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Linha de Tiro - 19/04/2018

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

MAIS LIBERDADE E MENOS ESTADO, EM 2016


Um povo que nunca se deixa abater, até nos momentos mais difíceis, certamente dará a volta por cima para superar as crises que não criou. 

Em 2016, mais liberdade e menos interferência do Estado na vida das pessoas. 

São os votos deste blog a todos os leitores.

PAPÃO E LEÃO TERÃO FUTEBOL FEMININO EM 2016

Em 2012, 2013 e 2014, essas meninas foram tricampeãs pela Tuna Luso
Em 2015, as mesmas jogadoras foram campeãs pelo Pinheirense. Agora, elas são do Paysandu
As garotas da Esmac deverão vestir a camisa do Remo. Antes, agora em janeiro, jogarão o Brasileiro pelo Pinheirense.


O blog Ver-o-Fato anuncia um furo jornalístico, mas pede que os jornalistas esportivos de Belém que lerem essa notícia e quiserem reproduzí-la em seus veículos de comunicação dêem o crédito da informação. O Paysandu terá a volta do futebol feminino em 2016, o que deve aumentar ainda mais a frequência das mulheres em jogos do clube e no programa Sócio-Torcedor.  O Papão receberá um time inteiro, já montado, que é tetracampeão paraense desde 2012 - três vezes pela Tuna Luso, e uma vez pelo Pinheirense.  

Já o Remo, absorverá a equipe da Escola Superior Madre Celeste (Esmac), vice-campeã de 2015. A dúvida é se o clube oriundo dessa fusão se chamará Esmac/Remo ou simplesmente Remo. As conversações já foram iniciadas entre os dois clubes. A Esmac, embora não tenha ainda conquistado nenhum título nos últimos anos, é o clube feminino melhor estruturado da região metropolitana de Belém.

O coronel Antonio Carlos Nunes, hoje o manda-chuva do futebol brasileiro, pois é vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), com a possibilidade de assumir a presidência - caso Marco Polo del Nero seja afastado - é entusiasta do futebol feminino e é quem tem dado força para que os dois gigantes do futebol nortista invistam no setor, prometendo inclusive ajuda a Remo e Paysandu. Nunes defende a ideia de interiorização do campeonato, como ocorre com o futebol dos homens. 

O investimento no futebol feminino do Pará, que tem tudo para atrair patrocinadores, deveria ser espontâneo, por iniciativa de nossos maiores clubes, e não obrigatório. Segundo a Medida Provisória 671, assinada pela presidente da República, Dilma Rousseff, clubes devedores são obrigados a investir no futebol feminino como contrapartida pelo reparcelamento de dívidas com o governo. O Papão já entrou no programa, mas o Remo, ainda negocia sua entrada. 

Nos anos 80, Remo e Paysandu tiveram boas equipes de futebol feminino, ganhando títulos. A rivalidade entre as meninas, dentro de campo, era igual ou maior que entre os homens. Como as diretorias dos dois gigantes eram praticamente amadoras, não planejavam seus custos, nem valorizavam a força da mulher no mercado do futebol de campo, a competição entrou em decadência até que os clubes extinguissem seus departamentos de futebol feminino. 

O detetive Bastos, com o seu Independente Futebol Clube, ainda insistiu com o futebol feminino, obtendo reconhecimento nacional, inclusive com vitória do clube paraense dentro do estádio de São Januário, sobre o Vasco da Gama. Agora se espera que a coisa engrene de vez. O futebol feminino veio para ficar e a CBF, do coronel Nunes, hoje já tem até seleção permanente. 

Se Remo e Paysandu souberem investir, terão bons resultados. E poderão revelar valores para a Seleção Brasileira e para o mercado do futebol nacional e internacional. As duas torcidas, com certeza, vão apoiar.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

A BORRACHA JÁ SE FOI; O MINÉRIO, DAQUI A 60 ANOS. E DEPOIS?

A industrialização da borracha trouxe progresso ao Pará. Depois, veio a decadência
Hoje, o minério sustenta a pauta de exportações paraenses. A quem ele beneficia?
Nos últimos 160 anos, o Pará experimentou vários ciclos de desenvolvimento, mas nenhum deles se compara à mineração. Ela é a de maior longevidade. Até porque o exaurimento da exploração mineral, se tudo correr como a Vale planeja para o sudeste do Estado, terá fechado seu ciclo por volta de 2075, com o ferro. Perto de 90 anos ininterruptos de exploração. Para entender as tantas fases que passamos, da prosperidade à decadência, é preciso revirar a história. 
 
