sábado, 23 de janeiro de 2016

FORAGIDO POR FRAUDES DE 180 MILHÕES, PARAENSE É CAÇADO FORA DO BRASIL





A interpol, espécie de Polícia Federal internacional, está caçando em vários países o paraense Fabrízio Dulcetti Neves, acusado de fraudes na gestão de recursos do Postalis, o fundo de pensão dos Correios. Em agosto do ano passado, a CPI dos Fundos de Pensão decidiu quebrar o sigilo bancário, fiscal e telefônico dele, que não apareceu para depor. Aquela altura do campeonato, a Polícia Federal já andava no encalço dele. 

Segundo as investigações, o esquema fraudulento, que pode ultrapassar R$ 180 milhões, ocorreu de 2006 a 2011 e “lesou todos os contribuintes do fundo”, de acordo com o delegado Milton Fornazari Junior, chefe da Delegacia de Repressão a Ilícitos Financeiros da PF em São Paulo. Fabrízio é um dos donos de dois fundos que continham mais de R$ 370 milhões em aplicações do Postalis – cerca de 5% dos ativos do fundo de pensão. Investigadores da operação confirmaram que o paraense é suspeito de fazer aplicações fraudulentas no exterior com recursos do Postalis.



Um mandado de prisão foi emitido contra ele, que está foragido. A PF levantou informações de que Neves estava morando nos Estados Unidos, mas tirou recentemente um passaporte italiano e se mudou para a Europa. Por ter o paradeiro desconhecido, o investigado foi incluído na lista de procurados pela Interpol. As polícias americana e italiana, além da Interpol, trabalham em cooperação com a PF para prendê-lo.


Matérias dos jornais "O Estado de São Paulo", "Folha de São Paulo" e "O Globo", além de revistas semanais, explicam que a fraude consistia na compra de títulos do mercado de capitais por uma corretora americana. Depois, ele os revendia por um valor maior para empresas sediadas em paraísos fiscais. Posteriormente, os títulos eram adquiridos pelos fundos do Postalis com um aumento de 60% no valor real dos títulos. “Existiram operações que, no mercado de capitais, em dois dias, tiveram valorização de 60%”, afirma Alexandre Manoel Gonçalves, delegado que coordenou a operação. “Foi uma manobra para valorizar artificialmente um recurso num curto período de tempo”, emendou.



Buscas - Segundo a PF, mais da metade dos R$ 180 milhões que teriam sido desviados foi apropriada pelos investigados, que incluem pessoas que decidiam onde seria aplicado os recursos e também por ex-dirigentes do Postalis. Os dois fundos que tinham o dinheiro eram geridos pela Atlântica Administradora, que tinha como responsáveis Neves, André Barbieri e Cristiano Giorgi Muller. As residências deles em São Paulo foram alvo de busca e apreensão.


Também estão os investigados Alexej Predtechensky, ex-presidente do Postalis, e o ex-diretor financeiro do fundo Adilson Florêncio da Costa. Na operação, foram bloqueados imóveis dos investigados, visando futuro ressarcimento dos prejuízos causados aos fundos. Os sete mandados de busca e apreensão emitidos – no Distrito Federal, em São Paulo, em Belém (PA) e em João Pessoa (PB) – visam localizar novas provas e identificar o destino dos recursos desviados. 

Os investigados poderão responder por crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, apropriação de recursos de fundos e lavagem de dinheiro, com penas que variam de 2 a 12 anos de prisão.

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