VER-O-FATO: LISTAS DA ODEBRECHT, ERROS E INFERNO. ATÉ TUCANOS DO PARÁ RECEBERAM DOAÇÕES

domingo, 27 de março de 2016

LISTAS DA ODEBRECHT, ERROS E INFERNO. ATÉ TUCANOS DO PARÁ RECEBERAM DOAÇÕES


Quando  foi divulgada a tal lista da Odebrecht, contendo mais de 300 nomes de políticos que supostamente teriam recebido doações ilegais, não estava claro que essas doações eram mesmo ilegais. Na dúvida, o blog Ver-o-Fato manteve a cautela de aguardar o que viria em seguida. E só publicaria o listão se não pairasse nenhuma dúvida. 

O esclarecimento veio. Sabem de quem? Da maior autoridade judicial da Operação Lava Jato: o juiz Sérgio Moro. E o que ele afirma deveria servir aos apressadinhos, que saem por aí assassinando reputações, condenando antes de julgar, apenas para usufruir do sensacionalismo barato. 

O blog grifou as declarações de Moro, sobre as apreensões de planilhas feitas na residência do executivo Benedicto Barbosa Júnior,  para que nossos leitores tirem suas próprias conclusões, sem pré-julgamentos sobre quem quer que seja: 

"É certo que, quanto a essas planilhas apreendidas na residência do executivo, é­ prematura qualquer conclusão quanto à n­atureza deles, se ilícitos ou não, já qu­e não se trata de apreensão no Setor de ­Operações Estruturadas da Odebrecht, atr­avés do qual eram realizados os pagament­os sub-reptícios (de propina, por exemplo­, aos agentes da Petrobras), e o referid­o Grupo Odebrecht realizou, notoriamente­, diversas doações eleitorais registrada­s nos últimos anos. Assim, os pagamentos retratados nas pla­nilhas da residência do executivo Benedi­cto Barbosa podem retratar doações eleit­orais lícitas ou mesmo pagamentos que nã­o tenham se efetivado".

 

Ora, Sergio Moro, com essa declaração - apesar de sua conduta correta em todo o desenrolar das 26 fases da Lava Jato -, venhamos e convenhamos, pisou na bola. Como não foi ele quem vazou o listão para a imprensa, mas fonte da Polícia Federal, houve, então, um desacerto entre o juiz e os policiais federais. Nada que comprometa o cerrado combate à corrupção nas prisões e apreensões de documentos até agora realizadas. 

Uma pergunta, nessa falha de Moro e da PF em divulgar o que não se tinha certeza: por que não se aprofundou uma investigação mais rigorosa e detalhada para que se tirasse as dúvidas agora levantadas pelo juiz? Feito isso, separando o joio do trigo, seria mais fácil identificar quem pegou dinheiro para sua campanha eleitoral com recibo de doação carimbado pela Justiça Eleitoral, quem recebeu dinheiro fora de campanha, ou seja, por "debaixo dos panos", e quem simplesmente nada recebeu, apenas teve o nome anotado para futuro pagamento.

As planilhas de Benedicto Barbosa Junior não dizem se o dinheiro foi efetivamente liberado pela Odebrecht. Caso essa providência da PF tivesse sido tomada, ficaria fácil pegar quem recebeu dinheiro ilícito, não é mesmo? A divulgação jogou a todos no inferno da desconfiança. Quem já estava no inferno e teve o nome citado em outras investigações, como recebedor de propina, está queimando no fogaréu. 

Quem, contudo, teve o nome citado apenas nessas planilhas, inclusive com apelidos, mas nada recebeu, é obrigado a se explicar a toda hora. O que, a esta altura do campeonato, pouco importa, pois seu nome já foi carimbado como propineiro. Está sendo condenado antecipadamente pela opinião pública. O Supremo Tribunal Federal (STF), se passar as planilhas a limpo, determinando novas diligências, terá a chance de restabelecer a verdade. Ou confirmá-la, sem contestações.

TUCANOS DO PARÁ NA LISTA DA ODEBRECHT

A Odebrecht, na verdade, sempre foi a mãezona das doações para políticos, em todos os estados onde ela mantém obras ou disputa licitações. E isso não é de agora. No caso do Pará, respeitáveis políticos do PSDB e seus aliados da hora, que há 20 anos desfrutam do poder - com o interregno do desastrado governo de Ana Júlia Carepa (PT), entre 2007 e 2010 -  se tornaram clientes da principal empresa envolvida na Lava Jato. 

