quarta-feira, 16 de março de 2016

GRAVAÇÕES LIBERADAS POR SÉRGIO MORO CAEM COMO BOMBA E DEIXAM A REPÚBLICA EM POLVOROSA

A República está de cabeça para baixo. As revelações contidas em "grampos" da Polícia Federal expõem as visceras do poder e sinalizam que o governo Dilma está num beco sem saida. Parece que deu errado a tentativa do ex-presidente Lula de buscar foro privilegiado, tornando-se ministro de Dilma. O que foi tornado público pelas gravações supera qualquer novo escândalo. Batemos no fundo do poço. O País está perplexo e indignado com tudo o que veio à tona.  

Para que você tente entender o que está acontecendo, o blog Ver-o-Fato elaborou uma espécie de cronograma das principais conversas gravadas pela Polícia Federal em que aparecem Lula, Dilma, ministros, advogados e políticos. É uma coletânea de informações dos principais veículos de comunicação do País. Leia e tire suas conclusões.

"Não tem mais trégua, não tem que ficar acreditando na luta jurídica"

Nas gravações das ligações divulgadas pelo juiz Sérgio Moro, o  ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz críticas diretas, em um diálogo com a presidente Dilma Rousseff, a instituições da República. No dia 4 de março, logo após depor sob condução coercitiva, à Polícia Federal em uma sala reservada do aeroporto de Congonhas, Lula recebeu ligação de Dilma e, após comentar a operação policial daquele dia, que classificou como “um espetáculo de pirotecnia”, disparou contra vários alvos, da imprensa ao Supremo Tribunal Federal.

Dilma e Lula discutiram a divulgação, pela ISTOÉ, da delação premiada feita pelo senador Delcídio do Amaral, ex-líder do governo no Senado, em uma edição antecipada que circulou na quinta-feira 3 de março. Para eles, haveria mais do que coincidência no fato de que, no dia seguinte, a PF deflagrou a 24ª fase da Operação Lava Jato, tendo como alvo justamente Lula e sua família.

Leia a seguir esse trecho do diálogo:

Dilma – O senhor não acha estranho aquela história de quinta-feira, a ISTOÉ antecipar... Lula – Eu acho estranho a liberação do Delcídio, a ISTOÉ antecipar. Eu acho, ô Dilma, uma coisa... Dilma – E logo no dia seguinte, na sexta-feira, o senhor ser chamado. Lula – É um espetáculo de pirotecnia sem precedentes, querida. É o seguinte: eles estão convencidos que com a imprensa chefiando, sabe, qualquer processo investigatório, eles conseguem refundar a República.

Após criticar a imprensa, se voltou contra a Justiça. “Não tem mais trégua, não tem que ficar acreditando na luta jurídica”, afirmou Lula em um dos trechos da gravação. Mais adiante, falou do STF e do STJ . “Temos uma Suprema Corte totalmente acovardada, um Superior Tribunal de Justiça totalmente acovardado”, disse a Dilma. Em seguida, atacou o Congresso e seus presidentes. “Nós temos um parlamento totalmente acovardado. Um presidente da Câmara, fudido. O presidente do Senado, fudido”, afirmou o ex-presidente, dizendo depois que há muitos parlamentares ameaçados.

 Janot é tratado com palavrão e chamado de ingrato

A liberação, pelo juiz Sérgio Moro, do sigilo de grampos autorizados no celular utilizado pelo ex-presidente Lula, revelou outro diálogo forte, além dos já divulgados até agora em que sugerem uma tentativa de obstrução de Justiça pela presidente Dilma Rousseff. Para evitar depoimentos forçados ou prisão, Lula telefonou para Sigmaringa Seixas, uma espécie de assessor jurídico do petista, e sugeriu uma conversa, informal, com Rodrigo Janot. Sigmaringa responde que isso não adiantaria, que o melhor seria uma petição formal ao procurador-geral da República.

Lula diz que “esse cara se fosse formal não seria procurador-geral da República, teria tomado no cu, teria ficado em terceiro lugar (…) Quando eles precisam não tem formalidade, quando a gente precisa é cheio de formalidade”.
Diz ainda que “ele recusou quatro do Aécio [Neves] é aceitou a primeira de bandido do Acre contra mim”. Ao fim e ao cabo, menciona que essa é a gratidão dele por ser procurador-geral.

 "O ministro da Justiça é duro pra c..."

