VER-O-FATO: O "FURO" DO BLOG, A DECISÃO DO STF SOBRE AS DESEMBARGADORAS, E A FRASE DE RAUL THADEU

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

O "FURO" DO BLOG, A DECISÃO DO STF SOBRE AS DESEMBARGADORAS, E A FRASE DE RAUL THADEU

Raul Thadeu, falecido em 2009: "se não falou comigo, não falou com ninguém".
 
Dileto amigo do redator deste blog - quanta saudade ele faz, após seis anos de sua partida para outro plano -, o repórter Raul Thadeu da Ponte Souza, certo dia, chegou atrasado para uma entrevista coletiva com Djalma Melo, então superintendente da Sudam. 

Na ante-sala do gabinete de Melo, suado, aflito, justificou o atraso, alegando que precisara cumprir  outra pauta do jornal. Thadeu saiu-se com esta ao ouvir da secretária do superintendente que a coletiva já havia acabado fazia mais duas horas e que Melo falara para toda a imprensa.

"Minha senhora, diga ao seu chefe superintendente que quem está aqui é Raul Thadeu, repórter de "O Liberal. E diga também que se ele não falou com "O Liberal" não falou com ninguém". Após soltar a frase desconcertante e atrevida e acariciar o bigode a la Salvador Dali, o incrível Raul Thadeu ficou aguardando a reação da secretária.

A mulher entrou às pressas no gabinete, não demorou nem um minuto, e logo saiu, convidando o repórter a entrar na sala de Djalma Melo. A entrevista de Raul Thadeu foi a manchete do dia seguinte de "O Liberal".

O episódio com Raul Thadeu - um dos intelectuais mais brilhantes que Belém já teve - serve para ilustrar aquilo que antigamente se chamava "furo" jornalístico, uma notícia como a decisão do STF de afastar pela segunda vez, agora de forma definitiva, do Tribunal de Justiça do Pará, as desembargadoras Marneide Merabet e Vera Araújo. 

Só o blog Ver-o-Fato noticiou a decisão da Segunda Turma do STF. Nem "O Liberal", nem o "Diário do Pará", os dois maiores jornais do Estado em circulação, deram a notícia. Presume-se que não deram porque não tinham a informação. Ou porque ninguém nas duas redações recebeu a dica de alguma fonte para o julgamento que havia ocorrido na terça-feira. A notícia era fresca, no bom sentido.

Mas, como na atitude de Raul Thadeu ao chegar atrasado à entrevista coletiva na Sudam e ainda assim sair de lá com a manchete do jornal, não custava nada correr e recuperar a informação perdida. 

A postagem do Ver-o-Fato sobre a decisão do STF ocorreu por volta das 11 da noite de ontem. E nessa hora, nas redações, vive-se a esquizofrenia daquilo que, no jargão jornalístico, chama-se "fechamento". Se ninguém olhou o blog, dançou. Mas nada justifica levar "furo", ainda mais em hora de "fechamento".

Raul Thadeu, mesmo com atraso, recuperaria o tempo perdido e garantiria a manchete do jornal no outro dia.  Estivesse ele em qualquer jornal.

Thadeu deve ter se revirado de raiva no túmulo.


3 comentários:

  1. Pois é, meu caro Mendes.Um 'furo" puxa o outro.Fui capa(foto) de O Liberal em uma coletiva para dezenas de jornalistas de todo o país, quando um barco que levava colonos para a Tranamazônica naufragou próximo ´ à localidade de Antonio Lemos, relativamente perto de Belém.peto de Belém.Morreram dezenas de colonos -a quase totalidade vinda do Sul(Sta. Catarina, Paraná e R.G. do Sul e familiares).O pte. do Incra(nacional) estava na sede do órgão onde hoje é(ou era) uma casa de recepções na Magalhães Barata com a 14 de Abri(ou seria 3 de Maio?) .Com a coletiva encerrada, um funcionário graduado do Incra conseguiu que eu falasse, agora a sós com o figurão.Quando o indaguei se toda a tripulação do barco 'Anamã" era paraense, ele se disse admirado:"Ninguém me fez essa pergunta".Mas eu fiz e falei com o comandante do barco quase de madrugada, na casa dele, na Condor.E O Liberal deu o furaço.Folha do Norte e A Província do Pará, os nossos concorrentes à época, sobraram feio.Qualquer dia posto a foto do jornal.Por isso é que concordo com o Audálio Dantas.Repórter são pessoas que perguntam.

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  2. Reza a lenda que, quem tem fiofó tem medo.

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  3. Certa vez, uma figura de destaque que estava sendo atacada pela imprensa, pediu um conselho ao Raul Tadeu, sobre a necessidade de se defender publicamente. "Fica quieto, deixa que os canalhas logo te esquecem", foi a resposta de quem conhecia como poucos o funcionamento da engrenagem jornalística.

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