domingo, 7 de fevereiro de 2016

O CARNAVAL, OS POLÍTICOS E A ELEIÇÃO À PREFEITURA DE BELÉM

Edmilson, do PSOL: um dos favoritos, mas vinculação com o PT pode atrapalhar
Eder Mauro, do PSD: um xerife na PMB? Só a campanha responderá

Zenaldo, do PSDB: 400 problemas a resolver na cidade e a máquina na mão

O reitor Carlos Maneschy: candidato de Helder e Jader? Nome ainda desconhecido
Na mitologia grega, Momo (Momus) era a personificação do sarcasmo, da reclamação, da culpa e da ironia. Ao contrário do que se pensa, Momo era mulher, patrona de escritores e poetas, representada com uma máscara que levantava para exibir seu rosto, e com um boneco numa das mãos, simbolizando a loucura. Filha de Nix (sem pai), aparecia constantemente no cortejo de Dionísio, ao lado de Comos, deus das farras. Conta-se que Momo foi convidada para avaliar a criação de três deuses em concurso: Atena, Poseidon e Hefesto.

Criticou Atena por ter criado a casa, pois devia ter rodas de ferro em sua base, para que o dono pudesse levá-la assim que viajasse. Zombou do deus do mar por ter criado o touro com os olhos sob os chifres, quando esses deveriam estar no meio, para que ele pudesse ver suas vítimas. Por fim, riu do ferreiro dos deuses por ter fabricado Pandora sem uma porta para que se pudesse ver o que ela mantinha oculto em seu coração.

Não bastando isso, ironizou Afrodite, dizendo que não passava de uma tagarela e que usava sandálias que rangiam, e teve a audácia de fazer comentários jocosos sobre a infidelidade de Zeus para com Hera. Seus atos a levaram ao exílio do Monte Olimpo.

Muito bem. Essa, digamos assim, introdução mitológica, foi para dizer que enquanto, pelo país afora, os foliões entregam-se de corpo e alma a Momo, mascarando-se ou de cara limpa pelas ruas, os políticos se reúnem em ambientes fechados para montar um outro bloco, o de candidatos à eleição de prefeito e vereador. No momento, a coisa ainda anda meio devagar, mas nos bastidores já tem bloco formado, principalmente em Belém.

Dois candidatos, com chances de bater o atual prefeito tucano Zenaldo Coutinho, já estão praticamente definidos. Pelo PSOL, o deputado federal Edmilson Rodrigues é o nome da vez e não há ninguém dentro do partido disposto a bater chapa contra ele. A vereadora Marinor Brito, um nome forte, não será candidata, a não ser à reeleição, e fecha com Edmilson. O vereador Fernando Carneiro, que em outras oportunidades já foi para o sacrifício em eleição majoritária, também não será candidato, a não ser a um novo mandato.

Prefeito de Belém por duas vezes, Edmilson é um nome sempre lembrado pelos eleitores em qualquer pesquisa que se faça. Mas há quem veja nele uma velha vinculação com o PT - partido hoje em queda livre -, por já ter pertencido a esse partido e dele se desligado antes dos escândalos do Mensalão e Petrolão. Uma aliança com o PT, dizem alguns analistas, seria fatal para Edmilson. A zica petista passaria para ele.

Xerife? Outro deputado federal, cotado entre os favoritos, é Eder Mauro, delegado de polícia licenciado. Polêmico, o candidato do PSD foi subindo pelas beiradas, aproveitando o vácuo de novas lideranças políticas no Estado. Cresceu em cima da falta, no Estado, de políticas públicas consequentes para o combate à criminalidade, apresentando-se como "caçador de bandidos".

Para alguns, Eder Mauro não tem o perfil do gestor que Belém exige. Seria mais uma espécie de xerife que, de caneta na mão, de dentro do gabinete, iria limpar a cidade, disparando tiros contra os malfeitores. O deputado rejeita essa visão e se diz preparado para assumir a prefeitura. Seu desempenho na campanha eleitoral, porém, é que dirá se ele está certo ou errado.

Zenaldo Coutinho, o prefeito dos 400 anos, tem pelo menos 400 problemas a superar para bater Edmilson e Eder Mauro na eleição. Sua gestão é pálida e necessita de transfusões sucessivas para sua pretensão de se reeleger ganhar alguma cor menos mórbida. É mal assessorado, tem um secretariado fraco e caiu na esparrela - ou esperteza - de entregar parte de seu governo nas mãos do irmão, Guto Coutinho.

Há problemas pontuais nessa candidatura do PSDB. Faltam obras na cidade, que tem um dos piores trânsitos do país, a saúde é caótica e a coleta de lixo, deficiente. Há quem fale que somente por obra de um milagre o atual prefeito poderia se reeleger. Seu trunfo é a máquina de poder que tem nas mãos, embora isso possa ter um efeito bumerangue. Ou seja, voltar-se contra ele próprio.

Quem ? - Jader Barbalho, o cacique de todas as horas do PMDB, desta vez está numa sinuca de bico. Ele simplesmente não tem candidato e tenta fabricar um em seu laboratório político. Se quisesse e realmente estivesse disposto a apoiar, teria no deputado Priante o nome da hora. Estranhamente, o senador prefere buscar seu ungido fora do PMDB. Vá entender a mente de Jader.

Comenta-se, nos bastidores, que o atual reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Carlos Maneschy, seria o principal nome do senador peemedebista e de seu filho, Helder, este de olho na eleição para o governo, em 2018. A outra opção seria Duciomar Costa, o inacreditável Dudu. Talvez seja por isso que o jornal inimigo de Jader, "O Liberal" já esteja disparando petardos contra Maneschy, para queimá-lo. Verdade ou não, uma coisa é certa: fora dos muros da UFPA, poucos conhecem Maneschy. Só dependeria dele próprio se fazer conhecer.

Essas reuniões de carnaval entre os políticos, como se vê, acabam sempre  fazendo barulho e dando em samba. 
 
Às vezes, desafinado.

3 comentários:

  1. Carlos Mendes que tal fazer uma reportagem sobre os procedimentos internos do Ministerio Publico do estado, por que tudo tem que ser levado ao Conselho Superior para investigar alguma falcatua. No Ministerio Publico Federal nao é assim.

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  2. Se a coisa entrou nesse ritmo no MP, então nada anda bem por lá. Isso soa como controle e castração do trabalho dos promotores. Estes, internamente, devem combater essa prática centralizadora que emperra investigações e, quem sabe, pode até direcionar o que deva ser investigado. O blog vai apurar sua denúncia e ouvir as partes.

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  3. O professor Maneschy deixando-se manipular pelo Jader Barbalho essa cobra criada vai acabar seus dias como nunca imaginou. Quem te viu professor.

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