terça-feira, 26 de abril de 2016

NO PARÁ, OS CAMPEÕES DE MULTAS POR DESMATAMENTO RIEM. E NÃO PAGAM

Os municípios de Altamira, Novo Progresso e Porto de Moz concentram não apenas os maiores crimes ambientais contra florestas nativas, derrubadas de forma ilegal, mas também as multas mais elevadas aplicadas no Estado. No ano passado, segundo relatório do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), divulgado, foram R$ 116,3 milhões contra os sete maiores desmatadores. 

O campeão individual de multas foi o madeireiro Pedro Cordeiro, de Novo Progersso, com R$ 30,7 milhões pela destruição de 3 mil hectares de floresta nativa no interior da Floresta Nacional do Jamanxim. Detalhe: ele não tinha licença para fazer o que fez. O pior é que Pedro Cordeiro também foi o vice-campeão e terceiro colocado nesse triste ranking de predadores ambientais.

Ele pegou mais R$ 30 milhões de multas por destruir mais 3 mil hectares no interior de sua fazenda Búfalo Branco, também dentro da Flona do Jamanxim, hoje uma das áreas mais cobiçadas da Amazônia. Lá só existe madeira nobre, de alta cotação no mercado internacional. 

A empresa Linhas de Xingu Transmissora de Energia S/A ficou em quarto lugar, levando multa de R$ 15 milhões. Ela instalou canais de acesso às torres da linha de transmissão Tucuruí-Xingu-Jurupari, considerados efetiva ou potencialmente poluidores, por meio de dragagem de áreas de várzea, dentro da reserva extrativista Verde Para Sempre, no município de Porto de Moz, sem ordem do Ibama. 

Com R$ 13, 9 milhões de multa, o quinto colocado foi o madeireiro Giovany Marcelino Pascoal, autuado em fevereiro do ano passado pelo Ibama pela destruição de 1,3 mil hectares de floresta nativa dentro da flona de Altamira, na Fazenda Três Irmãs. Como nos outros casos, à margem de qualquer autorização ambiental.

Acusado de destruir 887 hectares, sem licença do Ibama, na área de preservação ambiental Triunfo do Xingu, em Altamira, o madeireiro José Alves de Oliveira foi multado em R$ 13,3 milhões, em outubro passado. 

A mesma área de preservação ambiental Triunfo do Xingu, em Altamira, voltou a ser atacada por desmatador, perdendo 887 hectares de floresta nativa. Em razão disso, a multa de R$ 13, 3 milhões foi aplicada contra o madeireiro Temístocles Nunes da Silva Sobrinho. Ele foi o sétimo e último colocado entre os maiores devastadores do Pará. 

O problema, como se vê, não é apenas multar quem derruba florestas de maneira ilegal, mas fazer com que, pelo sentido pedagógico da facada no bolso com o valor da multa, o acusado de crime ambiental deixe de agir de maneira dolosa. 

Em vez de pagar as multas, os madeireiros riem, recorrem sempre e dizem que não pagam. Afirmam que os valores cobrados seriam “irreais”. E mesmo as multas “reais”, também não são pagas.

É assim, de realidade e irrealidade, que nossas florestas são derrubadas. 

Sabe-se lá até quando.

___________________BASTIDORES___________________

* A decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) pela suspensão de todas as ações relacionadas ao programa de reforma agrária causou profundo mal estar nas regiões sul e sudeste do Estado. Pelo menos 15 mil famílias, que aguardavam decisão do Incra para serem assentadas, terão de esperar a boa vontade do TCU e do governo.

* O Incra já está com recurso para tentar derrubar a medida tomada pelo TCU, mas ainda não o apresentou porque procuradores do órgão ainda buscam fundamentações para rebater as fraudes, que incluíam de dezenas de milhares de mortos entre assentados, até crianças e políticos como clientes da reforma agrária.

* Os custos para a retirada do navio Haidar do fundo do rio Pará, em Barcarena, devem passar de R$ 60 milhões. Isto sem falar nos valores a serem pagos a título de indenização a ribeirinhos e famílias que viviam do turismo nas praias da região. Só aí, segundo estimativas, são pelo menos mais R$ 200 milhões.

* Amizades estão sendo destruídas, nas redes sociais, pelo clima de beligerância entre defensores a favor e contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Entre agressões verbais, morais e até ameaças de morte, espera-se que muitos escapem sãos e salvos.

Um comentário:

  1. Riem, não pagam e soltam. A presidente disse que pretende acabar com o desmatamento. Acho que ela vai esperar até a última árvore ser derrubada. Vergonha!

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