VER-O-FATO: CONVERSAS GRAVADAS REVELAM SUPOSTO TRÁFICO DE INFLUÊNCIA E ATÉ FOTO DE NU EM TROCA DE EMPREGO

quinta-feira, 31 de março de 2016

CONVERSAS GRAVADAS REVELAM SUPOSTO TRÁFICO DE INFLUÊNCIA E ATÉ FOTO DE NU EM TROCA DE EMPREGO

Acima, o momento da prisão de Lúcio Assunção no gabinete de Medrado. Abaixo, o perfil  dele no Facebook, hoje apagado


Incrível, fantástico, inusitado, extraordinário. Contando, ninguém acredita. Mas, com fotos, e gravações, aí, sim, dá para acreditar. Tipo São Tomé: só vendo e ouvindo para crer.

No Pará, aliás, acontece de tudo. Poste urina em cachorro. Boi voa. Uma fábrica da Coca-cola faliu. Boto engravida moças.

A mais nova proeza: Um teste de nudez para obtenção de cargo público. Aconteceu com um homem que teve de mandar fotos completamente nu para um  jovem detentor de grande influência política em Mocajuba.

A parada é a seguinte: lembram do presidente do PT do B Jovem do Pará, Lúcio Assunção de Oliveira, que está preso sob a acusação de extorquir um empresário de Parauapebas? Pois é. Assunção foi preso - não ria - dentro do gabinete do procurador Nelson Medrado, no Ministério Público, quando já estava com mandado de prisão por extorsão.

Ele foi ao gabiente de Medrado - não ria, novamente - cumprimentar o destemido procurador por seu combate implacável aos prefeitos corruptos.

Ao receber voz de prisão de Medrado, o jovem tinha em seu poder, além de R$ 30 mil em dinheiro, um celular. Pois o tal celular revela conversas explosivas no aplicativo whatsapp capazes de corar até o papa Francisco.

O blog Ver-o-Fato teve acesso a mais de 60 conversas, mensagens e dezenas de fotos do celular de Lúcio Assunção, apreendidas pelo Ministério Público e que foram remetidas à perícia para posterior ação criminal. O rapaz, nas conversas e postagens, demonstra ousadia e afirma relacionar-se com autoridades dos mais altos escalões  do Estado.

Segundo o MP, Assunção dizia ora atuar no gabinete do vice-governador, Zequinha Marinho, ora trabalhar no Ministério Público Estadual. E, para variar, ainda se gabava de ter grandes amizades e influência no Poder Judiciário.

Se diz amigo de juízes, desembargadores do Tribunal de Justiça, até posa ao lado de alguns. É claro que depois exibia tudo aos que acreditavam em sua estreita relação com as autoridades. Podia, como alegava, impedir prisões de prefeitos envolvidos em maracutaias, assim como abortar operações em prefeituras, além de obter decisões judiciais favoráveis aos incautos em apuros, de quem arrancava dinheiro. Muito dinheiro. 

Assunção vendeu prestígio em Marapanim, onde até recebeu título de Cidadão, com direito a discurso da tribuna. Ao receber a honraria, apresentou-se como servidor do Ministério Público. Ninguém desconfiou. Em Mocajuba, dizia dar as cartas e exercer enorme influência sobre o prefeito Rosiel Costa. Fazia o mesmo em outros municípios. 

No Círio de Nazaré, no ano passado, chegou a alugar uma residência em plena Avenida Nazaré. No local, botou o nome em letras garrafais numa faixa, exaltando a si próprio e à santa. Em várias fotos apareceu ao lado de autoridades eclesiásticas. Haja cara de pau.

Em uma das melhores partes do conteúdo de seu celular apreendido, Lúcio Assunção se diz amigo. Amigo, não, amicíssimo, do procurador de Justiça do Ministério Público Estadual, Nelson Medrado, um homem reconhecidamente sério e honrado e que hoje empreende batalha legal para colocar na cadeia gestores que roubam dinheiro público para montar patrimônio pessoal.

Medrado ficou indignado ao tomar conhecimento de como seu nome era usado em golpes aplicados por Assunção. Para se ter a dimensão da ousadia, ele chegou a criar um perfil falso do procurador no whatsapp, com foto e tudo, para mostrar a amigos e parceiros de crimes que tinha influência junto a Medrado.