O ciclo de exploração da borracha, por exemplo, que trouxe prosperidade para o Estado, sobretudo para Belém, durou de 1850 a 1920. Na capital, onde o dinheiro da borracha circulava fácil e generoso, atracavam navios abarrotados de queijos franceses, vinhos portugueses, vestidos italianos e serviçais europeus – como as costureiras belgas. Os ricos mandavam engomar suas roupas em lavanderias de Lisboa, em Portugal, além de importar patins que seriam usados em suas férias em países europeus. A força de trabalho dos seringueiros, enfurnados nas florestas para a extração do látex, era a responsável por essa prosperidade.

Pelo porto da cidade, a produção era escoada para o mercado mundial. Financiadoras de crédito, exportadoras, bancos ingleses e americanos, até uma Bolsa de Valores, surgiram em Belém, que nessa época, com seus pouco mais de 300 mil habitantes, tinha população menor que a Parauapebas de hoje. A elite paraense decidiu que Belém seria a Paris dos trópicos e fez com que a cidade se parecesse com a capital francesa, ao menos nas ruas que foram alargadas e nos prédios arquitetônicos suntuosos construídos.

Como hoje, no ciclo da mineração, o da borracha atraia muitos brasileiros, principalmente do Nordeste. Gente que fugia da seca e virou mão de obra barata na cidade e no interior das matas, para onde a maioria foi mandada para extrair o látex. Entre 1910 e 1920, porém, veio o declínio. Em 1913, enquanto o Brasil exportava 39 mil toneladas de látex, a Ásia, para onde sementes da planta haviam sido contrabandeadas da Amazônia, em 1876, pelo botânico inglês, Henry Wickhman, superava os brasileiros, exportando 47 mil toneladas.

A seringa asiática, de melhor qualidade e menor custo representou um duro golpe para o Brasil. O quase monopólio da borracha, que o país detinha, desmoronou. Belém estagnou seu desenvolvimento. Empresas fecharam as portas e os bancos estrangeiros deixaram a capital. Ela só iria iniciar sua recuperação já no final dos anos 50, com a abertura da rodovia Belém-Brasília, no governo de Juscelino Kubitschek.

A partir daí, com os incentivos fiscais da Sudam e a construção da Transamazônica, houve uma oxigenação econômica, ampliada de maneira considerável pela exportação do minério de ferro, no começo da segunda metade da década de 80.

De acordo com o Sumário Mineral do Pará estão em terras paraenses 80% das reservas nacionais de bauxita, 77% das de cobre, 43% das de caulim, 36% das de manganês e 14,8% das de ouro. O estado é ainda o maior produtor de minério de ferro do país, depois de Minas Gerais. Nos próximos cinco anos, ele deve superar Minas, com a exploração do projeto S11D, da Vale, em Canaã dos Carajás.

A pergunta que se impõe: daqui a 60 anos, quando a mineração tiver acabado nas regiões de Parauapebas, Marabá, Curionópolis, Canaã dos Carajás e Ourilândia do Norte, o que restará dessas cidades que hoje usufruem dos royalties pagos pela Vale e suas subsidiárias como compensação pelos impactos ambientais e sociais que deixarão suas marcas na geografia, inclusive a humana, desses lugares?

Quem responde?

__________________BASTIDORES_____________________

*Os índios xicrins continuam inquietos, cobrando da Vale o pagamento de compensações pelo impacto da mineração em suas terras. Eles reclamam de atraso, mas a Vale diz estar em dia.

* Um cacique xicrin mostrou ao Correio que a Vale, de fato, está atrasada. Isso já deu problemas para a empresa, no portão de entrada da Serra dos Carajás, com protesto dos índios. A Funai estaria empenhada em encontrar uma solução para que os índios recebam o que lhes é de direito.

* A polícia deve prorrogar o inquérito que apura matança de 70 bois numa das fazendas do grupo Santa Bárbara, a 30 quilômetros de Marabá. Em outubro passado, homens armados invadiram o local, saquearam casas e mataram os animais, a maioria vacas.

