanço  da Lava Jato e das revelações que a maior empreiteira do País, a Odebrecht, deve fazer em sua delação premiada que vem sendo negociada com a força-tarefa da Lava Jato. “Odebrecht vem com uma metralhadora de ponto 100″, afirmou o cacique peemedebista.

Sarney, que foi gravado por Machado nas conversas que os dois tiveram para discutir a crise política e a operação que avança sobre os principais políticos brasileiros, também manifesta sua preocupação com a possibilidade das investigações envolvendo Machado serem enviadas para o juiz Sérgio Moro, na Justiça Federal em Curitiba, e indica que tentaria ajudá-lo a encontrar uma solução.

Veja a íntegra da transcrição dos diálogos abaixo:
 
PRIMEIRA CONVERSA

Sarney – Olha, o homem está no Exterior. Então, a família dele ficou de me dizer quando é que ele voltava. E não falei ontem porque não me falou de novo. Não voltou. Tá com dona Magda. E eu falei com o secretário.
Machado – Eu vou tentar falar, que o meu irmão é muito amigo da Magda, para saber se ele sabe quando é que ela volta. Se ele me dá uma saída.
Machado – Presidente, então tem três saídas para a presidente Dilma, a mais inteligente...
Sarney – Não tem nenhuma saída para ela.
Machado – ...ela pedir licença.
Sarney – Nenhuma saída para ela. Eles não aceitam nem parlamentarismo com ela.
Machado – Tem que ser muito rápido.
Sarney – E vai, está marchando para ser muito rápido.
Machado – Que as delações são as que vem, vem às pencas, não é?
Sarney – Odebrecht vem com uma metralhadora de ponto 100.
Machado – Olha, acabei de sair da casa do nosso amigo. Expliquei tudo a ele(Renan Calheiros), em todos os detalhes, ele acha que é urgente, tem que marcar uma conversa entre o senhor, o Romero (Jucá) e ele. E pode ser aqui... Só não pode ser na casa dele, porque entra muita gente. Onde o senhor acha melhor?
Sarney – Aqui.
Machado – É. O senhor diz a hora, que qualquer hora ele está disponível, quando puder avisar o Romero, eu venho também. Ele (Renan) ficou muito preocupado. O senhor viu o que o (blog do jornalista da GloboNews Gerson)Camarotti botou ontem?
Sarney – Não.
Machado – Alguém que vazou, provavelmente grande aliado dele, diz que na reunião com o PSDB ele teria dito que está com medo de ser preso, podia ser preso a qualquer momento.
Sarney – Ele?
Machado – Ele, Renan. E o Camarotti botou. Na semana passada, não sei se o senhor viu, numa quinta ou sexta, um jornalista aí, que tem certa repercussão na área política, colocou que o Renan tinha saído às pressas daqui com medo dessa condição, delações, e que estavam sendo montadas quatro operações da Polícia Federal, duas no Nordeste e duas aqui. E que o Teori estava de plantão... Desculpe, presidente, não foi quinta, não. Foi sábado ou domingo. E que o Teori estava de plantão com toda sua equipe lá no ministério e que isso significaria uma operação... Isso foi uma... operação que iria acontecer em dois Estados do Nordeste e dois no Sul. Presidente, ou bota um basta nisso... O Moro falando besteira, o outro falando isso. (inaudível) "Renan, tu tem trinta dias que a bola está perto de você, está quase no seu colo". Vamos fazer uma estratégia de aproveitar porque acabou. A gente pode tentar, como o Brasil sempre conseguiu, uma solução não sangrenta. Mas se passar do tempo ela vai ser sangrenta. Porque o Lula, por mais fraco que esteja, ele ainda tem... E um longo processo de impeachment é uma loucura. E ela perdeu toda... (...) Como é que a presidente, numa crise desse tamanho, a presidente está sem um ministro da Justiça? E não tem um plano B, uma alternativa. Esse governo acabou, acabou, acabou. Agora, se a gente não agir... Outra coisa que é importante para a gente, e eu tenho a informação, é que para o PSDB a água bateu aqui também. Eles sabem que são a próxima bola da vez.
