VER-O-FATO: A LAVA JATO, A INTOLERÂNCIA, E O TERREMOTO DE LISBOA

quinta-feira, 24 de março de 2016

A LAVA JATO, A INTOLERÂNCIA, E O TERREMOTO DE LISBOA

Alegoria ao Terremoto de 1755, João Glama Strobërle (1708–1792)

A “Operação Lava Jato” parece inesgotável, a cada dia com revelações bombásticas de fatos novos. Na mente do cidadão comum, onde quer que se vá, uma coisa é certa: é o maior esquema de corrupção da história brasileira. Enreda nomes famosos da classe empresarial, donos de construtoras que detém as principais obras por todo o país, além de políticos de partidos aliados ao poder e gente do PSDB, da oposição. 

Gravações telefônicas interceptadas com ordem judicial, prisões, indiciamentos, condenação. O repertório de resultados surpreende a cada nova operação da Polícia Federal. Quem ainda não fez delação premiada, temendo pena dura, se dispõe a contar tudo o que sabe e apresentar documentos. A República treme, o poder balança. 

O ex-presidente Lula, que por muito tempo navegou quase incólume pelo mar de escândalos, hoje vive seu inferno astral, desde a condução coercitiva para depor decretada pelo juiz Sérgio Moro. Pior: suas conversas, gravadas, revelaram ao País um outro Lula, quem sabe o verdadeiro Lula. Um homem que se coloca acima do bem e do mal e que cobra gratidão daqueles a quem nomeou, quando presidente, como se livrá-lo de encrencas judiciais fosse uma obrigação do nomeado.

A presidente Dilma, por outro lado, dedica seus dias de tormento a defender seu governo dos fantasmas que a assombram: impeachment, cassação do mandato ou renúncia. Fala em “golpe”, vocifera contra o juiz Sérgio Moro, mas não consegue esconder o fato de que está isolada, sem apoio parlamentar na casa onde sua permanência no governo será decidida: a Câmara dos Deputados.

Dilma já não consegue esconder que está esgotada e abatida. Precisa, porém, manter as aparências para não se fragilizar ainda mais diante dos que a apoiam. Não é fácil. O próprio PT, cuja sigla é execrada nas ruas por opositores que o apontam como responsável pelas graves mazelas do País, também espana a culpa de seus ombros e a joga sobre Dilma, deixando-a ainda mais desprotegida.

Nas redes sociais, seja de governistas quanto de opositores, predomina não o debate sadio de ideias sobre o momento político-institucional que vivemos, mas o ranço da intolerância e dos ataques pessoais, com pitadas de ameaças e xingamentos de toda ordem. Não há lugar sequer para quem não defende nem um lado, nem outro, mas se posiciona contra a lama da corrupção que afoga o país.

O simples ato de opinar transformou-se em penosa tarefa. Há um patrulhamento em curso que impede a livre manifestação de pensamento. “Fascista”, “direitista”, “comunista”, “coxinha” e “petralha” são os termos mais usados contra quem se posiciona. Os níveis de arrogância e ódio chegam às alturas.

A única certeza de tudo que temos visto, lido e ouvido, é que o Supremo Tribunal Federal (STF) será o grande juiz da causa. Lá, como se sabe, serão travados os debates, as fundamentações legais e as razões de cada ministro na exposição de seus votos. Como ocorreu no Mensalão. No mais, é refletirmos sobre um fato ocorrido há 261 anos, em Portugal.

Passado o terremoto de Lisboa, o rei Dom José perguntou ao marquês de Alorna o que podia ser feito. Ele respondeu: "sepultar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos". Sepultar os mortos significa que não adianta ficar reclamando e discutindo como teria sido se o terremoto não tivesse ocorrido.

Cuidar dos vivos, é que depois de enterrar o passado, temos que cuidar do que sobrou, dar foco ao presente. Fechar os portos, é evitar o pânico entre os nossos, impedir o salve-se quem puder, a fuga em massa.

Significa que não podemos deixar que ocorra um novo tremor enquanto estamos cuidando dos vivos e salvando o que restou.

____________________BASTIDORES_________________

* Bomba: pelos corredores e gabinetes do governo Jatene não se fala em outra coisa: o governador pretende terceirizar o PAS/Iasep, o serviço de atendimento à saúde dos 100 mil servidores estaduais. Os trabalhadores que atuam no setor seriam relotados em outros órgãos do governo.