JORNAL PESSOAL, AMANHÃ, NAS BANCAS

Lúcio Flávio: combatente infatigável, a serviço do bom jornalismo

O Jornal Pessoal, produzido e editado por Lúcio Flávio Pinto, irá amanhã para as bancas com as seguintes chamadas de capa:

  • NARCOTRÁFICO NO PARÁ
  •  
  • BISPO NACIONAL NO XINGU
  •  
  • FACISMO SE INSINUA

CORRUPÇÃO

A vez dos Gueiros


Três filhos do ex-governador Hélio Gueiros foram os alvos de uma operação da Polícia Federal atrás de documentos para instruir ação impetrada contra eles em Araçatuba, no interior de São Paulo. É um desdobramento da Operação Lava-Jato, a primeira executada no Pará.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

MAIS PREVISÕES PARA 2016, CHOCANTES E IMPREVISÍVEIS


Conforme prometido pelo Barão de Tamuatá, em suas elucubrações premonitórias, aqui vão as previsões para 2016 nas áreas de Economia, Saúde, Educação, Segurança, Meio Ambiente, Emprego, Esporte, e Ciência. Antes, é preciso dizer que, em seu currículo de previsões que jamais deram certo, o Barão coleciona feitos inenarráveis, impressionantes e, porque não dizer, imprestáveis.

Foi dele, por exemplo, a previsão de que o Brasil seria hexacampeão, em terras tupiniquins, trucidando na final, a Alemanha por 7 a 1. O Barão estava tão certo que seríamos campeões que assistiu ao jogo com seu televisor virado de cabeça para baixo. Ele também previu que várias celebridades, do Brasil e do Mundo, partiriam desta para a melhor. As que partiram não apareceram em sua bola de cristal, mas as que continuam por aí, vivinhas da silva, estão caçando nosso vidente para lhe aplicar uma surra de toalha molhada, porque sujeito sem-vergonha como ele não vale o preço do chumbo.

Mas deixemos de lero-lero e partamos para as previsões:

Economia - Pautado pelo mercado de capitais e outros pecados financeiros, o Barão deseja a todos os que têm dinheiro em banco, ou que guardam suas econômias debaixo do colchão, um feliz 2017. Quanto a 2016, ele não consegue ver nada, embora tenha ido ao oculista. Antes, teve de vender o aparelho de TV para pagar a consulta. De previsão, mesmo, o máximo que consegue enxergar é a cara de George Washington na nota de dólar. O ministro da Economia será demitido por Dilma, mas como ninguém é doido de assumir o pepino, o demitido reassumirá o cargo, sob bombardeio da CUT e do PT, para variar. A dívida pública passará de 2 trilhões. Impagável, até no riso. Os juros, por outro, vão cair. De pau, em cima do coitado  do consumidor. Nem pense em se matar, porque o preço da corda ou da bala farão você desistir.

Saúde - Os hospitais públicos e os postos de saúde, em 2016, funcionarão com perfeição e sem filas. O doente que chegar em busca de atendimento será logo atendido com rapidez e eficiência. Os medicamentos serão distribuídos gratuitamente para todos. Greve no setor, nem pensar. O Ministério da Saúde será extinto por falta do que fazer. Em Belém, os pronto-socorros do Guamá, da 14 de Março serão modelo de atendimento. Médicos, enfermeiros e atendentes, enfim, terão salários dignos. No dia em que fez essa previsão, o Barão de Tamuatá ardia de febre, com 40 graus, mas jurou que não estava delirando. Um amigo até chegou a perguntar-lhe: "égua, qual a cachaça que tu fumastes?". O Barão também prevê que o mosquito da dengue, zika e chikungunya será expulso do país a tapa, caçado implacavelmente. Uma vacina será descoberta para a cura de várias doenças, inclusive olho gordo e dor de cotovelo.

Educação - As escolas funcionarão em tempo integral em todos os estados e municípios. Com verbas sobrando da roubalheira na Petrobrás e confiscada dos corruptos por decisão do STF, alunos e professores terão um ano promissor. A merenda escolar não será mais merenda, substituída por almoço, lanche e jantar em todas as escolas. Os professores terão salários polpudos e deixarão de reclamar pelos cantos e ruas. Ninguém se atreverá a pedir mais verbas para a educação. O Barão diz que, do jeito que o Brasil vai, essa previsão, como outras que ele já fez, tem tudo para dar certo. E se não der, avisa, será por culpa dos ignorantes e da turma do "quanto pior, melhor". Sua fé na mudança educacional é tanta que ele promete levar para o Haiti a fábrica de diploma falso que montou aqui caso a previsão não se concretize.