Sarney – Eles sabem que eles não vão se safar.
Machado – E não tinham essa consciência. Eles achavam que iam botar tudo mundo de bandeja... Então é o momento dela para se tentar conseguir uma solução a la Brasil, como a gente sempre conseguiu, das crises. E o senhor é um mestre pra isso. Desses aí o senhor é o que tem a melhor cabeça. Tem que construir uma solução. Michel tem que ir para um governo grande, de salvação nacional, de integração e etc etc etc.
Sarney – Nem Michel eles queriam, eles querem, a oposição. Aceitam o parlamentarismo. Nem Michel eles queriam. Depois de uma conversa do Renan muito longa com eles, eles admitiram, diante de certas condições.
Machado – Não tem outa alternativa. Eles vão ser os próximos. Presidente, não há quem resista a Odebrecht.
Sarney – Mas para ver como é que o pessoal..
Machado – Tá todo mundo se c******, presidente. Todo mundo se c******. Então ou a gente age rápido. O erro da presidente foi deixar essa coisa andar. Essa coisa andou muito. Aí vai toda a classe política para o saco. Não pode ter eleição agora.
Sarney – Mas não se movimente nada, de fazer, nada, para não se lembrarem...
Machado – É, eu preciso ter uma garantia.
Sarney – (...) O tempo é a seu favor. Aquele negócio que você disse ontem é muito procedente. Não deixar você voltar para lá (Curitiba).
Machado – Só isso que eu quero, não quero outra coisa.
Sarney – Agora, não fala isso.
Machado – Vou dizer pro senhor uma coisa. Esse cara, esse Janot que é mau caráter, ele disse, está tentando seduzir meus advogados, de eu falar. Ou se não falar, vai botar para baixo. Essa é a ameaça, presidente. Então tem que encontrar uma... Esse cara é muito mau caráter. E a crise, o tempo é a nosso favor.
Sarney – O tempo é a nosso favor.
Machado – Por causa da crise, se a gente souber administrar. Nosso amigo, soube ontem, teve reunião com 50 pessoas, não é assim que vai resolver crise política. Hoje, presidente, se estivéssemos só nos três com ele, dizia as coisas a ele. Porque não é se reunindo 50 pessoas, chamar ministros.. Porque a saída que tem, presidente, é essa que o senhor falou é isso, só tem essa, parlamentarismo. Assegurando a ela e o Lula que não vão ser... Ninguém vai fazer caça a nada. Fazer um grande acordo com o Supremo, etc, e fazer, a bala de Caxias, para o país não explodir. E todo mundo fazer acordo porque está todo mundo se fodendo, não sobra ninguém. Agora, isso tem que ser feito rápido. Porque senão esse pessoal toma o poder... Essa c***** do Ministério Público de São Paulo nos ajudou muito.
Sarney – Muito.
Machado – Muito, muito, muito. Porque bota mais gente, que começa a entender... O (colunista do jornal Folha de S.Paulo] Janio de Freitas já está na oposição, radicalmente, já está falando até em Operação Bandeirante. A coisa começou... O Moro começou a levar umas porradas, não sei o quê. A gente tem que aproveitar ess... Aquele negócio do crime do político (de inação): nós temos 30 dias, presidente, para nós administrarmos. Depois de 30 dias, alguém vai administrar, mas não será mais nós. O nosso amigo tem 30 dias. Ele tem sorte. Com o medo do PSDB, acabou com ele no colo dele, uma chance de poder ser ator desse processo. E o senhor, presidente, o senhor tem que entrar com a inteligência que não tem. E experiência que não tem. Como é que você faz reunião com o Lula com 50 pessoas, como é que vai querer resolver crise, que vaza tudo?
Sarney – Eu ontem disse a um deles que veio aqui: "Eu disse: Olhe, esqueçam qualquer solução convencional. Esqueçam!'".
