VER-O-FATO: DECOMPOSIÇÃO DE CARCAÇAS E REJEITOS SÃO A JOGADA PARA RETARDAR O RESGATE DO NAVIO HAIDAR E ECONOMIZAR CUSTOS

domingo, 28 de fevereiro de 2016

DECOMPOSIÇÃO DE CARCAÇAS E REJEITOS SÃO A JOGADA PARA RETARDAR O RESGATE DO NAVIO HAIDAR E ECONOMIZAR CUSTOS

 

O resultado da tragédia: R$ 1 bilhão em prejuízos e enrolação no resgate


No dia 6 de outubro do ano passado, o município de Barcarena foi palco de uma tragédia até agora muito mal resolvida: o naufrágio do navio Haidar, de bandeira libanesa, com 5 mil bois, que embarcariam para a Venezuela. Ancorado no porto de Vila do Conde, o navio foi a pique sem que até agora se saiba as causas. Os prejuízos sociais e ambientais abalaram a vida de pelo menos dez mil famílias que vivem no entorno das praias e rios de Barcarena, atingindo também localidades e a praia do Beja, em Abaetetuba. 

O inquérito, para apurar as causas do acidente e apontar os responsáveis, ainda não foi concluído. Tudo bem. Esse é apenas um lado dos fatos. Inquéritos demoram, porque   representam o desenho de uma peça a ser moldada juridicamente pela denúncia do Ministério Público e, mais na frente, pela sentença judicial, responsabilizando eventuais culpados. 

É preciso, antes, ouvir a todos, checar depoimentos e confrontá-los com os fatos, solicitar laudos e novas diligências, caso necessárias. Enfim, estabelecer o contraditório e a ampla defesa até o julgamento. Não se quer, nem se deve, cobrar precipitação, seja da Polícia Civil, seja da Capitania dos Portos, cada uma em seu quadrado de apuração dos fatos.  

As Justiças Federal e Estadual, por sua vez, provocadas pelos Ministérios Públicos, já fazem sua parte, até com surpreendente agilidade nas demandas quanto aos prejuízos sofridos pelas comunidades e os estragos ao meio ambiente. Nesta semana que começa, por exemplo, termina o prazo dado pela Justiça Federal para que o navio seja retirado do fundo do rio.

Isso vai ocorrer, agora? Ou o juiz federal Arthur Pinheiro Chaves, autor da cobrança, terá que mandar prender alguém?  

Pois é justamente aí que as coisas se complicam. O outro lado da estória, o que mais tem incomodado a todos os envolvidos, direta ou indiretamente no resultado desse naufrágio, é que parece estar em curso uma manobra para retardar, não se sabe até quando, o resgaste do Haidar do fundo do rio Pará. 

E no meio dessa manobra - vista por alguns, mas negada por outros - está em jogo uma fortuna, em euros, dólares e reais. Desde a empresa escolhida para içar o navio do fundo, até a responsável pelo destino final da carga sinistra, composta por carcaças de pelo menos 4.500 bois, chorume e parte do óleo que ainda se encontra na embarcação. 

Oito empresas, sete estrangeiras e apenas uma brasileira, disputam a preferência do resgate. Elas já apresentaram seus planos de içamento da embarcação e quem faz a análise desses planos e definirá a escolha  é a inglesa  Brooks Bell, tida como criteriosa nas suas escolhas e avaliação técnica. As empresas mais cotadas na disputa para o resgate: Tsaliris, Smit, Resolve Marine, Mammoet Salvatage e Ardent Global.

O problema é que os donos do navio, dos bois que morreram e as seguradoras da embarcação, querem retardar ao máximo que puderem o resgate. E seu objetivo é um só: economizar custos.  O discurso é de que o dinheiro precisa ser economizado para pagar as indenizações pelos prejuízos causados às comunidades e ao meio ambiente.

Tempo - Com a demora do resgate - já se fala em mais seis meses, no mínimo, para o começo da operação -, assim pensam seus idealizadores, a natureza ganharia mais tempo para fazer a decomposição das carcaças e do chorume, tornando o trabalho mais barato. Economizam custos e viram as costas, lixando-se para os problemas socias ambientais que estão causando.

Os cálculos mais modestos estimam em R$ 600 milhões os valores envolvidos na operação, mas há quem avalie que tudo, no final, chegará a R$ 1 bilhão. Uma quantia impressionante, que envolve desde o valor do navio - a está altura imprestável, já que era uma embarcação adaptada para o transporte de gado vivo - até os custos da missão para resgatá-lo e de outra operação delicada, a da destinação final da carga indesejada.

Até quando essa manobra vai durar? Com a palavra os Ministérios Públicos, a Capitania dos Portos e as Justiças Federal e Estadual. 

Ninguém quer ficar mais a ver navio. No fundo.   

11 comentários:

  1. Parabéns pela reportagem Carlos. Um estado omisso e irresponsável.Só por se tratar da região Norte estamos sem repostas. Órgãos ambientais amadores e despreparados. Uma seguradora internacional que está fazendo o que quer a 5 meses.

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  2. Se esse acidente tivesse acontecido na região sudeste já teria sido resolvido. Como estamos no Norte do Brasil meu amigo esse navio vai apodrecer lá em baixo, águas contaminadas, população doente e cada vez mais miserável. E que se importa com isso? Nosso governador? Ele não sabe nem as consequências ambientais para aquela região

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    1. Imagine aí se fosse ao contrário, navio brasileiro em terras estrangeiras? Isso só prova que nosso país não tem moral nenhuma, ninguém respeita as leis. Devem estar rindo dos prazos até agora não cumpridos. Tá virando palhaçada.

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  3. As pessoas só estão preocupadas como ganhar dinheiro com isso. Preocupação com a população e meio ambiente??? kkkkk faz-me rir.Estamos no Brasil e no Pará. Essa seguradora não sabe nem o que é o Pará, deve achar que aqui só tem índio, onça e cobra. O que são bois se decompondo no fundo do rio? Deixa lá que os peixes comem. o IBAMA não está fazendo nada mesmo.

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    1. Mesmo que o Ibama faça eles não estão nem aí, porque não cumpriram nenhum prazo até agora. Só rindo muito mesmo.

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    2. Vamos aguardar o prazo do Ministério Público Federal, pq se também não for cumprido aí pode dizer que estamos no meio de um circo onde os palhaços somos nós cidadãos.

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  4. 5 meses é pouco para um estado de incompetentes e despreparados. Nossa secretaria de meio ambiente não faz nada e muito menos o IBAMA

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  5. Esse conjunto de problemas exige providências concretas. Fala-se que nada anda nesse caso porque estudos técnicos para tirar o navio do fundo são complexos e demorados. Mas cinco meses já é tempo para uma definição. Ou não é?

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    1. Será que esse é o primeiro navio na história da navegação a naufragar? Ou tá faltando profissionais qualificados para fazer esse estudo? Isso é uma falta de respeito com a população que está sofrendo as consequências desse descaso.

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  6. A CDP e o senhor Parsifal Pontes e a Marinha via Capitania dos Portos são também responsáveis pela demora, uma vez que nada fazem para o tal navio sair do fundo se fossem brasileiros os proprietários teriam agido rapidamente. Tudo é lamentável de ver e só nos resta confiar na ação da Justiça.

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  7. Essa seguradora não respeitou prazo do MPF e da Marinha Brasileira. O último prazo descumprido foi essa semana estipulado pelo senhor Carvalho Neto da Marinha para a empresar apresentar o plano de retirada e nada foi feito. Já deveriam ter dado voz de prisão a muita gente.

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