quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

O BOLO CRESCE, MAS A FATIA NÃO É IGUAL

Cercada pela floresta amazônica e rica em minérios, eis Parauapebas
Nos próximos cinco anos, até 2020, os investimentos privados na região de Carajás atingirão 92 bilhões de reais, de um total de 171 bilhões nas outras regiões do Estado. É mais que o dobro dos 41,9 bilhões previstos para o Tapajós, e quase o triplo dos 32,1 bilhões do Xingu. Em Carajás, vive uma população de 629 mil habitantes, mais da metade deles nas cidades de Marabá e Parauapebas. Com um Produto Interno Bruto (PIB) - que é a soma de tudo o que é produzido na região - de 25 bilhões, essa riqueza representa 28% do PIB paraense e 57% do que é gerado por todas as indústrias do Estado.

Isso tudo significa que Carajás, que concentra a maior produção de ferro do Estado e a segunda maior de bovinos e de leite, será fundamental, como tem sido nas três últimas décadas, na geração de receita para o erário, embora a chave que abre o cofre e a caneta que assina a distribuição desses recursos estejam localizadas em Belém, onde fica o poder governamental.

O negócio é o seguinte: na distribuição do bolo financeiro, quem mais produz riqueza é quem fica com a melhor fatia, que será traduzida em obras e serviços a favor da população? Resposta: claro que não. A distribuição obedece ao critério da necessidade, pois é preciso, pelo menos em tese, olhar para todas as regiões, principalmente as mais carentes. Assim, as regiões mais ricas ajudariam a desenvolver as mais pobres.

Na hora do aperto, contudo, o sacrifício é distribuído entre todos. E aí, na prática, o mais pobre é quem sofre mais. Ou seja, o critério de distribuição igualitária de recursos por região não é o mesmo na hora do corte de investimentos. Para falar a verdade, nunca foi. Se assim fosse, o Marajó, que sempre foi a região mais pobre do Pará, com índice de miséria entre os piores do país, não estaria na situação que está. Há muito teria saído da indigência.

O Marajó é a região que, além dos piores índices de desenvolvimento humano, carrega a chaga social de ser a porteira estadual do tráfico de pessoas para o exterior e da prostituição infantil. Duas vergonhas para fazer corar qualquer governante.

O problema não é desse ou daquele partido no poder, mas de olhar o Estado com as peculiaridades que ele tem e reforçar com investimentos as áreas sociais mais utilizadas pela população. Construir hospitais regionais, como fez o governador Simão Jatene, ajudou a diminuir a sensação de abandono das regiões mais distantes de Belém.

Mas e a educação, o saneamento e a segurança pública, setores que também exigem aplicação permanente de recursos, seja com novas obras ou na manutenção das já existentes? Para 2016, as notícias não são boas. Os investimentos, em tais setores, estão muito abaixo do que se poderia prever.

Para variar.

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