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Linha de Tiro - 12/04/2018

quinta-feira, 28 de abril de 2016

CDP ANUNCIA QUE JÁ RETIROU 2 MIL CARCAÇAS DE BOIS DO NAVIO HAIDAR. SEMAS DIZ QUE NÃO DEU AUTORIZAÇÃO

Parsifal Pontes, presidente da CDP: "nós já retiramos mais de 60% das carcaças do navio".
Luiz Fernandes, secretaŕio da Semas: "a CDP não tem autorização para fazer isso"

Alguma coisa está fora da ordem no porto de Vila do Conde - administrado pela Companhia Docas do Pará (CDP), em Barcarena -, onde no dia 6 de outubro do ano passado o navio de bandeira libanesa Haidar afundou com 5 mil bois vivos quando se preparava para zarpar rumo à Venezuela. Já faz mais de seis meses que a embarcação está no fundo do rio Pará, depois de causar estragos ambientais e na vida de pelo menos 10 mil pessoas em Barcarena. 

Também há ações criminais e civeis na Justiça Federal e Estadual cobrando reparações e estabelecendo prazo para que o navio seja retirado do fundo com as carcaças de bois, chorume e óleo que ainda estão dentro da embarcação. A empresa americana Ardent, vencedora da licitação para reflutuar o navio, aguarda a assinatura do contrato com o dono do Haidar e a seguradora para que o trabalho seja iniciado. 

No meio de tantas incertezas, eis que surge um fato novo. E que já está causando mal estar entre algumas autoridades. Em conversa com o Ver-o-Fato, semana passada, o presidente da CDP, Parsifal Pontes, fez uma revelação: ele já mandou retirar mais de 60% das carcaças de bois que estavam dentro do navio e as enterrou em um terreno da CDP especialmente preparado para esta finalidade. 

Pontes informou que quatro empresas estão fazendo o trabalho: uma de mergulhadores, outra de guindastes, a terceira é de balsas, e a última de barreiras de contenção. O blog quis saber se as carcaças haviam sido retiradas sem avaliação e monitoramento ambiental e aonde haviam sido enterradas ou ainda se teriam sido incineradas. 

O presidente da CDP respondeu que há um licenciamento da Semas para enterrá-las em uma área preparada dentro do porto "seguindo ordenação da Semas e Ibama com impermeabilização adequada". Segundo ele, a remoção das carcaças segue determinação judicial da justiça de Barcarena, que fiscaliza a operação juntamente com a promotoria pública. Quanto à incineração das carcaças, Pontes disse que isso não poderá ser feito no Pará, pois não haveria forno para esse volume.

O Ver-o-Fato procurou a Semas para obter mais informações sobre a retirada das carcaças feitas pela CDP e a destinação delas no terreno do porto, mas o secretário Luiz Fernandes, de forma surpreendente, declarou desconhecer que a CDP esteja fazendo isso, até porque, afirma ele, "não existe nenhuma autorização da Semas". 

Fernandes disse que o licenciamento concedido à CDP foi "emergencial", para que fosse resolvido o problema dos bois que morreram afogados e foram levados para as praias da região e não para que a CDP hoje faça a retirada das carcaças do navio. "A CDP não tem nenhuma autorização nossa para o que ela está fazendo", resumiu. A área dentro da CDP, para que os bois mortos, de acordo com o licenciamento, fossem enterrados, deveria estar revestida de uma proteção (manta). 

O secretário informou ainda que a Semas vai averiguar que tipo de trabalho está sendo feito pela CDP com as carcaças que estão dentro do navio e reiterou que a Semas não emitiu qualquer autorização. "A CDP não pode fazer isso", enfatizou. Fernandes revelou que as multas contra a CDP pela demora em retirar o navio do fundo já passam de R$ 500 milhões. E mais: as carcaças só podem ser retiradas depois que a empresa responsável fizer o içamento do navio. 

Esse é mais um capítulo da novela que se arrasta em Barcarena há quase 200 dias. Os próximos episódios prometem muitas emoções.

E contradições. 

2 comentários:

  1. Caro Mendes,
    Soube pelo Mascarenhas que estivestes por aqui. Seguinte: esse negócio da Semas com a CDP, com todo respeito, me lembra um adágio dos velhos tempos, dizendo que, instalado o desmando, a falta de entrosamento, a coisa fica parecida com um cabaré de moças velhas, comandadas por cafetão ciumento.

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  2. Mas não é esse Parsifal Pontes que é o bonzão, que resolve tudo a passos de mágica, que aponta o dedo para o defeito de todo mundo, o arauto da moralidade e da competência...Falar é fácil fazer é que são elas ...

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