Na noite da última segunda-feira, o ex-ministro e ex-chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, telefona para o petista para avisá-lo de uma reunião com "ela" em Brasília. Também conversam sobre a escolha do novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão. "Ele é duro para c. Conheço bem. Boa gente", diz Gilberto.
MORAES: Alô, seu ministro...
GILBERTO: Moraes, é o Gilberto, é o Gilberto, tudo bom?

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MORAES: Sim senhor, eu vou passar para o presidente já tá? Só um minuto.
LULA: Alô.
GILBERTO: Que dia cara, que dia de loucura. Escuta, eu fui encarregado aqui de passar um recado pra você e ela está esperando você.
LULA: Hum
GILBERTO: Não quer ligar por receio de... Problemas...
LULA: Não, já falei agora, já falei (ininteligível) ... E eu vou amanhã para Brasília. Mas tô dizendo que eu vou na quarta-feira, não tô dizendo que eu vou amanhã.
GILBERTO: Isso, isso, faz isso.
LULA: Tá bom. E indo a Brasília eu te vejo.
GILBERTO: Tá bom, perfeito. Você viu o Aragão?
LULA: Sim, eu vi.
GILBERTO: É, boa, boa, boa gente, boa gente. Tá ótimo
LULA: Vamo (ininteligível)
GILBERTO: Tudo que o (ininteligível). Tudo que o Marinho. É.. Pulso tem. Precisa ter, Ele é duro pra caralho. Conheço bem. Boa gente.
(Fala ao Fundo: Tá ótimo.)
GILBERTO: É nos tava na oito hoje por aqui tá depois eu te falo.
LULA: Tá bom querido, tá bom. Um abraço.
GILBERTO: Boa viagem, até lá.

 Lider da CUT afirma: "todo nosso projeto foi derrotado"

Numa das escutas da PF, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fala com Vagner Freitas de Moraes, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT). O tom inflamado da conversa é um indicativo de que, mesmo com os movimentos sociais que sempre o apoiaram, o clima está tenso. “E ai, chefia, tudo bem?”, pergunta Vagner. Ao que Lula responde: “Tudo bem pra quem, cara pálida?”. Vagner se mostra irritado com os rumos que o governo está tomando. “Depois desse negócio da Petrobras, nós vamos largar de mão. Nunca mais. Os caras (Jaques Wagner e Ricardo Berzoini) estão achando que está tudo muito bem, que o mundo está uma maravilha. Mas todo nosso projeto foi derrotado”. Para tranquilizar o aliado, Lula marca uma conversa para a segunda-feira seguinte. “O pessoal na CUT está muito nervoso. Estou te alertando porque está ficando impossível. Os caras vão atropelar nós aqui dentro. Daqui a pouco vamos tudo abraçado pra casa do chapéu”, diz Vagner.

A suprema corte está totalmente acovardada e o parlamento acovardado
 
Num diálogo com a presidente Dilma Rousseff no dia 4 de março, que teve um trecho vazado pela deputada federal Jandira Feghali, do PCdoB do Rio de Janeiro, Lula fala um palavrão sobre a investigação que corre contra si. Naquela manhã, Lula havia sido levado a depor numa condução coercitiva pela Polícia Federal. A conversa com Dilma também foi gravada pela PF. Em outro momento da conversa, o ex-presidente Lula diz que "a suprema corte está acovardada, o Superior Tribunal de Justiça está acovardado, o parlamento totalmente acovardado". Eis um trecho do diálogo:

Lula – Eu falei com a Marisa agora, eles já foram embora de casa, já foram embora da casa do Fabio, da casa do Sandro. Não consegui falar com o Marcos. Se os canalhas tivessem mandado ofício, eu teria teria prestado depoimento, como já fui três vezes a Brasília. Eu acho que o Moro queria fazer um espetáculo, da decisão daquele negócio que tá no Supremo pra decidir – e gente não sabe se é contra ou a favor. Mas ele precisava fazer o espetáculo de pirotecnia. As perguntas foram as mesmas que eu já respondi para as delegadas. No meu sítio eles levaram os mesmos documentos da invasão que fizeram na casa do meu filho. Foram na casa do Paulo (Okamotto), da Clara (Ant) – estava dormindo sozinha, achou que era um presente de Deus e era a PF. (Risos) Eu acho que foi um espetáculo de pirotecnia. A tese deles é que tudo que está acontecendo é uma quadrilha montada em 2003 e que perdura até hoje. Eles não pediram explicação.... Eu estou dizendo para o PT que não tem mais trégua, não tem que ficar acreditando na luta jurídica. Nossa militância tem que ir para a rua. Vou antecipar a minha campanha para 2018. Vou acertar de viajar esse país a partir da semana que vem e ver o que vai ver, não vou ficar em casa parado
 