O próprio governador Simão Jatene é um dos beneficiados. Eles podem dizer, seguramente, que o dinheiro que receberam não é originário de relações promíscuas com o empresariado? Ou isso é prerrogativa de outros partidos? Vale, também para os tucanos - e as máscaras, para alguns deles, também começam a cair -, mesmo que se coloquem na condição de arautos da moralidade.

Veja os tucanos - a exceção é o deputado federal Eder Mauro (PSD) - paraenses que receberam dinheiro da Odebrecht, na campanha de 2014. Os nomes - Júlia Marinho, mulher do vice-governador Zequinha Marinho, Joaquim Passarinho e Nilson Pinto - não estão na planilha de Benedicto Barbosa Junior, apreendida semana passada. Mas no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Lá também aparecem o ex-senador Mário Couto, Celso Sabino, deputado estadual, e outros menos votados.

Prova de que, do inferno, mesmo cheio de boas intenções e ingenuidade, os políticos do PSDB, com raras exceções, não escapam.







7 comentários:

  1. As ilações do jornalista procedem e em sua análise revelam que os tucanos liderados pelo governador Jatene não são os santinhos que se apresentam aos eleitores. Estão muito mais para falsos moralistas, sepulturas caiadas de branco que escondem odor fétido.

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  2. O nome do deputado Nilson Pinto nessa lista do TSE não me causa estranheza. Esse senhor já foi do PT e bandeou-se para a gamela dos tucanos tornado-se um dos novos ricos do Pará a ponto de promover festas milionárias como aquela que fechou o Hangar para 2 mil convidados. De onde veio tanto dinheiro? Agora sabemos.

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  3. Doações dentro da lei é uma coisa ao passo que doações de propina é outra, façõ esta observação porque o jornalista misturou as coisas tentando acusar o PSDB do Estado e esquece do PT e PMDB partidos de corruptos. O governador Simão Jatene é honesto e não precisa de dinheiro da Odebrecht. O blog quer confundir e misturar partidos como se todos fossem iguais. O PSDB é diferente e foi o partido do Plano Real, da Bolsa Escola e da estabilidade econômica que o PT destruiu. Preciso desenhar isso para o blog?

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  4. O anônimo das 17:14 é que faz confusão e se enrola todo, inclusive distorce o que foi escrito na postagem. O blog não chamou Jatene de desonesto. Você diz que ele não precisou do dinheiro da empresa para sua campanha. Então, se não precisou, por que pediu, ou por que aceitou a doação? O que o blog diz é que o PSDB não é nada diferente dos outros enolvidos na Lava Jato. Os fatos que estão vindo à tona demonstram isso. É um desenho lógico, que dispensa o desenho do anônimo.

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  5. Não há santos neste céu de políticos deslavados, mas vamos com calma. Uma coisa é divulgar outra coisa é que essas doações são ilegais ou provenham de fontes corruptas... Vamos às investigações. Não estou querendo tapar o sol com a peneira, mas é preciso comprovação.
    Diferentemente do mensalão e ptrolão, cujos operadores e estrategistas estão no xilindró.

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  6. "O juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, ficará lado a lado ao ex-procurador italiano Piercamillo Davigo – que atuou na Operação Mãos Limpas – em um simpósio realizado nesta terça-feira (29), em São Paulo. Os dois juristas vão discutir o combate à corrupção e ao crime organizado, além de comparar as duas operações.

    A Operação Mãos Limpas inspirou o juiz Moro na condução dos processos que investigam os crimes de corrupção na Petrobras. Em 2004, o magistrado escreveu um artigo sobre essa operação da Itália e afirma que a operação foi “uma das mais exitosas cruzadas judiciárias contra a corrupção política e administrativa”.

    A Mãos Limpas teve início nos anos 90 e investigou pagamentos de propinas cobradas por uma instituição filantrópica da Itália. As irregularidades aconteceram por décadas e geraram um prejuízo de dezenas de bilhões de dólares. Em dois anos, quase 3 mil mandados de prisão foram expedidos, mais de seis mil pessoas foram investigadas – entre elas 872 empresários e 438 parlamentares.

