sábado, 23 de janeiro de 2016

CARCAÇAS SÃO RECOLHIDAS E ÓLEO AINDA VAZA DE NAVIO


Em sacos brancos, as carcaças são levadas pelo guidaste à caixa da empresa

Aspecto do navio submerso no porto. Dá para ver muito óleo ainda vazando

As carcaças são retiradas da água por mergulhadores e guiadas por um guindaste

A denúncia é de que a barreira de contenção já está saturada de óleo

O blog voltou com força total ao caso do navio Haidar, que prestes a completar quatro meses de naufrágio no porto de Vila do Conde, com 5 mil bois vivos, ainda se encontra no fundo do rio Pará. A Marinha deu quinze dias de prazo para que o navio seja içado. Sempre empenhado em informar seus eleitores, o Ver-o-Fato recebeu nesta tarde fotos de movimentação no porto e em algumas dessas fotos é possível verificar que o óleo continua vazando de dentro do navio, tingindo de preto as barreiras de contenção, de cor laranja. Essa barreira, segundo uma fonte, já se encontra totalmente saturada.

Outra movimentação verificada foi a presença de um mergulhador e de uma bomba, talvez para retirar óleo do navio que ainda vaza. Mas o que chamou a atenção foi o recolhimento de carcaças de bois do fundo do rio, colocadas dentro de sacos e içadas por um guindaste que as guaiava e depositava numa caixa de ferro da empresa Cidade Limpa, de Ananindeua. Um caminhão aparecia logo em seguida, recolhia até caixa de ferro com os carcaças e a conduzia para lugar incerto.
 
Esse trabalho vem sendo feito só nos finais de semana, talvez para não chamar a atenção. Durante o recolhimento das carcaças foi possível também observar a presença de um veículo e homens do Ibama no porto, tudo fazendo crer que havia autorização do órgão para aquele trabalho da Cidade Limpa.

Foi ela quem enterrou 40 bois mortos no naufrágio numa área próxima do porto, provocando protestos de moradores da região. Para enterrar os bois, a empresa obteve licença do Ibama. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Semas) recusou-se a dar a licença, entendendo que aquela não era uma solução ambientalmente correta.

Procurado para explicar o que significa aquela movimentação no porto, o presidente da Companhia Docas do Pará (CDP), Parsifal Pontes, declarou que o trabalho de retirada das carcaças “nunca parou”. Ele explicou que depois que a CDP encerrou os serviços de recolhimento e descarte emergencial das carcaças que emergiram e daquelas que vazaram para as praias, a empresa Mammoet Salvage, contratada pela seguradora para drenar o óleo combustível, continuou a remoção das carcaças e o faz até hoje.

“O descarte é feito nas covas abertas e licenciadas pelas autoridades ambientais. A retirada, todavia, pelas peculiaridades do local é lenta (há dias que o peso das ondas e o movimento das marés impede o trabalho o dia todo. A média de trabalho por dia é de 5 horas) por isso defendemos a solução de içar o navio com tudo dentro e depois fazer o descarte”, observou.

Parsifal disse não ter conhecimento, todavia, que sejam usados "sacos brancos", no recolhimento das carcaças, pois a empresa Cidade Limpa tem contêineres. “A Cidade Limpa opera no porto de Vila do Conde para várias empresas lá estabelecidas (não é contratada pela CDP e sim pelas empresas), e remove vários tipos de materiais que são incinerados em seu forno. Pode ser que esses sacos contenham outros materiais de destinação ambiental específica do próprio atividade do porto e estejam sendo confundidos como contendo carcaças”, ressaltou o comandante da CDP, dizendo que vai averiguar o caso relatado pelo blog.

Sobre a existência de mergulhadores e de uma bomba, segundo fotografias enviadas ao blog, Parsifal disse que são os mergulhadores que retiram as carcaças, pois elas não mais emergem. “Há um time de 6 mergulhadores lá, tanto para retirada das carcaças como para monitorar o navio, diariamente, para verificar se ele está acomodado ou se sofre qualquer tipo de movimento. Devem, então, estar levando os sacos para o interior do navio, ensacando as carcaças, e içando para a superfície”. 

Altos custos - A respeito de as carcaças serem recolhidas pela empresa Cidade Limpa, ele esclareceu que ela presta o serviço à Mammoet Salvage e sempre fez isso. “O descarte é nas covas licenciadas. A operação foi sempre essa: recolhimento, contêineres, descarte. A empresa é licenciada pela Semas para operar com esse tipo de lixo”. Por fim, sobre o vazamento de óleo no rio, Parsifal declarou que todo o óleo dos tanques foi drenado (700 mil litros). As barreiras de contenção, todavia, não foram retiradas por regulação ambiental internacional, pois as máquinas dos navios contêm óleo lubrificante e combustível que não são retirados antes do içamento por absoluta possibilidade de desmontar as engrenagens no fundo.

