segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

MORADORES FECHAM ACESSO AO PORTO DE VILA DO CONDE

Os moradores se dizem abandonados e enrolados por governos
Moradores de comunidades próximas ao porto de Vila do Conde, em Barcarena, fecharam desde o começo da manhã o acesso ao embarque e desembarque de carga, protestando contra o que chamam de promessas não cumpridas pelas autoridades. Eles cobram a falta de regularização de terras da cidade e exigem a suspensão imediata de embarque de bois no local, além de outras reivindicações.

Os manifestantes apresentam várias reivindicações durante o ato, destacando cinco pontos. E prometem ficar no local até que alguém do poder público os chame para conversar. A Polícia Militar está no local, tentando liberar o acesso. A Companhia Docas do Pará (CDP) nega que o embarque de bois pelo porto tenha sido retomado. 

Para Bosco Oliveira, do movimento União das Entidades Barcarenenses (UEB),  que engloba 17 associações, cooperativas e sindicatos do município, há um completo descaso dos governantes, seja federal, estadual ou municipal, para a solução de inúmeros problemas que afligem as vidas de milhares de famílias, como a falta de saneamento, poluição e degradação ambiental provocadas por empresas multinacionais que "ganham bilhões" e nada deixam como compensação social pelos estragos que fazem em Barcarena. 

"Chega, ninguém aguenta mais a forma como somos tratados", disse Bosco. Ele informou que a pauta de reivindicações às autoridades inclui cinco pontos considerados fundamentais para que os problemas sejam resolvidos. Mas avisa que nada será decidido sem a presença e a fiscalização dos próprios interessados, já que a desconfiança de todos é grande quanto às promessas feitas pelos governos.  Os cinco pontos são os seguintes:

1-  A suspensão da construção da bacia de rejeitos da multinacional Hydro. Os moradores temem um novo desastre ambiental entre outros já provocados por essa empresa na região.

2- Regularização fundiária das terras de Barcarena, que o Serviço de Patrimônio da União (SPU) até hoje não fez. A insegurança das famílias que residem nessas áreas é muito grande quanto a expedição de seus títulos de terra. Há inclusive áreas quilombolas sem titulação. Elas vivem há anos, mas empresas multinacionais que se instalaram recebem toda a atenção dos órgãos governamentais, compram terras e logo têm os documentos em mãos, enquanto os verdadeiros ocupantes das terras sequer são recebidos nos gabinetes oficiais. 

3-  Suspensão imediata do embarque de bois até que os problemas provocados pelo naufrágio do navio Haidar, em 6 de outubro do ano passado, sejam resolvidos pelos governos. Entre eles, a retirada do navio do fundo rio, às margens do porto, e a liberação das praias de Vila do Conde, que continuam interditadas. Os prejuízos decorrentes dessa interdição são grandes para os pequenos comerciantes e moradores que sobrevivem em função do turismo. As famílias se dizem enganadas por autoridades como o ministro dos Portos, Helder Barbalho, que mandou entregar 5 mil cestas básicas e pagar um salário mínimo para apenas 200 pessoas, e só. Nunca mais Helder ou gente do governo apareceu em Barcarena.

4- Criação de um fundo para o desenvolvimento social e econômico das comunidades de Barcarena que hoje se sentem abandonadas pela prefeitura. A reivindicação aponta que esse fundo seria abastecido de recursos pelas empresas que exploram as riquezas do município. Eles também querem que esse dinheiro seja empregado na construção de uma universidade em Barcarena. A própria comunidade, em conjunto com os gestores municipais, fiscalizaria a aplicação do dinheiro

5-  A transparência nas contas públicas do município. A queixa dos moradores é de que o dinheiro do orçamento da prefeitura está sendo desviado para corrupção no governo do prefeito Antonio Carlos Vilaça. Alegam que dos R$ 25 milhões pagos na forma royalties pelas empresas, apenas R$ 7 milhões aparecem como investimentos. Os outros R$ 18 milhões ninguém sabe o destino.

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