Dilma – O senhor não acha estranho aquele diálogo de quinta-feira? A istoÉ antecipar. Lula – Acho estranho a declaração do Delcídio, antecipar. Dilma – E logo seguinte o senhor ser chamado. Lula – É um espetáculo de pirotecnia sem precedentes. Eles estão convencidos que, com a imprensa chefiando, qualquer processo investigatório eles conseguem refundar a república. Dilma – É isso aí. Lula – Nós temos uma suprema corte totalmente acovardada, Superior Tribunal de Justiça totalmente acovardado, uma parlamento totalmente acovardado – somente nos últimos tempos PT e PCdoB começaram a acordar e brigar – nós temos um presidente da Câmara f**do, um presidente do Senado f**do, não sei quantos parlamentares ameaçados. E fica todo mundo no compasso que vai acontecer um milagre que vai se salvar. Eu sinceramente estou assustado com a República de Curitiba, a partir de um juiz da primeira instância, tudo pode acontecer nesse país.

"Os coxinhas vão tomar tanta porrada, diz Lula"

 Em conversa com o seu irmão, Genival Inácio da Silva, Lula disse que não poderia visitá-lo no domingo (6) porque haveria “um monte de peão na porta de casa pra bater nos coxinhas. Lula disse a Genival, conhecido como Vavá: “Se os coxinhas aparecer (sic..) eles vão tomar tanta porrada que eles nem sabem o que vai acontecer. Ato contínuo, Vavá responde: “Deixe esses cara. Vamos tocar a vida”.

Ministro da Justiça deveria "cumprir papel de homem"

 Conversa entre o ex-presidente Lula e  o ex-ministro de Direitos Humanos Paulo Vannuchi sobre Eugênio Aragão, o novo ministro da Justiça, foi interceptada pela Polícia Federal no âmbito da Lava Jato. Num dos trechos, Lula diz para Vannuchi que Aragão deve cumprir “papel de homem” como ministro da Justiça. "Eu às vezes fico pensando até que o ARAGÃO deveria cumprir um papel de homem naquela porra, porque o ARAGÃO parece nosso amigo, parece, parece, mas tá sempre dizendo "olha...", afirmou.

A Polícia Federal estava gravando

Em uma conversa com o senador Lindbergh Farias, do PT do Rio de Janeiro, na manhã do dia 2 de março, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva diz que usava aquela linha telefônica com o correligionário porque queria ver "se a Polícia Federal está gravando... Quero ver se está grampeado". Agora Lula sabe que sim. Ele estava sendo ouvido pela Polícia.

 "Viu que eu já tirei você da Casa Civil?"

Na noite de segunda-feira, Lula conversa com o ministro Jaques Wagner sobre o plano de ser nomeado ministro, que viria a se concretizar nesta quarta-feira. "Você viu que eu já tirei você da Casa Civil, né?", diz Lula a Wagner, em diálogo interceptado pela Polícia Federal. Lula afirma que irá a Brasília e avisa que precisará ter meia de hora de conversa "a sós" com Dilma Rousseff. Confira abaixo a transcrição do diálogo entre Lula e Wagner:

LULA: Alô!
JAQUES WAGNER: Diga Excelência, tudo bem?
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LULA: Você viu que eu já tirei você da CASA CIVIL, né porra?!
JAQUES WAGNER: Beleza! Eu vou ser segundo lá na CASA CIVIL, não tem nenhum problema. Com maior prazer
(risadas)
LULA: Querido...é...o seguinte: Eu tô pensando em ir pra BRASÍLIA amanhã. ELA ta aí em BRASÍLIA?
JAQUES WAGNER: Certo. Chegando que horas? Claro!
LULA: Eu tô chegando aí na boca da noite, lá pras 18, 19hs.
JAQUES WAGNER: 18hs? 19hs?
LULA: É.
JAQUES WAGNER: Ta bom, combinado.
LULA: Se ELA quiser, a gente pode conversar de noite ou pode ser de manhã. Pode conversar de manhã.
JAQUES WAGNER: Pode. Você prefere quando?!
LULA: Quando ELA quiser, ver pra ela quando que é melhor. Se ELA quer tomar um café gostoso.
JAQUES WAGNER: De manhã?
LULA: Aí eu preciso de meia hora com ela sozinho. E depois, entra a tropa.
JAQUES WAGNER: Ta bom então.
LULA: Tá bom.
JAQUES WAGNER: Combinado!
LULA: Ta bom, querido.
JAQUES WAGNER: Você pousa amanhã de noite?!
LULA: Foi bom, o dia hoje?
JAQUES WAGNER: Foi bom.
LULA: Como é que foi a manifestação na BAHIA?
JAQUES WAGNER: Ahh, teve 10, 15 mil, mas o ALELUIA foi pra lá, tomou uma vaia, e ninguém quis falar.
LULA: Quem foi falar?
JAQUES WAGNER: JOSE CARLOS ALELUIA, tomou uma vaia da porra!
LULA: "uhum"
JAQUES WAGNER: Então, nenhum outro deputado foi falar. Na verdade, generalizou porque é uma manifestação "anti a política"
LULA: É, eu acho essa é (ininteligível). Acabei de conversar com o "MINO CARTA" aqui pra ele escrever um artigo, mostrando que teve duas coisas nesse movimento. Primeiro, a vontade das pessoas que o combate à corrupção continue. Sabe?
JAQUES WAGNER: Isso é bem vindo.
LULA: E o MORO representa isso fortemente. Segundo, é que a negação a política é total.
JAQUES WAGNER: "uhum"
LULA: E o resultado disso, você sabe o que é né?!
JAQUES WAGNER: Lógico, é o caminho pro autoritarismo.
LULA: Então eu pedi pro MINO escrever um artigo sobre isso. E aqui em SAO PAULO ninguém conseguiu falar dos dirigentes, ALCKMIN, AÉCIO.
JAQUES WAGNER: ALCKMIN, AÉCIO.
LULA: A MARTA... (interrompido)
JAQUES WAGNER: A MARTA tomou só porrada.
LULA: A MARTA teve que se trancar na FIESP e só saiu quando acabou a manifestação.
JAQUES WAGNER: (risadas) É bom pra nego aprender.
LULA: Foi chamada de puta, vagabunda, vira casaca.
JAQUES WAGNER: Eu sei. Bom, eu aviso a ELA aqui e a gente conversa amanhã. E os meninos, MARISA, tudo bem?
LULA: Tao bem, tao bem querido, tao bem!
JAQUES WAGNER: Ta bom entao.
LULA: Ta bom.
JAQUES WAGNER: Falou! E voce, amadurecendo sua cabeça?
LULA: Tá amadurecendo, quase caindo de podre.
JAQUES WAGNER: (risadas)
LULA: Não, eu tenho recebido muito pedido pra "mim" aceitar, sabe?! Muito, muito, muito! Os SEM TERRA agora tavam reunido e ligaram (interrompido)
JAQUES WAGNER: Meu cargo está a sua disposição, viu?!
LULA: Ta bom.
JAQUES WAGNER: Eu posso até ser seu carregador de documento.
LULA: Eu serei, eu serei seu ajudante.
JAQUES WAGNER: Eu vou ser seu "AJO"
LULA: Eu serei seu adjunto. (risadas)
JAQUES WAGNER: Ta bom.
LULA: Abraço, querido.
JAQUES WAGNER: Falou! Abraço, tchau.

O advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, conversa com o ex-presidente sobre as investigações do Ministério Público de São Paulo que tinham como alvo o tríplex do Guarujá no dia 9 deste mês. As conversas foram capturadas em grampos efetuados mediante autorização judicial.

ROBERTO TEIXEIRA: Fala, meu amigo.
MORAES (AJUDANTE DE ORDENS DE LULA): Vou passar o presidente, tá?