“As máquinas do Haidar, pela sua magnitude, contêm cerca de 5 a 10 mil litros de óleo (imagine que dentro de um motor de um carro pequeno há cerca de 6 litros de óleo. O motor de um Gol, por exemplo, é a cabeça de um alfinete e um dos motores do Haidar é uma melancia). O movimento das marés e das ondas que circulam o navio, o movimentam, chacoalhando-o e isso pode causar pequenos vazamentos do óleo contido nas máquinas, por isso as barreiras não podem ser retiradas e a equipe de captação superficial não pode ser desativada. Isso é monitorado 24 horas. As barreiras, quando sujas, são substituídas por limpas, e são lavadas para prontidão de substituição, pois a Marinha, para cumprir legislação internacional, não permite saída de navios do porto sem que estejam com os cascos absolutamente limpos e nenhum navio entra em um porto que esteja com óleo flutuando, por isso a contenção tem que ser absoluta”.

Ele disse ainda que todo esse trabalho tem altos custos “uma fortuna”, sem que o navio ainda tenha sido retirado do fundo do rio. Pelos cálculos do dirigente da CDP, esses custos já superam duas vezes o valor do navio. Só o serviço de flutuação, por exemplo, custa três vezes mais o valor da embarcação. Por isto, resume, as discussões entre os armadores e seguradoras são demoradas
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7 comentários:

  1. Os contribuintes vão pagar pore ssa insanidade em Barcarena, senhores Parsifal, Helder, Jatene? É incompetência demais ainda não terem desemborcado o navio. A Justiça nada faz para reparar esses crimes.

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  2. Caro anônimo, a Justiça Federal tem um processo que está praticamente pronto para julgamento. Esse processo está nas mãos do juiz Arthur Pinheiro Chaves, da 9ª Vara Federal de Belém.

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  3. A situação é que as grandes empresas fazem o que querem, e, realmente, quem fica com o prejuízo é a população.

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  4. Sou fã do blog pela iniciativa de postar assuntos exclusivos que não vemos em jornais como Diario do Pará e Liberal. A imprensa vai mal, todavia blogs como o ver o fato caem no gosto de um público exigente por notícias verdadeiras e não manipuladas. Parabéns.

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  5. Que feio fazer tudo às escondidas! Mas por quê? A população não merece ser enganada. Só aumenta meu repúdio com o descaso que estão dando para tamanha situação. Pra que existem Leis Ambientais? Como acreditar num órgão que deveria zelar pelo Meio Ambiente está compactuando com um absurdo desses?

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  6. Parabéns ao Sr. Carlos Mendes que brilhantemente mostra, através de seu blog, o que de fato está acontecendo.

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  7. Essa denúncia é extremamente grave e precisa ser averiguada com rigor pelos órgãos ambientais.Estamos diante de um crime ambiental por vários motivos. Primeiro a empresa Mamoet Salvage foi, segundo o Ministério Público Federal em duas ações civis públicas, foi contratada para retirar 700 mil litros de óleo e não remoção de carcaças. Parsifal fala de covas abertas licenciadas. Por favor gostaria que ele anexasse esse documento para termos vistas nesse blog. Essas cavas não foram licenciadas pois o destino final dessas carcaças ainda não foi definido. O que existe é uma autorização em carácter emergencial e provisório para se enterrar as carcaças que escaparam da contenção lá no início do acidente e as que eventualmente flutuassem. Ele fala que não tem conhecimento que sejam utilizados "sacos brancos" no recolhimento das carcaças e depois fala que estão levando os sacos para dentro do navio, carregando e içando. Parsifal continua falando que a empresa Cidade Limpa presta serviço para a Mamoet. Agora me confundi de verdade.Para o serviço de enterrar 300 bois a CDP contrata a Cidade Limpa por 10 milhões de reais e agora o contrato é com Mamoet para outro serviço ou será o mesmo? Tenho curiosidade em ler esses contratos, assim como O MPF. E para fechar com chave de ouro o Presidente da CDP tem a coragem de dizer que o óleo que vemos ainda vazando trata-se de óleo de dentro de equipamentos. Esse vazamento deveria ser mínimo e não formar grandes manchas no rio como vemos até mesmo em imagens aéreas. Quanto despreparo. Barreiras de contenção sujas, mal dimensionadas, mas é o que podemos esperar de um Porto que nem Plano de Atendimento à emergência tem. Parsifal aproveite e anexe o Licenciamento de Operação do Porto, pois com tantas orelhadas acredito que nem isso devem ter. Será? Não meu Deus, isso não.

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