VER-O-FATO: PROTESTO CONTRA CALOTE DE EXPORTADORES DE GADO EM BARCARENA

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

PROTESTO CONTRA CALOTE DE EXPORTADORES DE GADO EM BARCARENA


Como os exportadores falharam, o embarque de gado para o exterior terá problemas
Naufragou - por culpa exclusiva dos exportadores de gado, que não cumpriram a promessa de liberar a primeira parcela do dinheiro - o acordo fechado, na semana passada, entre eles e algumas comunidades de Barcarena atingidas pelo impacto do naufrágio do navio Haidar, que afundou no porto de Vila do Conde com quase 5 mil bois no dia 6 de outubro do ano passado. O presidente da Companhia Docas do Pará (CDP) Parsifal Pontes, foi quem intermediou o acordo entre as partes.
 
O tal acordo previa o repasse de R$ 900 mil, sendo R$ 450 mil até sexta-feira passada e o restante no decorrer desta semana.  Mas, com o calote, o clima voltou a ficar tenso em Barcarena. Revoltados, os líderes que participaram da reunião na CDP prometem fechar a estrada da Alça Viária e a entrada do porto de Vila do Conde, impedindo o embarque de 20 mil bois para o exterior. 
 
Os exportadores, agindo com esperteza, chegaram a embarcar 2 mil cabeças de gado que se encontram dentro de um navio,, enquanto aguardam a entrada de mais caminhões no porto com 7 mil bois. Outros 11 mil bois estão em fazendas próximas de Barcarena à espera de embarque para carregamento de outros navios. 
 
"Fomos enganados, esse pessoal não tem palavra. Eles só pensam em lucro e dinheiro e não gostam de cumprir os acordos que fazem", desabafou um dos líderes da comunidade local. Na sexta-feira, Parsifal Pontes, após a assinatura do acordo, chegou a declarar que o acerto entre as partes representava "uma espécie de armistício entre os exportadores de gado e a comunidade local”. 
 
Na verdade, nem chegou a haver armistício. Para as comunidades, a quebra do acordo representa uma "declaração de guerra". O pior é que o gado já embarcado no navio estaria sofrendo com as más condições do tempo, o mesmo acontecendo com os bois confinados nas fazendas à espera do embarque. Eles ficam presos e não podem tomar sol ou chuva, patinando em fezes e sujeitos à contaminação por insetos.

"Os prejuízos se acumulam nas comunidades. Com essa atitude, os exportadores enganaram as comunidades e o próprio Parsifal, além de todos os outros exportadores que dependem do porto de Vila do Conde", declarou o advogado Ismael Moraes, defensor de várias entidades da região.

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