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ROBERTO TEIXEIRA: Tá bom, ok.
LULA: Ô, ROBERTO.
ROBERTO TEIXEIRA: Fala meu compadre.
LULA: Tudo bem querido?
ROBERTO TEIXEIRA: Tudo bem, tudo em ordem. Chegou agora?
LULA: Cheguei agora, querido. Fazer só uma pergunta: que palhaçada que é essa que o Ministério Público de São Paulo me denunciou?
ROBERTO TEIXEIRA: Então. Soube disso agora. Aquele CONSERINO. Certo, lembra? A informação que nós tivemos foi agora, esse processo não é eletrônico, então a gente não consegue acessar agora.
LULA: Ahn
ROBERTO TEIXEIRA: Entende? Então essa informação que veio vamos esperar até amanhã o que acontece, né? De que forma que ele proce.. parece que teria sido por lavagem, né?
LULA: É. Lavagem de dinheiro.
ROBERTO TEIXEIRA: É, alguma merda que ele fez que agora nós temos que depois fazer a defesa, né?
LULA: Aham
ROBERTO TEIXEIRA: Mas a gente sabia que ele iria fazer essa merda, né? Isso era claro, né? Tanto que nós nem fomos lá depor naquela altura porque ele já havia feito juízo de valor dizendo pra veja que iria denunciar, né? É uma merda.
LULA: Tá bom.
ROBERTO TEIXEIRA: E amanhã eu gostaria de conversar com vosmicê.
LULA: Amanhã eu to fodido, ROBERTO. Amanhã eu vou contar uma coisa pra você: eu tinha um encontro com a LURIAN agora que não pode ser agora, eu marquei pra nove horas da manhã.
ROBERTO TEIXEIRA: Certo.
LULA: Às 10 horas eu tenho a direção do movimento sem terra. Meio dia eu almoço com o ZÉ MÚCIO e com o VALFRIDO. Às duas horas da tarde eu tenho um debate com o NELSON BARBOSA.
ROBERTO TEIXEIRA: Certo.
LULA: Eu vo tá livre lá pelas cinco horas da tarde.
ROBERTO TEIXEIRA: Perfeito. Tá bom. Eu vou ver se eu faço isso aqui. Hoje eu fui procurado por um colega, o CAIXA DÁGUA, ele se tornou advogado do.. do.. foi constituído pelo.. pelo.. como é que é, pelo AURÉLIO.
LULA: Aé?
ROBERTO TEIXEIRA: É. Então ele entrou em contato comigo pra.. tá ótimo..
LULA: Tá bom, querido. Então amanhã a gente conversa.
ROBERTO TEIXEIRA: Agora colocou um advogado .. (ininteligível)
LULA: (ininteligível) O CAIXA DÁGUA é o cara que acompanhou o PAULO.
ROBERTO TEIXEIRA: Eu sei.. eu sei.. eu sei..
LULA: Tá bom, querido?
ROBERTO TEIXEIRA: Tá bom, amigo.
LULA: Tá bom.
ROBERTO TEIXEIRA: Ok, então.. e amanhã então..
LULA: O.. o.. o.. já voltou o CRISTIANO?
ROBERTO TEIXEIRA: Não, o CRISTIANO vai ficar lá. Ele teve hoje uma reunião lá, mais uma, né? Então ele vai ter que ficar lá. Ele vem amanhã à tarde pra cá. Às cinco horas tem uma reunião aqui também de um outro assunto.
LULA: Tá bom.
ROBERTO TEIXEIRA: Vamo ve, conforme for, se você estiver livre lá pelas cinco horas da tarde a gente te daria um pulinho lá pra passar duas ou três informações.
LULA: Tá bom, querido.
ROBERTO TEIXEIRA: Tá bem?
LULA: Tá bom.
ROBERTO TEIXEIRA: Ok, então.
LULA: Um abraço, querido.
ROBERTO TEIXEIRA: Outro. Tchau.
LULA: Tchau.

Senador Jorge Viana se oferece para enfrentar Sérgio Moro

Em conversas monitoradas com autorização judicial, o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, fala com o senador Jorge Viana (PT-AC) em 4 de março. Ante o avanço das investigações da Lava-Jato sobre Lula, o senador fala em "subir o tom" e "enfrentar" o juiz Moro.

JORGE: Alô?
ROBERTO TEIXEIRA: JORGE?