Vejam até onde ia a imaginação fértil do rapaz. Numa das supostas conversas com o perfil de Medrado que ele criou, Assunção é tratado pelo suposto Medrado como "meu líder", e "Obama do Pará".

No caso do teste de nudez por foto, e outras incursões sexuais para a obtenção de cargo público em Mocajuba, a coisa esquenta ainda mais, resvalando para o assédio explícito recheado de promessas e ameaças.

Assunção oferece a direção do hospital municipal, automóvel e um salário mensal de R$ 8 mil. Em troca, o rapaz teria que mandar fotos como veio ao mundo e ir ao um encontro reservado com o presidente do PT do B Jovem.

As fotos foram enviadas, o encontro realizado com o pretendente ao cargo, mas não está claro se o assediado por Lúcio Assunção assumiu a direção do hospital e recebeu o automóvel como havia sido combinado. 

O indicado chega a dizer, em uma conversa, que havia pedido demissão do emprego para assumir a direção do hospital que lhe fora prometida.


DESEMBARGADORES MANTÉM PRISÃO 

No dia 21 de março passado, os desembargadores integrantes das Câmaras Criminais Reunidas do Tribunal de Justiça do Pará, já sabedores das peripécias de Assunção, mantiveram, por unanimidade de votos, a prisão dele pela suposta prática de extorsão e formação de quadrilha.

De acordo com o processo, ele, em companhia de Jonas Conrado Sousa ( já solto) e Gilson de Andrade Silva, este último cabo da Polícia Militar do Pará, teria procurado a esposa do empresário Edmar Cavalcante, afirmando ter influência junto a representantes do Ministério Público e que, mediante o pagamento de R$ 250 mil, poderia conseguir a liberação do empresário (a época em que este estava preso).

Edmar Cavalcante é réu na ação penal que tramita em Parauapebas, resultante de denúncia do Ministério Público oferecida com base na "Operação Filisteu", que apurou, dentre outros fatos, supostas práticas de crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e fraude à licitações, tendo como réus seis vereadores de Parauapebas, além de vários servidores e empresários da cidade.

A defesa de Lúcio alegou constrangimento, argumentando a ilegalidade da prisão, considerando ser o mesmo réu primário, ter bons antecedentes, ocupação lícita e residência fixa. No entanto, o relator do habeas corpus, desembargador Ronaldo Valle, levou em consideração a necessidade de aplicação da lei penal e ordem pública, bem como as condições em que ocorreu a prisão, além do fato de ter ficado o acusado foragido até a sua prisão. 

Lúcio foi preso no dia 20 de janeiro deste ano, no gabinete do procurador de Justiça Nelson Medrado, a quem teria se apresentado como assessor da Vice-Governadoria do Estado do Pará. A prisão do acusado estava decretada desde junho de 2015.


OUÇA  AQUI (CLIQUE EM CIMA DOS TÍTULOS) 

Começo da conversa, a troca de favores

Mostra a foto nu e ganha o cargo

Depos de me dar o carro, tiro as fotos como tu quiser

 Negócio do carro, tu só me ilude

Faz a tua parte que eu assino tua portaria

Rapaz, faz a tua parte. Tu vais crescer ao meu lado 


E VEJA ALGUMAS CONVERSAS EXTRAÍDAS DO WHATSAPP







3 comentários:

  1. Ingênuos desconhecem as transações em órgãos e nada acontece, não tomam providências para punir os que enxovalham a Justiça. O extorsionário está preso e será que isso vai ficar assim? sou fã do blog Ver-0-Fato por mostrar as molecagens e lobby no Judiciário. Como diria o Bóris... isso é uma vergonha !!!!!

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  2. As mensagens que li mostram que um lobby pesado atua no TJE para conseguir decisões para prefeitos corruptos. Sou advogado e não tolero isso sempre batalhei no Fórum o bom combate legal e essas práticas desanimam os que seguem a trilha do Direito.

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  3. Igual mesmo a máfia do lularápio... é uma vergonha o exemplo vem de cima!

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