* As dívidas, a má gestão e as reclamações cada vez maiores dos servidores sobre a qualidade do serviço, que já foi um dos melhores no Estado, teriam pesado na vontade de Jatene. Ou seja, a privatização do PAS/Iasep vai dar muito o que falar.

* A divulgação de pesquisas sobre a eleição de prefeito, nos municípios de Parauapebas e Tucuruí, acendeu a luz amarela nos gabinetes de Valmir Mariano e Sancler Ferreira. A pior situação é de Valmir, que tenta a reeleição. Ele está muito abaixo do que imagina.

* Sancler, que não pode mais concorrer, aposta suas fichas no vereador Jairo, mas seu afilhado político está muito distante nas pesquisas, que tem Jones William na frente, com folga. Em Parauapebas, o favorito é o ex-petista Darci Lermen.

* Em Pau D'Arco, o que era segredo vazou para os ouvidos do povão. Agora, no município, a revolta é geral contra decisão da Câmara Municipal de ter feito uma reunião sigilosa e aumentado o salário dos vereadores em 100%.

* O vereador Neto do Chicão, que não tem papas na língua, entregou a parada durante um programa de rádio em Redenção. Manifestações em Pau D' Arco contra o absurdo aumento já estão sendo organizadas.

* Cuidado com as coisas que você fala ao telefone. O “Grande Irmão” pode estar te ouvindo.

3 comentários:

  1. Diria o lendário Papudinho: "pesquisa qualquer um faz, se eu quiser mando fazer uma e me coloco lá em cima... e aí?"

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  2. Engano seu Carlos Mendes olha o que diz o "Blog Sol de Carajás", o mais acreditado e combativo do Sudeste do Pará:

    PARAUAPEBAS: "estamos trabalhando, corrigindo erros e melhorando a gestão pública"
    "A população está reconhecendo, saímos de uma grave crise política no município e já estamos em franca recuperação, o trabalho vai aparecendo naturalmente".
    Mudança perceptível.
    O Blog ouviu a seguinte avaliação de várias pessoas e também de membros do governo de Parauapebas, afirmam que hoje a administração municipal tem uma equipe, parte dela chegou a menos de um ano, mas a mudança é perceptível.
    Uma equipe
    No governo a confiança é grande, hoje tem uma equipe que colocou a casa em ordem e a população começa a ver o resultado, essa é a avaliação interna, feita por membros do governo de Parauapebas.
    Eleições
    Não nos preocupa a questão eleitoral, o foco é trabalhar e buscar o reconhecimento por parte da população. As eleições ficam pra outro momento, não há tempo para colocar a questão eleitoral na frente dos problemas que o município enfrenta, temos soluções e estamos encaminhando.
    Melhorou a gestão
    Indiscutivelmente, a gestão pública em Parauapebas melhorou muito, o atual governo tem o que mostrar. A população reconhece, mas temos que trabalhar mais e focar nos cidadãos.
    Aprovação do governo é boa
    A aprovação do governo foi um dado relevante, considerando a margem de erro da pesquisa que foi divulgada recentemente, cerca de metade da população aprova.
    A aprovação é melhor que de qualquer outro governante nesse momento, seja estadual ou federal, temos muitos problemas, mas estamos conseguindo mostrar pra população que estamos trabalhando.
    Temos obras
    Foram realizadas muitas obras, estamos em fase de conclusão do hospital, tem convênio com universidades, acabamos de firmar um com a UEPA, há muito o que mostrar.
    às 08:32

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  3. Meu caro anônimo, isto está parecendo release de assessoria de imprensa. A tinta é para pintar um céu cor de rosa em Parauapebas. Os bairros da periferia, abandonados, em tempos de eleição viram a salvação da lavoura de votos. Hilário. Prefeitos impopulares apelam para esse velho expediente quando o povo cobra melhorias não realizadas. Infelizmente, esse não é um problema somente de Parauapebas. Só que em seu município a corrupção, as fraudes e o superfaturamento de obras superam as raias do absurdo. Se você não quer ver, posso te convidar a concorrer ao prêmio "Luneta de Galileu", que o blog vai instituir para céticos que não querem ver o óbvio ululante.

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