VER-O-FATO: ABUSO DE PODER, CORRUPÇÃO E PROMISCUIDADE NA FAZENDA OURO VERDE I

segunda-feira, 7 de março de 2016

ABUSO DE PODER, CORRUPÇÃO E PROMISCUIDADE NA FAZENDA OURO VERDE I

Brasil diz que houve "subserviência" dos militares ao dono da fazenda

A relação promíscua entre policiais militares e alguns fazendeiros, que ainda perdura nos rincões do Pará, faz com que dois tipos de justiça existam no Estado: a justiça propriamente dita, exercida pelo Poder Judiciário, e a justiça dos poderosos, que, às custas de dinheiro, impõem suas próprias leis e julgamentos.

Foi uma aberração, por exemplo, o que ocorreu no dia 20 de junho de 2013, dentro da fazenda Ouro Verde I, localizada no município de Redenção. A propriedade pertence a José Edimar Brito Miranda Júnior, irmão do governador do Tocantins, Marcelo Miranda. O fato lá ocorrido levou, na semana passada, o Ministério Público do Pará, por meio do promotor de Justiça Militar, Armando Brasil Teixeira, a denunciar o capitão da PM Luiz Carlos da Silva Pontes e os policiais militares, Aguinaldo Correa de Oliveira, José Ribamar Ribeiro Filho, e Celso de Souza Pereira, acusados de tentativa de homicídio e tortura contra civis.

Segundo o Inquérito Policial Militar (IPM), Luciano Ferreira Lima, junto com seu amigo Francisco Neto Pereira da Silva, conhecido por "Maninho", foram procurados por um homem conhecido como "Maranhão", o qual pretendia contratar mão de obra para trabalhar na fazenda Ouro Verde I. Após uma conversa, Luciano e “Maninho” se encontraram com “Maranhão” no município de São Felix do Xingu, e depois seguiram em um veículo GM modelo Prisma até a um porto de balsas.

Maranhão” disse que teria que resolver um problema no escritório da fazenda, e acabou seguindo Luciano e “Maninho”, no veículo mencionado. Aproximadamente 10 km após o porto, o carro em que estavam quebrou, razão pela qual eles resolvessem dormir ali mesmo, e no dia seguinte, viessem a continuar o percurso à pé até a fazenda. Durante o caminho se depararam com uma Hilux, da qual desceram três PM's, trajando uniformes da Rotam, portando fuzis e pistolas.

Na sequência, os policiais militares ordenaram que “Maninho” e Luciano os acompanhassem até a um retiro na fazenda, onde estaria um grupo de pessoas detidas e lá, os ofendidos, “Maninho” e Luciano visualizaram dois homens correndo em direção a uma área de matagal, e os policiais denunciados correndo e atirando na direção deles.

Os PMs, identificados posteriormente como os policiais militares Aguinaldo Corrêa de Oliveira, José Ribamar Ribeiro Filho e Celso de Souza Pereira, abordaram os ofendidos e passaram a agredir “Maninho” e Luciano a socos e chutes, questionando a presença deles nas proximidades da fazenda, bem como onde estava o "restante do grupo". Os agredidos disseram aos PMs denunciados que nada sabiam acerca do tal grupo, contudo, a cada resposta, os militares agrediam ainda mais “Maninho” e Luciano. Essas lesões corporais estão descritas no laudo de exame de corpo de delito anexado aos autos do processo.

De acordo com depoimento de Luciano Pereira Lima, prestado à Superintendência da Policia Federal de Redenção, os PM's denunciados ordenaram que ele, juntamente com “Maninho”, retirassem objetos das pessoas que ali se encontravam na condição de detidos, dentro de uma caçamba, para em seguida ser conduzidos à sede da fazenda, onde se encontrava Luiz Carlos Moura Lima, gerente da propriedade. Diz o promotor militar que os denunciados “demonstravam uma postura de subserviência, ou seja, os fatos levaram o MPM a concluir que as pessoas ali estavam na condição de cárcere privado”.

Armando Brasil observa que seria ilógico que as operações policiais descritas pelo sargento José Ribamar Filho, guardassem consonância com uma operação programada de " combate a criminalidade", assim fica fácil perceber que os PM's denunciados foram fazer a segurança particular da propriedade Ouro Verde, a fim de evitar indesejados no lugar, tendo inclusive sido disponibilizado pelo gerente da fazenda todo o suporte logístico, com o emprego inclusive de um aeronave para transportar dos denunciados até a fazenda.

Então, é óbvio que os militares receberam vantagens indevidas, pois seria ingenuidade acreditar que os denunciados se deslocavam para proteger o patrimônio, sem auferir vantagem financeira indevida, seria o mesmo que acreditar na fantasiosa figura geométrica da "quadratura do círculo" , afirma o promotor.

O irmão do governador do Tocantins, Edimar Miranda, e o gerente da fazenda, Luiz Carlos Lima, a pedido do promotor, que enviou os autos do processo para a comarca de Ourilândia do Norte, serão investigados por crime de corrupção ativa.
__________________BASTIDORES____________________

** O troca-troca de partidos poderá influenciar na eleição de alguns municípios do sudeste paraense, principalmente em Parauapebas, onde se desenha uma das eleições mais renhidas do Estado.

** O senador Jader Barbalho saiu na frente do governador Simão Jatene na articulação política para a eleição deste ano. Barbalho já se reuniu com lideranças do PMDB e eventuais aliados de várias regiões do Estado. Ele quer eleger o maior número de prefeitos e vereador.

** Jatene, por sua vez, ainda tem problemas para mobilizar as lideranças tucanas e de outros partidos que o apoiaram na eleição passada. Algumas insatisfações, como promessas não cumpridas pelo governador, impedem a retomada da chamada “união pelo Pará”.

** Os institutos de pesquisas estão sentindo no bolso a penúria de muitos candidatos. Procurados, a maioria diz não ter dinheiro para pagar pesquisa de intenção de votos. Não está fácil para ninguém.

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