sábado, 23 de janeiro de 2016

CAPITANIA DÁ PRAZO DE 15 DIAS PARA RETIRADA DE NAVIO QUE AFUNDOU COM 5 MIL BOIS



É inacreditável, não estivéssemos no Pará, onde a tranca só trava a porta depois de ela ter sido arrombada, que um navio naufragado no dia 06 de outubro de 2015 - quase quatro meses depois do acidente em que morreram 5 mil bois -, ainda repouse lépido e faceiro no fundo do Rio Pará, mais precisamente no porto de Vila do Conde, em Barcarena. 

Passado o festival de promessas para que o navio Haidar fosse içado e se cuidasse de dar uma destinação decente e segura para as carcaças, resíduos, óleo e chorume que ainda se encontram dentro da embarcação naufragada, o que se vê e se ouve em Vila do Conde, além do barulho das ruas em volta, gritando e exigindo por uma solução, é um silêncio ensurdecedor, que ecoa até em Belém.  Um silêncio, diga-se de passagem, marcadamente doloso.

De concreto, o que foi feito para compensar os danos sociais e ambientais provocados pela tragédia às dezenas de comunidades da região? Resposta: pouca coisa, quase nada. O que mais se viu foi pirotecnia política. Até o ministro dos Portos, Helder Barbalho, apareceu por lá, distribuindo cestas básicas, um sorriso maroto e demagogia. O governador Simão Jatene, por sua vez, nem isso fez. Ele simplesmente não deu as caras em Vila do Conde, como se o porto não ficasse em território por ele governado. Uma lástima. 

Aliás, a providência de mandar enterrar cerca de 400 bois num terreno arrumado às pressas, pagando-se R$ 10 milhões a uma empresa de Ananindeua, foi outra medida que revelou-se paliativa. Tanto que o Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) e Defensoria Pública, na ação judicial impetrada em dezembro passado, pedem que as carcaças sejam desenterradas e levadas a outro lugar para incineração. 
 
A verdade é que, hoje, nada se fez e nada se faz, a não ser criar dificuldades burocráticas e adoçar a mídia com palavras que mais confundem que explicam - só para lembrar o velho palhaço Chacrinha -, para devolver limpas à população as praias interditadas, indenizar os enormes prejuízos de quem perdeu trabalho e renda, restabelecer com segurança a navegação no porto, e levar para bem longe a carga sinistra ainda contida dentro do navio. 


Ultimato - A única providência sensata, correta e urgente, tomada até agora, veio do capitão dos Portos do Pará e Amapá, o capitão-de-mar-e-guerra, Aristide Carvalho Neto. Num edital de intimação publicado no último dia 18 na imprensa - uma informação importante que passou batida dos pauteiros dos jornais - Carvalho Neto deu prazo de 15 dias para que o navio Haidar seja retirado do fundo do rio. 

O chefe da Capitania dos Portos cita na intimação, publicada no Diário Oficial da União, as empresas  Sleiman Co & Sons, na pessoa de seu proprietário, Hussein Sleiman, e do comandante do navio, Abdulrahman Barbar; Tamara Shiping, armadora; e a seguradora Al-Bahriah Insurance & Reinsurance S.A.L. 

Caso os proprietários e a seguradora não retirem o navio do fundo no prazo determinado, a Capitania avisa que eles serão penalizados pela lei, que determina a perda da embarcação, além de se responsabilizarem por perdas, danos, e indenização das despesas de remoção do navio.    

"A permanência da referida embarcação no local onde se encontra naufragada, constitui-se em perigo à navegação, agravamento dos danos de terceiros e ao meio ambiente e prejuízos à atividade portuária, decorrentes do impedimento do uso dos berços de atracação", diz o capitão da Marinha, na justificativa da intimação. 

É assim que se trabalha. 

2 comentários:

  1. Impressionante como um acontecimento tão grave e causador de grande dano ambiental, onde além de atingir diretamente a natureza com a poluição atinge também a população que dela sobrevive, não ganhou repercussão nacional. Isso é absurdamente inaceitável, quatro meses passados e a única medida tomada foi “sepultar 400 bois” ao preço de 10 milhões, medida emergencial que já deveria também ter sido resolvida. Os 400 bois enterrados estão causando prejuízos ao nosso solo. Agora pergunto: Onde estão os verdadeiros culpados? Talvez sentados tomando um belo café esperando serem punidos, porque já devem ter percebido que a Lei aqui no Brasil, é lenta e caminha a passo de tartaruga. QUEREMOS SOLUÇÃO! CHEGA DE PROMESSAS!

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  2. Como cidadã paraense me envergonho muito que passado quase quatro meses ainda não tivemos a solução para esse grave acidente. Me envergonha a omissão do estado em aceitar informações falsas sendo divulgadas na mídia por conta da CDP. Que nos informa que só existe osso no navio, que os peixes e as marés já se encarregaram de todo o serviço. Essa informação não tem embasamento técnico algum, pois a decomposição em rios é bem mais lenta que ao ar livre. Com interesse próprio pessoas divulgam informações sem fundamento. Infelizmente a nossa população carente e sem informação não tem como questionar e muitas vezes acreditam nesses falsários. E se a decomposição dessa matéria orgânica estiver tão avançada, que não é o caso, o que farão com todo o líquido contaminado (chorume) que se encontra dentro do navio? Jogar no rio? Enterrar? Se não atentarmos para isso meus amigos paraenses teremos uma enorme contaminação de toda essa região, pois esse material todo está confinado dentro desse navio e precisa ser coletado e ter a destinação adequada ambientalmente. Algumas empresas próximas da região já apresentaram alternativas mais corretas como a incineração. Mas como falamos de Brasil e de um estado subdesenvolvido temos que lutar contra interesses políticos escusos. Quem sofre sempre é a população pobre e o meio ambiente.

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