Segurança - Essa previsão é a mais fácil de todas, segundo o Barão. A criminalidade cairá tanto, mas tanto, que as pessoas sairão alegres e felizes às ruas, exibindo seus celulares, relógios, aneis e carteira de dinheiro, porque não haverá bandidos para assaltá-las. A PM e a Polícia Civil serão incorporadas ao Ministério do Amor, como no livro de George Orwel. Os homicídios raros e as cadeias, esvaziadas. As famílias, enfim, removerão as grades de suas portas e janelas, que ficarão abertas para reuniões de vizinhos e amigos. Os traficantes de drogas, por sua vez, se converterão e doarão seus bens às igrejas. Eles irão trabalhar no campo, plantando flores. O Barão contou ao blog que no dia em que teve essa "revelação" sobre a segurança pública, homens invadiram seu cafofo e o prenderam numa camisa de força. Depois de tomar muito choque elétrico e entrar no pau de arara, ele foi libertado. Depois de examinado por um psiquatra, recebeu um atestado de doido. Com isso, poderá até candidatar-se a prefeito de Belém.

Meio Ambiente - As árvores estarão salvas dos desmatadores. Algumas cairão sobre eles, na afobação para fugir dos agentes do Ibama. As queimadas também diminuirão drasticamente na Amazônia. O ar será mais respiravel em cidades como Belém. As bicicletas substituirão os carros nas ruas. Mas o Barão, que não sabe andar de bicicleta, continuará circulando em seu Fusca 1963 que ganhou de presente de um sucateiro. A poluição sonora será combatida com rigor. Passarinhos, sabiás e papagaios proibidos de emitir qualquer som para não perturbar ninguém. Festas de aparelhagem, nem pensar. É nesse clima de euforia que o Barão promete começar seu tratamento contra a surdez.   

Emprego -  Quem perdeu o emprego irá tê-lo de volta. A construção civil, a indústria e o comércio terão uma recuperação surpreendente, trazendo de volta os demitidos, que ainda terão os salários dobrados. "O Brasil está no rumo certo, eu é que ando sem rumo, sem eira nem beira", filosofa o Barão. Desempregado desde ao nascer, ele prevê ainda que o ajuste fiscal vai salvar o país. Nem tanto o pescoço do contribuinte, que mais uma vez pagará a conta. Dilma está à beira do abismo, reconhece o vidente, mas o conselho que ele dá a ela, para superar a crise, é um só: "dê um passo à frente". 

Esportes - É ano de Olimpíadas, e, o que é melhor, no Brasil. A Pátria estará de chuteiras, cuecão de couro e calcinha, dando ( de novo?) o melhor de si em todas as competições contra os gringos. Nossos atletas irão proporcionar inúmeras alegrias a todos. Seremos imbatíveis nas modalidades porrinha, peteca, cuspe à distância, "cemitério", "pira", bambolê, bola ao copo, arremesso de sogra, jogo da velha, conto do paco, e o que pintar. No futebol, a única certeza do Barão é que o Ibis, o pior time do mundo, não será campeão brasileiro, apesar da mediocridade dos nossos clubes. O Flamengo será rebaixado para a Série B, e o Vasco, para a C, apesar do Pikachu arrebentar. No Pará, o Santa Rosa, de Icoaraci, deixou escapar a grande oportunidade de ser campeão regional. Teimoso, o clube preferiu não disputar a competição.  A canoagem será o esporte de maior atração em Belém, principalmente durante o inverno. Remo e Paysandu, que se amam e se odeiam, continuarão a seguir entre tapas e beijos.

Ciência  - Um pesquisador brasileiro descobrirá que em Marte, além de água, tem energia farta e barata. Muitos paraenses se habilitarão a fazer uma viagem ao planeta vermelho, para escapar da conta de luz da Celpa, que nem marciano aguentaria se viesse para cá. O lado científico do Barão aflorou e ele decidiu fazer uma experiência: pegou uma aranha, cortou metade das pernas dela e gritou "vai, anda". Aranha andou. Aí, ele cortou a outra metade das pernas da aranha e gritou, novamente, "vai, anda". Ele berrava e aranha não andava. Depois de muita insistência, ele concluiu: "está provado, por A mais B que a aranha sem pernas fica surda". O transplante de cérebro será a grande novidade. A primeira cirurgia será feita por um médico brasileiro. O primeiro doador será um político. Não dará certo porque se descobrirá que o cérebro, com neurônios a menos, foi penhorado pelo governo. 
 