    Tanto a operação Mãos Limpas quanto a Lava Jato são marcadas pelo uso das delações premiadas e prisões preventivas. Além disso, ambas são criticadas pelo uso da imprensa e são acusadas de promoverem “vazamentos seletivos”, apesar de possuírem apoio de parte da opinião pública. A operação italiana também recebeu duras críticas por devastar importantes partidos do país europeu, como o Partido Socilita, o Partido Democrata e o Partido Liberal, enquanto deixou “livre” das investigações o Partido Nacional Fascista e o Partido da República.

    Além de Moro e de Piercamillo Davigo, o procurador da república Roberto Galvão de Carvalho e o promotor de justiça paranaense Régnier Guimarães também participam do evento que acontece no auditório da Procuradoria Regional da República da 3ª Região, em São Paulo, a partir das 14hs desta terça-feira."(paranaportal 28/03/16)

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  7. Luciano Nascimento – Repórter da Agência Brasil

    O Salão Verde da Câmara dos Deputados foi palco, na tarde desta segunda-feira (28), de manifestações contrárias e favoráveis ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff, com troca de palavras de ordem envolvendo as duas partes. A mobilização foi motivada pelo pedido de impeachment elaborado pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que foi protocolado nesta segunda-feira na Câmara pelo presidente da entidade, Cláudio Lamachia.

    Advogados e manifestantes contrários ao pedido entoavam palavras de ordem, como “Não vai ter golpe”. Os favoráveis ao afastamento de Dilma respondiam com “Fora, PT”. Houve tumulto e empurrra-empurra dos dois lados.

    O pedido de afastamento da presidenta Dilma protocolado hoje por Lamachia não aponta um crime de responsabilidade específico, e sim o que o presidente da OAB definiu como “conjunto da obra”.

    Entre os elementos citados pela OAB no pedido constam o atraso no repasse de recursos para bancos públicos (as chamadas pedaladas fiscais), base do pedido de impeachment em trâmite na Câmara, isenções fiscais para a Fifa no âmbito da Copa do Mundo de 2014; nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro, com o suposto objetivo de lhe conferir foro privilegiado; e acusações feitas na delação do senador Delcídio Amaral (sem partido-MS).

    Lamachia protocolou o documento na secretaria da Mesa Diretora da Câmara. Após o ato, ele defendeu a postura da OAB e disse que o pedido se baseia em “critérios técnicos”. Lamachia afirmou que a Ordem dos Advogados não está defedendo o governo ou a oposição. “A Ordem não se manifesta na linha da política partidária e das paixões ideológicas.”

    Ao comentar as manifestações na Câmara, Lamachia destacou que a polarização política está levando a “um clima de ódio”, que é ruim para o país. “Precisamos de serenidade, mas, acima de tudo, precisamos de celeridade das instituições tanto nos processos judiciais quanto nos pedidos em trâmite aqui na Câmara”, acrescentou.

    O presidente da OAB evitou entregar o pedido diretamente ao presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmando que este não tem legitimidade para presidir a Câmara por ser réu em processo oriundos da Lava Jato. “Nós entendemos que o presidente da Câmara não tem legitimidade para conduzir o processo e que ele deve se afastar [da presidência]”, afirmou.

    No dia 18 deste mês, o Conselho Federal da OAB decidiu apoiar o afastamento de Dilma e optou por apresentar um novo pedido de impeachment, que foi protocolado hoje. O posicionamento da Ordem desagradou a inúmeros de seus membros e a juristas, que divulgaram um manifesto pedindo à instituição que faça uma ampla e direta consulta a seus filiados sobre a entrega do documento.

    O manifesto classifica a proposta da OAB de “erro brutal” e diz que “essa decisão, por sua gravidade e consequências, que lembra o erro cometido pela Ordem em 1964, jamais poderia haver sido tomada sem uma ampla consulta aos advogados brasileiros”.

    Em reunião no dia 7 de abril de 1964, o Conselho Federal da OAB apoiou o golpe de Estado que, em março daquele ano, instituiu a ditadura militar no Brasil, mas, posteriormente, engajou-se na defesa dos direitos humanos, combateu as prisões arbitrárias e torturas a presos políticos e lutou contra o regime, que chegou ao fim em 1985.

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