segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

ALAMAR RÉGIS SUBIU. PALMAS PARA ELE, QUE SOUBE CRIAR E OUSAR NA IMPRENSA DO PARÁ

Inri Cristo e sua polêmica entrevista na TV Guajará, em 1982. Régis (E), Zé Paulo e Eloy Santos na foto
Régis homenageia Zé Paulo durante o TV Cidade

Um dos muitos encontros entre os dois amigos


Eu poderia escrever muitas coisas sobre Alamar Régis Carvalho, seja sobre a pessoa - alegre, cheia de piadas e histórias a contar, espírita e polêmico -, seja sobre o profissional de TV, rádio e jornal, que comigo atuou na imprensa paraense, ou a dedicação a uma de suas paixões, a informática. Não, não tenho condições de me alongar sobre nada. 

Apenas lamentar sua morte e dizer que ele, agora, descansa em paz, certamente aprontando poucas e boas esteja onde estiver. Régis era criativo, inquieto e ousado. Três predicados que forjam um ser humano diferenciado. E é essa lembrança dele que ficará comigo. Nossa amizade não se abalou nem mesmo quando ele deixou Belém e foi morar em Salvador, Santos e depois em São José dos Campos. 

Sempre ligava, perguntava pela família, e relembrava os bons momentos que tivemos na imprensa. Vez ou outra, me relatava as polêmicas que mantinha com alguns religiosos, sobretudo do meio espírita. 

Minha emoção com a partida do Régis não me permite ir além do que disse acima. Perdi um amigo, quase irmão. Prefiro que outro amigo e irmão fale por mim. José Paulo Vieira da Costa, o Zé Paulo, conta abaixo um pouquinho sobre o que foi e quem foi o Régis. Fala, Zé Paulo...     

"Mas quando que morte tem lá poder de afastar amigo! Muito menos esse, o primeiro a acreditar em mim e fazer eu acreditar, sim, que seria capaz de fazer o que eu faço! Alamar Régis Carvalho foi o parceiro de tantas loucuras da profissão, que me fizeram chegar até aqui. Ele, diretor de programação da Guajará/Globo, foi quem me puxou da locução para a produção e, juntos, depois de muitas peripécias, retornamos com a emissora para o primeiro lugar em audiência, depois de anos apanhando da Marajoara/Tupi.

As novelas da Globo, por exemplo, aqui em Belém, terminavam 1 semana depois do último capítulo ir ao ar no Rio e na maioria das praças. Recebíamos a programação através de tráfego aéreo, a D. Conceição, presidente das Rádio e Tv Guajará, não admitia pagar Embratel pra gravar a programação de madrugada e, assim, ter tudo up-to-date no ar. 

O Régis conseguiu convencer Boni e Walter Clark, os manda-chuvas da Rede Globo, na época, a inverter o tráfego nacional, e a programação passou a vir logo no dia seguinte à exibição no Rio, uma maravilha, contando que o avião pra cá não atrasasse nem tivesse vôo cancelado Anos depois, ele já tinha saído da Guajará, o diretor de programação era eu, mas sempre disponível, foi ele, Régis, que descobriu em um hotelzinho da Padre Eutíquio, e juntos fizemos um especial e botamos o Eloy Santos para entrevistar, o Inri de Indaial, o homem que se dizia - e se diz até hoje - reencarnação de Cristo, o programa explodiu e fizemos mais 2 especiais. 

Em um dia de aniversário meu, durante eu estar apresentando o Tv Cidade, ele irrompe dos bastidores, toma o microfone da minha mão e me faz a mais tocante e bonita homenagem que alguém já me fez, daquelas cafonas e lindas, ao estilo do Esta é a Sua Vida, imagino o trabalhão que ele teve para produzir aquilo! 

E quanta coisa foi produzida por ele junto comigo, por mim junto com ele, algumas, de morrer de rir. Depois, ele foi embora, morou em Salvador, em Santos, em São Paulo, e, agora, tinha acabado de se mudar para São José dos Campos. Vivia dos livros que escreveu, todos irreverentes iguais a ele, e de programas espíritas que apresentava pelo Internet.

Nunca perdemos o contato, passávamos horas no telefone, ele gostava sempre de perguntar pelas mesmas pessoas, o papo era igual, mas era diferente, sei lá. E quem sabe qualquer dia ele liga de novo! Vou aguardar. Até mais ver, amigo velho! Tô triste, muito!, mas sei que estás em paz".

Um comentário:

  1. Carlos Mendes e Zé Paulo, estou tb bastante entristecido com a partida do Alamar. Tenho nos meus arquivos cartas que muito me tocaram.Alamar era um homem justo. Por todos os motivos, Alamar está em lugar que ele sempre sonhou. Emotivo como o Carlos Mendes, paro por aqui.

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