Linha de Tiro - Gilberto Valente

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

FRAUDES EM CONCURSOS FERRAM A VIDA DE QUEM ESTUDA


Não foi a primeira vez, nem será a última, que quadrilhas tentarão fraudar um concurso público, como ocorreu nesse dos bombeiros, ontem. O pior é que, vira e mexe, uma fraude aqui, outra ali, nada acontece. No começo, se faz o maior alarido, divulgam-se prisões, revelam-se métodos sórdidos de cola eletrônica, sinais de celulares, vazamento de provas, o diabo a quatro. Depois, tudo esfria até o próximo concurso e a próxima fraude. 

Quem paga o pato é a maioria que luta para passar num concurso desses, gasta o dinheiro que não têm, estuda feito louco, abdica de lazer e diversão, para no final verificar que bandidos, às vezes, até são aprovados, numa concorrência desleal com as pessoas honestas.  

A verdade é que não apenas no Pará, mas em todo o país, vive-se uma epidemia de fraudes em concursos. Segundo a Polícia Federal, cerca de 2 mil desses concursos apresentam algum tipo de fraude capaz de provocar anulação. No final do ano passado, por exemplo, a PF descobriu 42 certames adulterados por uma organização criminosa liderada por um técnico judiciário de Rondônia.

Há mandados de prisão contra fraudadores espalhados por vários pontos do país: São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Alagoas, Rondônia. Além de disseminados, os esquemas estão cada vez mais criativos. No caso da Operação Afronta, da PF, os fraudadores usaram de microcâmeras a pontos eletrônicos, praticamente imperceptíveis, para obter as respostas das provas.
 
“Como o vazamento de informações é feito por meio da tecnologia, muitas vezes usando internet, fica mais difícil descobrir e responsabilizar os culpados na esfera criminal”, disse o advogado Sérgio Camargo, especialista em concursos públicos. A situação se complica porque os crimes digitais ainda são pouco abordados na legislação brasileira. “Não há dúvidas de que aumentou o número de fraudes em concursos públicos. Acredito que só ficamos sabendo de uma minoria”, afirmou.

Malandros - Segundo Camargo, apesar de existirem vários critérios de segurança — como marca d’água e numeração de lote de provas —, os bandidos têm conseguido driblá-los. “O mal avança na frente do bem, porque os fraudadores sempre inovam na forma de praticar o crime”, alertou Camargo. Para ele, falta preparo por parte da administração pública para coibir as fraudes. Na falta de medidas eficientes, ela costuma recorrer ao caminho mais fácil: a anulação do certame.

“As consequências na vida de quem se preparou para um concurso são incalculáveis. Cancelar as provas é uma atitude arrasadora, principalmente para pessoas que se dedicaram muito. Tem gente que fica anos estudando e perde a oportunidade por culpa da má-fé de terceiros”, afirmou Carlos Mendonça, professor de direito previdenciário do Gran Cursos Online. Ele ressaltou que, por não chegar à raiz do problema, a suspensão do certame nem sempre é a melhor solução. “É a mais fácil, mas não resolve o número de ocorrências”, assinalou.

Na avaliação de Camargo, é preciso atentar para os prejuízos incalculáveis aos outros candidatos. Mesmo se remarcar a prova e isentá-los de pagamento das novas inscrições, a administração pública não cobre outros prejuízos, como passagens e hospedagens dos que viajam para fazer as provas. “É preciso mais rigidez na punição de fraudadores e de quem se beneficia dos esquemas”, resume.

No caso do concurso dos bombeiros, o blog sugere que as pessoas prejudicadas procurem o Ministério Público para reclamar e buscar a anulação da prova.

Um comentário:

  1. Em principio eu nao acredito em concursos estaduais e municipais

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