domingo, 3 de abril de 2016

SEIS MESES DE SOFRIMENTO: NAVIO CONTINUA NO FUNDO, POLUIÇÃO AFASTA BANHISTAS E POVO RECEBE ALIMENTO VENCIDO

Jornalista, professor da Universidade Federal do Pará, Manuel Dutra, com quem o editor do Ver-o-Fato teve a honra de trabalhar em "O Liberal", na matéria abaixo, feita por seus alunos do curso de jornalismo, cobra uma solução para o caso do navio Haidar, cujo naufrágio em Vila do Conde completa seis meses na próxima quarta-feira. 

Nem a Justiça Federal, tão ágil em decisões de relevante interesse público, até o momento conseguiu fazer com que uma decisão de sua alçada fosse respeitada pelos donos do navio, dos bois que afundaram e dos órgãos públicos que apenas contemplam o triste espetáculo que se vê em Barcarena. 

Como sempre, quem paga o pato é a população, que perdeu sua fonte de renda e teme frequentar as praias, temendo contrair doenças graves, enquanto o navio não for içado. Leia, abaixo, a matéria dos alunos de Manuel Dutra. Ela resume tudo aquilo que o Ver-o-Fato tem publicado a respeito do assunto:  


"Faltando 3 dias para completar 6 meses, o desastre com o navio libanês Haidar, em Barcarena, Pará, continua sem solução. A embarcação continua emborcada no pier de carregamento do porto de Vila do Conde. A informação inicial era de que 5 mil bois estavam nos porões do navio, quando ele começou a virar até emborcar.
 
 
 
Reportagem: Everton Santos, Leonardo Rodrigues (alunos da Facom/UFPA) e Manuel Dutra (Fotos)
 
Carcaças podres não estão mais nas areias de Vila do Conde, mas
a população suspeita da poluição e os banhistas sumiram
(Foto: M.Dutra)
 
Porém, um morador de Vila do Conde, que já trabalhou no embarque de bois, disse a este blog ontem de manhã que o mais sensato é falar de 4 mil animais que, mal acomodados, terminaram causando peso desproporcional nos porões do Haidar, que virou e está lá até hoje.
 
Logo após o naufrágio, centenas de animais apodreciam
 nas areias de Barcarena (Foto: O Globo) 
 
Cerca de 300 animais conseguiram sair do navio na hora do desastre, muitos deles morrendo afogados nas praias de Barcarena. Mas um grande número de bois ficou dentro dos porões, onde suas carcaças ainda permanecem. Não há estudos sobre a contaminação das águas nem na direção do município de Abaetetuba nem na direção de Belém, via Baía de Guajará.
 
Morador mostra o que seriam restos de animais podres na areia da praia
(Foto: MD)
 
As praias de Barcarena continuam sem uso, a despeito de serem muito atraentes. Antes desse desastre, que espalhou centenas de carcaças de bois pelas areias da vila, o local era muito frequentado por banhistas, especialmente nos fins de semana. Em vista disso, muitos donos de barracas que vendem comida e bebida, estão passando dificuldades, justamente pela falta de frequentadores temerosos da contaminação das águas da região.
 
Dona de barraca explica ao repórter Everton Santos as dificuldades dos
moradores após a tragédia. Fregueses sumiram de sua barraca (Foto: MD)

 
O que se percebe entre os moradores de Vila do Conde é a desinformação. Pouco ou nada sabem sobre os trabalhos de resgate das carcaças ainda restantes nos porões do Haidar. Nem tampouco são informados do andamento dos trabalhos de verificação sobre a poluição resultante do naufrágio. Seis meses depois do desastre, muito ainda falta fazer. Da parte das autoridades responsáveis, falta informar a população sobre a limpeza da região e sobre o andamento dos processos judiciais de responsabilização dos autores do desastre que está causando, já por meio ano, tantos danos a dezenas de famílias de Barcarena e de cidades vizinhas, visto que as praias foram abandonadas e, com isso, abandonado o pequeno comércio que mantém muitas famílias".
 
Com o ambiente natural poluído, moradores recebem ajuda da prefeitura.
Esta embalagem de massa de bolo foi entregue aos moradores às vésperas
de vencer o prazo de validade, 21/03/16 (Foto: MD)

2 comentários:

  1. Excelente matéria Carlos. Sim 6 meses de vergonha com esse abandono total com os moradores da região. População carente e que já sofre tanto e agora com mais esse desastre em seus rios e praias. Abandono com o meio ambiente sem análises e acompanhamento da contaminação. Um estado omisso e irresponsável.

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  2. Agora gostaria de saber onde está aquela "urubuzada" que apareceu só para tirar foto entregando saquinhos de alimentos para a população?

    Cadê o governador que não dá nem um pio sobre o assunto?

    Cadê o ministro dos porcos, opa, dos portos?

    Chegará um dia em que a população irá questionar para que serve um político e se libertará desses sanguessugas!

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