Linha de Tiro - Gilberto Valente

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

NOSSOS BENFEITORES SÃO BONZINHOS. PRECISAMOS DE INIMIGOS?

Apesar dos protestos, a obra não parou: agora, nem 4% da energia abstecerá o Pará
A hidrelétrica de Belo Monte está com 90% de suas obras concluídas. Mas, antes que suas turbinas sejam ligadas, algumas dúvidas persistem na cabeça de milhões de paraenses. Uma delas é qual percentual dessa energia será distribuído para beneficiar nossos municípios, muitos dos quais ainda são abastecidos por usinas termelétricas, que gastam muito óleo para funcionar e poluem o meio ambiente.

As notícias, por enquanto, são desanimadoras. Elas dizem que o Estado não ficará sequer com 4% da energia distribuída. Pior é que hoje nem a outra hidrelétrica gigante aqui instalada, a de Tucuruí, consegue suprir a carência de pequenas cidades e vilarejos por energia elétrica.

A usina de Tucuruí, como a de Belo Monte, foram concebidas para atender a outras regiões do país, principalmente o Sul e o Sudeste, onde estão os grandes polos industriais. É a lógica da colônia que serve ao colonizador nua e cruamente, sem viés político-ideológico. No Pará, alguns chiam contra isso, mas é um chiado tão tímido que não produz nenhum eco em gabinetes refrigerados de Brasília.

Se os 4% de paraenses têm pressa de receber essa energia nos próximos meses, eles que esperem pelo menos por mais dois anos. O linhão de Belo Monte que chegará ao Sul e Sudeste só estará pronto em 2019 e custará 1,6 bilhão de dólares, cerca de 6,4 bilhões de reais. Será um dos mais extensos do país com seus 25 mil quilômetros de cabos e 4.500 torres. A usina, com 11.233 megawatts de capacidade, enviará 99% de sua geração para as regiões que concentram quase 70% do consumo nacional.

A construção dessas linhas em direção a Minas, São Paulo e Rio de Janeiro, contudo, esbarrou num problema no final do ano passado: a empresa Abengoa, cuja matriz fica na Espanha, paralisou as obras porque, enrolada na Justiça e ameaçada de falência, ingressou com pedido de recuperação judicial. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que regula o setor, teme que isso prejudique a geração de energia antes de o primeiro linhão começar a funcionar.

Segundo um relatório da Aneel, considerando as previsões atuais dos agentes, é bastante provável que haja restrição de geração no período de novembro de 2016 a julho de 2017. O principal empreendimento paralisado da Abengoa é a linha de transmissão que interliga a usina, no Pará, a Miracema do Tocantins. A linha, que deverá passar por 22 municípios, foi licitada em 2013 e deveria entrar em operação em agosto deste ano. Mas, com os atrasos, só deve começar a transmitir energia em setembro de 2017.

A própria Aneel estima que Belo Monte, na fase inicial de operação, irá gerar abaixo de 1 mil megawatts. No final de 2016, essa geração aumentará para 3 mil megawatts. Gradualmente, a geração irá aumentando com a entrada em operação de novas turbinas. A previsão é de que a capacidade máxima, superior a 11 mil megawatts, será alcançada no primeiro semestre de 2019.

Já deu para sentir que a hidrelétrica em nada beneficiará o Pará. Pelo contrário, as quase 8,5 milhões de almas que habitam o estado continuarão a pagar a tarifa mais alta de energia do país. Tudo debaixo das barbas de políticos que não moveram uma palha para impedir que isso acontecesse. Quer dizer, o almoxarifado paraense continua farto. E pronto para continuar a ser saqueado. Até por aqueles que se dizem nossos benfeitores.

Com benfeitores assim, não precisamos de inimigos.

___________________BASTIDORES_________________

**A manchete do jornal Correio, caiu como uma bomba em Canaã dos Carajás. A revelação dos números da arrecadação, retirados do próprio Portal da Transparência da prefeitura, deveria forçar o prefeito Jeová Andrade a vir a público explicar onde e como gastou o dinheiro de obras e serviços.

**São realizações aquém do dinheiro arrecadado e a população sabe disso. Os maiores beneficiados foram empresas contratadas sem licitação e com valores de serviços que superam os preços de mercado. As contas estão no TCM. Será que resistirão a uma análise rigorosa?

**Termina nesta quinta-feira,4, o prazo dado pela Capitania dos Portos para que o navio Haidar, que afundou com 5 mil bois vivos, no porto de Vila do Conde, no começo de outubro do ano passado, seja retirado do fundo do rio Pará.

**Se até a data estipulada pelo capitão dos Portos, Alcide Carvalho Neto, a embarcação não for retirada, ele irá pedir judicialmente o perdimento do navio em favor da União. Que, nesse caso, ficará responsável pelo içamento.

**Nesse caso, as despesas com a retirada do navio e a destinação das carcaças dos bois serão pagas pelas empresas seguradoras do Haidar.

5 comentários:

  1. Carlos Mendes, acompanho o teu blog há muito tempo. Gostei da coluna Bastidores, que diversifica notícias e esclarece algumas dúvidas.

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  2. Seja benvindo, Ronaldo. Também te acompanho, hoje tentando ajudar o Clube do Remo a superar enormes dificuldades para situar-se à altura de sua grandeza. Como torcedor do Paysandu, como você sabe, torço para que o Leão vença suas demandas e atinja o patamar que merece. Quanto aos "Bastidores", é uma coluna que pretendo ampliar aqui no blog, já que ela, originalmente, é editada em minha coluna de toda quinta-feira no Correio, o jornal de Carajás. O blog terá uma coluna específica, com notas curtas e com o "filé" da nossa política, economia, negócios, meio-ambiente. Obviamente, informações exclusivas, já que minhas fontes, embora eu já não esteja mais em "O Liberal" ou no "Diário do Pará", não me deixam em paz. Uma doce e agradável perturbação, aliás. Volte sempre por aqui, Ronaldo. Um abraço.

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  3. Carlos Mendes, obrigado pela recepção e ao convite para " voltar sempre". Farei. O teu comentário sobre o Remo e PSC, deveria ser norma de conduta à todos os amantes dos desportos. O engrandecimento dos dois, a rivalidade que é necessária, deve ser sempre estimuladas. O ódio irracional que infelizmente é inoculado nas torcidas, tem que ser banido, para não nos tornarmos irracionais. A grandeza dois dois gigantes trará lucros recíprocos e também engrandecerá o nosso Pará. Abraço.

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  4. Verdade, Ronaldo. O que o blog puder fazer para estimular essa rivalidade sadia, sem os irracionalismos de algumas facções de ambos os lados, pode ficar certo de que o fará. Aguarde as matérias esportivas do blog, numa linguagem que você e os demais leitores irão gostar. Obrigado.

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  5. Flávio Gonlçalves3 de fevereiro de 2016 16:20

    Continuaremos a pagar a tarifa mais alta e se duvidar ainda irão aumentar mais só para sacanear mesmo!

    Será que as empresas responsáveis pelo Haidar irão pagar mesmo? Olha não sei não.

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