Machado – Não existe, presidente.
Sarney – "Esqueçam, esqueçam!"
Machado – Eu soube que o senhor teve uma conversa com o Michel.
Sarney – Eu tive. Ele está consciente disso. Pelo menos não é ele que...
Machado – Temos que fazer um governo, presidente, de união nacional.
Sarney – Sim, tudo isso está na cabeça dele, tudo isso ele já sabe, tudo isso ele já sabe. Agora, nós temos é que fazer o nosso negócio e ver como é que está o teu advogado, até onde eles falando com ele em delação premiada.
Machado – Não estão falando.
Sarney – Até falando isso para saber até onde ele vai, onde é mentira e onde é valorização dele.
Machado – Não é valoriz... Essa história é verdadeira, e não é o advogado querendo, e não é diretamente. É (a PGR) dizendo como uma oportunidade, porque "como não encontrou nada...". É nessa.
Sarney – Sim, mas nós temos é que conseguir isso. Sem meter advogado no meio.
Machado – Não, advogado não pode participar disso, eu nem quero conversa com advogado. Eu não quero advogado nesse momento, não quero advogado nessa conversa.
Sarney – Sem meter advogado, sem meter advogado, sem meter advogado.
Machado – De jeito nenhum. Advogado é perigoso.
Sarney – É, ele quer ganhar...
Machado – Ele quer ganhar e é perigoso. Presidente, não são confiáveis, presidente, você tá doido? Eu acho que o senhor podia convidar, marcar a hora que o senhor quer, e o senhor convidava o Renan e Romero e me diz a hora que eu venho. Qual a hora que o senhor acha melhor para o senhor?
Sarney – Eu vou falar, já liguei para o Renan, ele estava deitado.
Machado – Não, ele estava acordado, acabei de sair de lá agora.
Sarney – Ele ligou para mim de lá, depois que tinha acordado, e disse que ele vinha aqui. Disse que vinha aqui.
Machado – Ele disse para o senhor marcar a hora que quiser. Então como faz, o senhor combina e me avisa?
Sarney – Eu combino e aviso.
(...)
Machado – O Moreira (Franco) está achando o quê?
Sarney – O Moreira também tá achando que está tudo perdido, agora, não tem gente com densidade para... (inaudível)
Machado – Presidente, só tem o senhor, presidente. Que já viveu muito. Que tem inteligência. Não pode ser mais oba-oba, não pode ser mais conversa de bar. Tem que ser conversa de Estado-Maior. Estado-Maior analisando. E não pode ser um (...) que não resolve. Você tem que criar o núcleo duro, resolver no núcleo duro e depois ir espalhando e ter a solução... Agora, foi nos dada a chave, que é o medo da oposição.
Sarney – É, nós estamos... Duas coisas estão correndo paralelo. Uma é essa que nos interessa. E outra é essa outra que nós não temos a chave de dirigir. Essa outra é muito maior. Então eu quero ver se eu... Se essa chave... A gente tendo...
Machado – Eu vou tentar saber, falar com meu irmão se ele sabe quando é que ela volta.
Sarney – E veja com o advogado a situação. A situação onde é que eles estão mexendo para baixar o processo.
Machado – Baixar o processo, são duas coisas (suspeitas): como essas duas coisas, Ricardo, que não tem nada a ver com Renan, e os 500, que não tem nada a ver com o Renan, eles querem me apartar do Renan...
Sarney – Eles quem?
Machado – O Janot e a sua turma. E aí me botar pro Moro, que tem pouco sentido ficar aqui. Com outro objetivo.
Sarney – Aí é mais difícil, porque se eles não encontraram nada, nem no Renan nem no negócio, não há motivo para lhe mandar para o Paraná.
Machado – Ele acha que essas duas coisas são motivo para me investigar no Paraná. Esse é o argumento. Na verdade o que eles querem é outra coisa, o pretexto é esse. Você pede ao (inaudível) para me ligar então?