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JORGE: Oi, ROBERTO. Eu sei que você tá tão atarefado, mas eu precisava.. eu to aqui no Acre, no interior, querendo ir pra Brasília, desde cedo tô me deslocando de carro, mas primeiro ser solidário aí com vocês e eu vi a nota de vocês, eu acho que foi a coisa mais coerente que eu vi até agora..
ROBERTO TEIXEIRA: Perfeito.
JORGE: Eu quero só passar uma ideia de quem tá longe, e que ao mesmo tempo sofre como se tivesse perto.
ROBERTO TEIXEIRA: Perfeito.
JORGE: Eu acho que a fala do presidente foi bom, mas ela foi muitos tons abaixo do que deveria ser.
ROBERTO TEIXEIRA: Certo.
JORGE: Talvez.. olha a minha ideia.. falei até com o DAMOUS. Talvez seja a única oportunidade que o presidente tem de por fim à essa perseguição, essa caçada contra ele. Se numa segunda-feira, por exemplo, reflitam sobre isso, ele chamar uma coletiva e comprar e estabelecer uma relação, um diálogo com seu MORO pela, ao vivo, MORO, PROMOTORES, DELEGADOS, dizendo que ele não aceita mais que ele persiga a família dele porque ele tá agindo fora da lei, os promotores fulano e ciclano estão agindo fora da lei, os delegados fulano e ciclano e quem age fora da lei é bandido e que se ele quiser agora vim prendê-lo, que venha, mas não venha prender minha mulher, prender meus netos, nem meus filhos.. E forçar a mão nele pra ver se ele tem coragem de prender por desacato a autoridade, porque aí, aí eles vão ter uma comoção no país, porque ele vai tá defendendo a família dele, a honra dele.. dizer: olha, eu estou defendendo a minha honra, você está agindo fora da lei, quem age fora da lei é bandido.. me sequestraram, me colocaram.. eu não sei, tinha que pensar algo parecido com isso e dar uma coletiva e provocar e dizer que não vai aceitar mais..
ROBERTO TEIXEIRA: Perfeito.
JORGE: Não aceita, em hipótese nenhuma.. se rebelar.. greve de fome, alguma situação.. você tem também alguma insubordinação judicial, não aceito mais ser investigado por esse bando que tá agindo fora da lei e querendo alcançar minha família, minha mulher, meus filhos e meus netos. Não aceito mais. Me prendam. Se prenderem ele, aí vão prender e tornar um preso político, aí nós fazemos esse país virar de cabeça pra baixo. Fora disso eu não vejo saída (ininteligível)
ROBERTO TEIXEIRA: É.. mas isso, mas viu, JORGE, ele anunciou isso, falou isso, ele disse que vai varrer o Brasil inteiro, vai denunciar isso o tempo todo..
JORGE: Isso não funciona.
ROBERTO TEIXEIRA: E agora..
JORGE: Não tem clima no interior do Brasil pra ele vir, pra ele andar. Ele tem que fazer uma ação ao vivo chamando coletivas, isso é mais forte do que ele fazer comício, fazer coisa.. gente, o clima tá muito ruim contra nós, não há uma comoção. Ele tem que botar a família dele, fazer a defesa e virar a fazer..
ROBERTO TEIXEIRA: Entendi.
JORGE: E fazer um confronto direto com eles. Se não fizer isso agora, não tem clima pra andar no Brasil.
ROBERTO TEIXEIRA: Perfeito.
JORGE: Esses caras tão trabalhando há muito tempo esse ambiente. (ininteligível).
JORGE: Diga: me prenda, eu estou aqui. Vou ficar nesse endereço esperando a chegada dos seus subalternos com o mandado de prisão. Se ele prender, o LULA vira um preso político e vira uma vítima, se não prender, ele também se desmoraliza. Tem que virar o jogo agora. Esse negócio de andar o Brasil, de falar, isso não vai funcionar, isso foi num passado distante. Tem clima, e isso tem que ser feito urgente, porque senão no dia 13 vai ter milhões de pessoas na rua querendo a prisão do LULA. Eu to dando um toque, eu to no andar de baixo andando e é só mais pra vocês refletirem um pouco se puder.
ROBERTO TEIXEIRA: Perfeito. Vamo, vamo refletir sim, vamo transferir isso aqui. Ele agora vai estar num ato aqui dos bancários, que ele vai agora falar pro povo, né? E..
JORGE: Eu não sei, mas você fala, diz: ó, foi uma possibilidade, LULA, existe greve de fome quando alguém se rebela e não aceita determinadas coisas, na parte judicial, porque ninguém do Supremo vai dar colhida mais ao LULA, mas tem muitas manifestações favoráveis. Se o LULA colocar como o defensor da família dele, da mulher, dos filhos e desafiar e dizer que eles tão agindo fora da lei, como agiram hoje fora da lei, quem age fora da lei é bandido e dizer: vocês são bandidos, agiram foram da lei. Só vai ter uma saída: ou o cara prende ele ou fica desmoralizado. Não aceito mais. Que o judiciário ponha um juiz isento pra me investigar, ponha um promotor isento pra me investigar, ponha é.. é.. delegado da polícia federal isento.. esse MOSCARDI veio aqui no Acre, fez uma operação contra o PT, nós denunciamos pro ZÉ EDUARDO CARDOSO, entramos com uma representação há seis anos contra esse delegado que pegou o presidente hoje. Ele é um inimigo do PT e tava lá. Agora, o presidente não tem outra oportunidade. Pra mim ele tem que fazer no máximo até segunda-feira, chamar uma coletiva e insubordinar e dizer que não aceita mais, não aceita mais e dizer: olha, vocês estão agindo fora da lei, e quem age fora da lei é bandido (ininteligível) o senhor está agindo como bandido, e o senhor não tem moral de me apurar de me investigar, eu to falando como cidadão, não é como ex-presidente, cidadão. Aqui está a constituição. Pense nisso. Reflita, porque nós não vamos ter outra oportunidade igual ao dia de hoje, não.
ROBERTO TEIXEIRA: Perfeito. Eu vou pensar e transferir. Eu vou passar essa informação. Qual é o nome daquele delegado que você falou que já fez problemas aí?
JORGE: O.. esse MOSCARDI. O MOSCARDI, eram três.
ROBERTO TEIXEIRA: MOSCARDI?
JORGE: MOSCARDI. Esse cara fez uma operação, G7, aqui no Acre, contra o governador TIÃO VIANA. Ele declaradamente (ininteligível) eleição, contra o PT, contra tudo. Denunciamos pro ZÉ EDUARDO CARDOSO várias vezes que era uma ação dirigida, que ele tem ódio. Ele demonstrou várias vezes. Agora ele tá lá agindo contra o presidente LULA. É o mesmo.
ROBERTO TEIXEIRA: Perfeito. MOSCARDI. Tá bom.
JORGE: O governador TIÃO VIANA sabe bem disso.
ROBERTO TEIXEIRA: Perfeito. Eu vou.. (ininteligível)
JORGE: Agora, ROBERTO, reflita. Têm coisas que só tem um momento de virar o jogo.
ROBERTO TEIXEIRA: Certo.
JORGE: Essa ação deles hoje foi uma barbeiragem. O ministro MARCO AURÉLIO, todo mundo, mas na segunda ou na terça eles vão consertar.
ROBERTO TEIXEIRA: Sei.
JORGE: (ininteligível) Eles tão botando a receita agora. Se o presidente LULA fizer isso ele vai virar e vai deixar de ser uma ação jurídica e vai ser uma ação política. O presidente LULA precisa transformar esse confronto numa ação política. Eles tão se rebelando, só dizendo que não aceita mais o MORO, que agora se ele mandar um ofício ele não vai, e dizer que ele tá agindo fora da lei, chamar de bandido. E diga: venha me prender, agora eu que estou desafiando, venha me prender. Mas não venha prender minha mulher, nem meus netos, nem meus.. a mim, eu to aqui nesse endereço esperando. Os seus policiais. Aí o povo vai pra rua, aí a gente faz um confronto institucional pela política, que é o campo do LULA, e não pelo jurídico que é o campo deles. Pensa nisso. Era.. era alguma observação que eu queria fazer.
ROBERTO TEIXEIRA: Tá ótimo, então.
JORGE: Tá bom, querido.
ROBERTO TEIXEIRA: Ok, então.
JORGE: Um abraço.
ROBERTO TEIXEIRA: Um abraço.
JORGE: Sorte aí, que Deus ajude você.
ROBERTO TEIXEIRA: Tchau.

