segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

FEIRA OU SHOPPING CENTER? O VER-O-PESO NA BALANÇA DO PODER


 
Francisco Sidou *


Em nome do progresso demoliram, com as picaretas da insensibilidade, o majestoso prédio do "Grande Hotel "para em seu lugar erguerem um prédio modernoso e sem "alma". A exemplo do Copacabana Palace, no Rio, o Grande Hotel seria hoje uma referência internacional e uma das "caras" de Belém.
 
Em nome também do progresso e da ambição imobiliária predatória, destruíram os quintais de Belém , substituindo as áreas verdes de "respiração" da cidade por enormes torres tórridas que servem de barreiras para o vento da baia não mais entrar na cidade, que vai ficando cada vez mais quente.
 
Agora, também em nome do progresso, querem transformar o Ver o Peso,  referência e  patrimônio imaterial de Belém como a maior feira livre da América Latina, em um "shopping center" modernoso, desfigurando sua identidade e arrancando suas "raízes" com a cultura paraense.
 
Por que não se ouve a opinião de feirantes e usuários do Ver-o-Peso em audiências públicas? Por que os gestores públicos não gostam de ouvir a população e só procuram o "diálogo" às vésperas de eleições ? E o Ministério Público, não pode agir em nome da sociedade provocando essas audiências públicas sobre o Projeto do Novo Ver o Peso?
 
Desculpem, mas perguntar é a principal ferramenta de um jornalista. E não ofende a quem nada tem para esconder.
 
Qual será a próxima agressão ao patrimônio cultural de Belém? Transformar o Theatro da Paz em uma feira de artesanato? Ou vender o Bosque Rodrigues Alves para alguma construtora de torres tórridas de cimento, vidro e aço?
 
* Francisco Sidou é jornalista e escritor 

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