VER-O-FATO: 47 MORTOS EM CONFLITOS DE TERRA NA AMAZÔNIA, 19 DELES NO PARÁ, DIZ CPT

quarta-feira, 2 de março de 2016

47 MORTOS EM CONFLITOS DE TERRA NA AMAZÔNIA, 19 DELES NO PARÁ, DIZ CPT

A tensão é permanente em muitas áreas rurais do Estado do Pará
 
Dos 50 assassinatos registrados no Brasil por situação conflituosa no campo, 47 foram na Amazônia, sendo 20 em Rondônia, 19 no Pará, 6 no Maranhão, 1 no Amazonas e 1 em Mato Grosso, informou o membro da coordenação executiva nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Ruben Siqueira durante o lançamento da publicação “Amazônia, um bioma mergulhado em conflitos – Relatório Denúncia”.

De acordo com o Siqueira, o relatório apresenta casos de conflitos emblemáticos enfrentados por comunidades dos estados que compõem a Amazônia Legal. “Esse relatório é mais qualitativo do que quantitativo, mostra nove casos em cada estado da Amazônia escolhido para representar, ainda hoje, o mundo dos conflitos e da violência em que estão inseridas as comunidades do campo”, comenta. 

Sobre a proposta, ele diz que é sensibilizar os leitores, a sociedade e as autoridades para um drama humano que essas comunidades estão vivendo enfrentando madeireiras, mineradoras e grilagem de terra, onde deparam-se com a violência e a omissão do Estado.

O evento que aconteceu, ontem, no Instituto de Teologia Pastoral de Ensino Superior da Amazônia (ITEPES), na Chapada, região central de Manaus, teve a presença de Josep Iborra, da Articulação das CPT’s da Amazônia, Padre Zezinho Lima da Arquidiocese de Manaus e Gerson Priante, viúvo da liderança Dora Priante, assassinada em Iranduba (AM) no ano passado. Priante conta que a iniciativa é um espaço próprio para as pastorais sociais para atualizar, divulgar e denunciar os dados de conflitos na região.

“O caso da Dora não foi incluído, porém retrata bem o que o relatório mostra. Depois do assassinato teve toda atenção, mas depois esqueceram, foi jogada na vala comum como mais um caso e é isso que não queremos. Temos tentado buscar e apurar para identificarmos os culpados, até agora duas pessoas foram presas, mas tudo caminha lentamente”, lamenta. Mesmo com a demora da justiça, o viúvo recomenda o grito dos que vivenciam situações de violência.

“Não tenham medo de denunciar, para não disseminar o clima de impunidade que cria uma insegurança mais generalizada. Mesmo que não acredite que resolverá de imediato, temos que denunciar. Ficamos muito tempo calados”, desabafa.
Para a coordenadora da Comissão Pastoral da Terra (CPT/AM), Maria Clara Motta é importante que o Governo faça a reforma agrária. “A terra virou um comércio, o bem mais precioso que cada um paga e tem o direito, ao invés de beneficiar as famílias locais, muitas pessoas de fora vem ocupar a região e o governo deixa de atender a necessidade do seu povo”, argumenta.

Comissão monitora 38 ameaçados

De acordo com a coordenadora da Comissão Pastoral da Terra (CPT/AM) Maria Clara Motta, não é só a zona rural que sofre com conflitos de terras. “Nós temos 38 pessoas ameaçadas de morte em todo o Amazonas sendo acompanhadas pelo CPT, na capital temos um caso registrado na comunidade Nobre, no Santa Etelvina, a pessoa já sofreu três atentados. Nosso trabalho é sempre ajudar quem precisa, acolhendo quem está em situação de conflito”, destaca. A coordenadora informa que de 2010 a 2015 aproximadamente 12 pessoas foram mortas em função de conflitos no Amazonas.

Riquezas geram os conflitos

A infinidade de riquezas naturais da região amazônica é apontada pela CPT como atrativo, há décadas, dos interesses dos poderosos de dentro e fora do País, culminando nos conflitos no campo. De acordo com o levantamento, das 144 pessoas que receberam ameaças de morte no campo durante o último ano, 93 estão na região Norte. Trinta tentativas de homicídios também foram registradas. Fonte: A Crítica, de Manaus.

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