Nota do Planalto fala em "flagrante violação da lei e da Constituição"
 

A Secretaria de Imprensa da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República divulgou uma nota à imprensa em repúdio à divulgação da gravação de conversa telefônica entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente da Luiz Inácio Lula da Silva, agora Ministro-chefe da Casa Civil. Na nota, o Planalto afirma que  é uma "flagrante violação da lei e da Constituição da República, cometida pelo juiz" Sergio Moro. Ainda segundo a nota, quando Dilma disse ao ex-presidente usar o termo se necessário, referia-se à possibilidade de ele não poder comparecer à cerimônia de posse. 
A nota está reproduzida na íntegra a seguir: " Tendo em vista a divulgação pública de diálogo mantido entre a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cumpre esclarecer que:
1 – O ex-presidente Lula foi nomeado no dia de hoje ministro-chefe da Casa Civil, em ato já publicado no Diário Oficial e publicamente anunciado em entrevista coletiva;
2 – A cerimônia de posse do novo ministro está marcada para amanhã (17) às 10 horas, no Palácio do Planalto, em ato conjunto quando tomarão posse os novos ministros Eugênio Aragão, ministro da Justiça; Mauro Lopes, Secretaria de Aviação Civil; e Jaques Wagner, ministro-chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República;
3 – Uma vez que o novo ministro, Luiz Inácio Lula da Silva, não sabia ainda se compareceria à cerimônia de posse coletiva, a Presidenta da República encaminhou para sua assinatura o devido termo de posse. Este só seria utilizado caso confirmada a ausência do ministro.
4 – Assim, em que pese o teor republicano da conversa, repudia com veemência sua divulgação que afronta direitos e garantias da Presidência da República.
5 – Todas as medidas judiciais e administrativas cabíveis serão adotadas para a reparação da flagrante violação da lei e da Constituição da República, cometida pelo juiz autor do vazamento. Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República"