Sarney – Peço. Na hora que o Renan marcar, eu peço... Vai ser de noite.
Machado – Tá. E o Romero também está aguardando, se o senhor achar conveniente.
Sarney – (sussurrando) Não acho conveniente.
Machado – Não? O senhor que dá o tom.
Sarney – Não acho conveniente. A gente não põe muita gente.
Machado – O senhor é o meu guia.
Sarney – O Amaral Peixoto dizia isso: "Duas pessoas já é reunião. Três é comício".
Machado - (rindo)
Sarney - Então três pessoas já é comício.
(...)
SEGUNDA CONVERSA
Sarney – Agora é coisa séria, acho que o negócio é sério.
Machado – Presidente, o cara (Sérgio Moro) agora seguiu aquela estratégia, de "deslegitimizar" as coisas, agora não tem ninguém mais legítimo para falar mais nada. Pegou Renan, pegou o Eduardo, desmoralizou o Lula. Agora a Dilma. E o Supremo fez essa suprema... rasgou a Constituição.
Sarney – Foi. Fez aquele negócio com o Delcídio. E pior foi o Senado se acovardar de uma maneira... (autorizou prisão do então senador).
Machado – O Senado não podia ter aceito aquilo, não.
Sarney – Não podia, a partir dali ele acabou. Aquilo é uma página negra do Senado.
Machado – Porque não foi flagrante delito. Você tem que obedecer a lei.
Sarney – Não tinha nem inquérito!
Machado – Não tem nada. Ali foi um fígado dos ministros. Lascaram com o André Esteves.. Agora pergunta, quem é que vai reagir?
(...)
Machado – O Senado deixar o Delcídio preso por um artista.
Sarney – Uma cilada.
Machado – Cilada.
Sarney – Que botaram eles. Uma coisa que o Senado se desmoralizou. E agora o Teori acabou de desmoralizar o Senado porque mostrou que tem mais coragem que o Senado, manda soltar.
Machado – Presidente, ficou muito mal. A classe política está acabada. É um salve-se quem puder. Nessa coisa de navio que todo mundo quer fugir, morre todo mundo.
(...)
Sarney – Eu soube que o Lula disse, outro dia, ele tem chorado muito. [...] Ele está com os olhos inchados.
(...)
Sarney – Nesse caso, ao que eu sei, o único em que ela está envolvida diretamente é que ela falou com o pessoal da Odebrecht para dar para campanha do... E responsabilizar aquele (inaudível)
Machado – Isso é muito estranho (problemas de governo). Presidente, você pegar um marqueteiro, dos três do Brasil. (...) Deixa aquele Ministério da Justiça que é banana, só diz besteira. Nunca vi um governo tão fraco, tão frágil e tão omisso. Tem que alguém dizer assim: "A presidente é bunda mole". Não tem um fato positivo.
(...)
Sarney – E o Renan cometeu uma ingenuidade. No dia que ele chegou, quem deu isso pela primeira vez foi a (jornalista da Rede Globo) Délis Ortiz. Eu cheguei lá era umas 4 horas, era um sábado, ele disse: "Já entreguei todos os documentos para a Delis Ortiz, provando que eu... que foi dinheiro meu". Eu disse: "Renan, para jornalista você não dá documento nunca. Você fazer um negócio desse. O que isso vai te trazer de dor de cabeça". Não deu outra.
Machado – Renan erra muito no varejo. Ele é bom. (...) Presidente, não pode ser assim, varejista desse jeito.
(...)
Sarney – Tudo isso é o governo, meu Deus. Esse negócio da Petrobras só os empresários que vão pagar, os políticos? E o governo que fez isso tudo, hein?
Machado – Acabou o Lula, presidente.
Sarney – O Lula acabou, o Lula coitado deve estar numa depressão.
Machado – Não houve nenhuma solidariedade da parte dela.
Sarney – Nenhuma, nenhuma. E com esse Moro perseguindo por besteira.
Machado – Tomou conta do Brasil. O Supremo fez a pedido dele.