VER-O-FATO: O DESEMPREGO É VELOZ EM BELO MONTE: 15 MIL TRABALHADORES JÁ FORAM DEMITIDOS

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O DESEMPREGO É VELOZ EM BELO MONTE: 15 MIL TRABALHADORES JÁ FORAM DEMITIDOS

Pelo menos 15 mil trabalhadores - dos 37 mil que estavam envolvidos na obra desde o começo - foram demitidos nos últimos dois meses pela empresa Norte Energia, responsável pela construção da hidrelétrica de Belo Monte. Eles estão desempregados porque a usina já está com 90% da obra pronta e não precisa mais deles. A maioria dos demitidos já saiu das cidades próximas da usina, como Altamira, Vitória do Xingu e Senador José Porfírio, levando seus familiares. 

Muitos trabalhadores, porém, ainda perambulam por essas cidades, alimentando a esperança de ser deslocados para a construção da hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, a cerca de 500 km de Belo Monte. A promessa de aproveitar essa mão de obra na região do rio Tapajós foi do governo federal, mas devido a "entraves ambientais e indígenas" isso ainda não será possível.

O leilão da usina no Tapajós, que estava marcado para o dia 15 de dezembro passado, foi adiado pelo Ministério das Minas e Energia sob a alegação da “necessidade de adequações aos estudos associados ao tema do componente indígena”, segundo justificativa apresentada pelo governo. Com a contratação dos demitidos de Belo Monte, a intenção era evitar a onda de desemprego no Pará, o que já está acontecendo.

Além dos "entraves" - na verdade, a mobilização de comunidades, ambientalistas e procuradores da República, além de lideranças indígenas -, o governo sabe que não será tão fácil como imagina fazer as populações da região engolirem a construção da hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, mais uma obra cercada de desconfiança e polêmica sobre os impactos sociais e ambientais que irá provocar. 

Uma longa batalha judicial, por outro lado, já está em andamento. O próprio governo admite que a obra, se ele vencer todos os obstáculos, só começará em 2017. 

Até lá, os demitidos comerão o pão que o diabo amassou.

A situação dos demitidos é dramática e muitos já deixaram as cidades da região.
 

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