Moro: " interesse público impede imposição da continuidade de sigilo"
 
O juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, disse também em nota que ‘o interesse público e a previsão constitucional de publicidade dos processos impedem a imposição da continuidade de sigilo sobre autos’. Nesta quarta-feira, 16, Moro tornou público o acervo de grampos da Polícia Federal que pegaram o ex-presidente Lula conversando com Dilma Rousseff. Em um diálogo, Lula chama os investigadores da Lava Jato de ‘canalhas’. Ele diz que o País tem ‘uma Suprema Corte acovardada, um presidente da Câmara fudido, um presidente do Senado fudido’.

O petista diz que Sérgio Moro promoveu ‘um espetáculo de pirotecnia’ ao autorizar sua condução coercitiva no dia 4 de março. A liberação dos grampos da Operação Aletheia, que pegou Lula, ocorreu praticamente no mesmo horário em que a presidente Dilma anunciava no Palácio do Planalto a nomeação de Lula para o cargo de ministro chefe da Casa Civil – condição que dá ao ex-presidente o foro privilegiado perante o Supremo Tribunal Federal e o livra das mãos de Moro.

O juiz da Lava Jato amparou sua decisão de dar publicidade aos grampos – e a outros documentos que citam Lula – nos artigos 5.º e 93 da Constituição. “O levantamento (do sigilo) propiciará assim não só o exercício da ampla defesa pelos investigados, mas também o saudável escrutínio público sobre a atuação da Administração Pública e da própria Justiça criminal. A democracia em uma sociedade livre exige que os governados saibam o que fazem os governantes, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas sombras.”

Sérgio Moro destaca que ‘isso é ainda mais relevante em um cenário de aparentes tentativas de obstrução à Justiça’. Ele faz menção à decisão do Supremo Tribunal Federal que em novembro de 2015 decretou a ‘prisão cautelar do senador Delcídio do Amaral, do Partido dos Trabalhadores, e líder do Governo no Senado, quando buscava impedir que o ex-diretor da Petrobrás Nestor Cuñat Cerveró, preso e condenado por este Juízo, colaborasse com a Justiça, especificamente com o Procurador Geral da República e com o próprio Supremo Tribunal Federal’.

5 comentários:

  1. Não é um mar de qualquer lama... é um mar de podridão que envolve o poder. Esse é o governo, ou de qualquer governo, que se diz defensor dos pobres... Que faz o cidadão comum a pagar impostos escorchantes para se locupletar sob a escuridão da ética e da justiça!
    Vergonhosamente, vejo o governo que apoiei escrever a página negra da nossa história.

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  2. Impeachment já!
    Novas eleições já!

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  3. Nosso país está falido, não apenas em termos econômicos, mas a população como um todo, está falida em sua ética e em sua moral. Não se trata apenas da corrupção de governantes ou empresários; desse ouvimos falar na mídia constantemente, mas os pequenos delitos, a falta de educação popular, isso também arruína nosso modo de viver, porém não é demonstrado na mídia. O governo que está nos gerindo, é o reflexo do tipo de pessoas que nós, brasileiros, somos. Terceiro-mundistas, subdesenvolvidos até o fim. Ser pobre no Brasil, tornou-se sinônimo de comodismo, má educação e falta de caráter. Isso demonstrou-se ao colocar um sujeito subdesenvolvido e de família pobre no poder. Parecia que uma pessoa do "povo" seria mais sensível às nossas mazelas; ledo engano; quando o poder está ao alcance das mãos, a ganância não escolhe partido ou situação social.

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    1. Iran, parabéns, disse tudo.Temos uma sociedade falida em todos os sentidos.

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    2. Parabéns Iran, vc disse tudo. Infelizmente nossa sociedade está completamente deteriorada.

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