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Linha de Tiro - 19/04/2018

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

ABANDONADOS, “BRANCOS” E ÍNDIOS DO PARÁ PERDEM A PACIÊNCIA COM O GOVERNO E FECHAM BR-163



A panela de pressão está para arrebentar em Novo Progresso, município paraense localizado na fronteira com Mato Grosso, na região sudoeste do Estado. A insatisfação do povo é com o Incra, a Celpa, o Ibama e outros órgãos governamentais, acusados de abandonar a região coberta pela rodovia BR-163 (Santarém-Cuiabá), que está novamente bloqueada, desta vez há três dias, por movimentos sociais, sindicatos de trabalhadores e índios. Eles avisam: “o bloqueio é por tempo indeterminado”. 
O blog Ver-o-Fato recebeu vídeos, fotos e a pauta de reivindicações dos manifestantes, que garantem: só irão liberar a estrada depois que seus pedidos forem atendidos. O repórter Jorge Tadeu, residente em Novo Progresso, colaborador deste blog e com trabalhos publicados no jornal “O Estado de São Paulo”, relata que a situação é de revolta, com queixas de todos os lados. A fila de veículos retidos no bloqueio é enorme próximo à cidade de Novo Progresso. Em uma parte da estrada, à altura do km 1.086 ficam os “brancos” com um rosário de insatisfações. 
São representantes de associações de agricultores, de moradores, de mulheres, da agricultura familiar, de produtores rurais, do Projeto de Desenvolvimeno Sustentável “Terra Nossa”, e do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) e de uma comissão de posseiros das glebas Gorotire e Curuá. Mil metros adiante, ainda na rodovia, ficam os líderes índígenas, armados de arcos e flechas, representados pela figura máxima do cacique Bep Y Kayapó.
O cacique disse ao blog Ver-o-Fato uma frase lapidar: “índio não se mistura com branco”. Ou seja, cada um no seu quadrado, pois na região os índios tem suas queixas dos “brancos”, acusados de invadir e degradar suas terras e matas. O cacique, porém, assinou o mesmo documento dos “brancos” endereçado às autoridades, contendo reivindicações comuns. 
Aliás, são cinco as principais reivindicações:
1) Execução de obras para a instalação de rede elétrica nas aldeias indígenas, no perímetro do PDS Terra Nossa e nas proximidades vizinhas.
2) Realização de obras para construção e melhoria das estradas vicinais de acesso às aldeias indígenas, ao PDS Terra Nossa e às propriedades próximas.
3) Conclusão dos trabalhos já efetivados pelo Incra, a fim de que seja possível a regularização definitiva do PDS Terra Nossa, sanando completamente os conflitos possessórios existentes na região.
4) A finalização da obra da Casa de Apoio à Saúde Indígena (Casai) e do Centro Cultural Indígena no município de Novo Progresso. 
5) Reestruturação da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Novo Progresso, para que ela não seja mais vinculada à CR Kayapó Sul do Pará, localizada em Tucumã, em razão da enorme distância entre os dois municípios, mais de 1,2 mil quilômetros.

“Brancos” e índios avisam: a estrada só será liberada depois que as cinco reivindicações forem atendidas. Os pedidos de socorro dos manifestantes – na verdade, o pleno exercício de cobrança de direitos não satisfeitos – foram endereçados ao seguintes órgãos federais, estaduais e instituições: presidência Nacional do Incra, Polícias Federal e Rodoviária Federal, Civil, Militar, Celpa, diretoria geral do Dnit, presidência da Funai, Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do estado do Pará (MPPA), Tribunal de Justiça do Pará (TJE), Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), prefeitura de Novo Progresso e Câmara Municipal do município, Ouvidoria Agrária Nacional, Federação de Agricultura do Pará (Faepa), jornais, TVs e rádios.

Se cada uma dessas autoridades fizer sua parte, os problemas de “brancos” e índios da BR-163 (Santarém-Cuiabá) serão resolvidos.

Ou não? 

O engarrafamento é enorme há três dias na BR-163. Fotos de Jorge Tadeu

Os índios kayapós também estão furiosos e têm queixas do governo 
O aviso foi dado: a manifestação só acaba com reivindicações atendidas

  Veja o vídeo do bloqueio

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