Dica - Depois de ler tais previsões, o Barão de Tamuatá recomenda que você vá no Ver-o-Peso, compre um coquetel de ervas, tome depois aquele banho. Abra a porta de sua casa, ou apartamento, e deixe o espírito do Ano Novo entrar ( pera lá, isso já é perseguição) em voce.  E que você rompa o ano ( ele disse ano, não vá pensar besteira, nem mudar a palavra ) numa boa.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

AS TERRÍVEIS PREVISÕES SOBRE A POLÍTICA


Para fazer suas previsões, o Barão de Tamuatá utiliza uma combinação de elementos que nem  ele entende, mas que, no final - e isso é o que importa - acaba não dando certo. Ele é sempre baseado (que não é cigarro de maconha) em numerologia, chutologia, bola de cristal feita de mogno, búzios, copo na mesa, e em mensagens telepáticas gravadas na tela do celular dele pelos extraterrestres de Colares e Varginha. Esse aparato é suficiente para que suas previsões sejam sempre coroadas do mais retumbante fracasso. 

Eis as previsões:

Política - A presidente Dilma não vai cair, mas também não vai ficar no cargo. Ela será abduzida por uma nave espacial e sequestrada por alienígenas a serviço de Eduardo Cunha, o homem que não esquenta a cabeça nem quando ela pega fogo. Ninguém notará a saída de Dilma do poder. É como se o povo brasileiro tivesse sido hipnotizado. Renan Calheiros escapará de asa delta de nova etapa da operação Lava-Jato. E pedirá asilo no Paraguai.

Lula, aquele que nunca sabe de nada, vai aproveitar o momento para se lançar candidato, disputando a presidência com Michel Temer, o que morde e assopra. O vice de Lula será o amigo Bumlai. Lula não é de guardar rancor e beneficiará  o amigo que o dedurou com uma premiação delatada no Palácio do Planalto.

Tiririca, o do slogan "pior que tá, não fica" desistirá de sua candidatura a presidente, apesar do intenso apoio de todos os palhaços do país, os verdadeiros e os criados pela maledicência preconceituosa. Bolsonaro vai desistir da política ao ter revelada, por um amigo secreto, sua verdadeira orientação sexual. Pedirá perdão a gays e lésbicas e sairá de cena, escoltado por uma tropa de machões, sob uma chuva de purpurina. 

Será, também, um ano de intensas negociações no Congresso. Várias comissões, com percentuais diversos, serão formadas. Um deputado vai propor, num projeto de lei, que a propina paga nos negócios feitos por debaixo dos panos caia de 40% para 10%. O deputado dirá que seu objetivo é reduzir a corrupção até que o último corrupto de Brasília se mude para São Paulo. Mas, durante a votação da matéria, enquanto os deputados se distraíam, o painel de votos será roubado. 

O PMDB vai continuar dando as cartas - marcadas - no país, obviamente por debaixo da mesa; o PSDB, para variar, será a oposição que não se opõe, porque sabe a cumbuca onde mete a mão. O PT não fará "mea culpa" da roubalheira no Petrolão e dirá, em nota assinada por Zé Dirceu, que todos os corruptos devem ser presos, julgados e deportados para um planeta onde chove diamantes, a 40 anos-luz da Terra. Lá, enfim, eles descansarão em paz. Bem longe dos Sérgios Moros da vida e do japonês da Polícia Federal.

Como 2016 será um ano eleitoral, haverá eleição em mais da metdade das prefeituras que ainda não foram loteadas pelos atuais ocupantes. O povo irá para as ruas com escovão e detergente, mas se esquecerá de votar e mudar o quadro político, elegendo os mesmos pilantras dos quais tanto fala mal.  O Barão de Tamuatá, nessa previsão, sugere que se importe eleitores da Síria, Líbia e Iraque para votar no lugar do povo brasileiro que, como Pelé - o poeta calado - bem disse, não sabe votar. Maldade do Barão com o povo.

Em Belém, Zenaldo Coutinho será fragorosamente derrotado por uma aliança entre náufragos dos canais do Tucunduba, Estrada Nova, Bacia do Una, do Bengui e dos alcoólatras do bairro da Matinha. A causa da derrota de Zenaldo, mostrada pelo Barão de Tamuatá em sua bola de cristal feita de mogno, é que o governador Simão Jatene saiu para pescar dias antes da eleição e não reapareceu para carregar o aliado no colo, como fez na eleição passada. 

A Câmara Municipal de Belém terá renovação de 70%. Surgirão vereadores com propostas ousadas. Uma delas será mudar a capital do Pará para Afuá, no Marajó, onde pelo menos não alaga, uma vez que as ruas daquela cidade são constituídas por estivas. Outro vereador vai propor que sejam construídos banheiros públicos por toda a cidade e que os mijões de rua sejam presos. Haverá uma passeata de bêbados e ressaqueados, protestando contra a medida. 

A comemoração dos 400 anos de Belém será adiada por excesso de anos e falta de obras para mostrar. O prefeito, no dia 12 de janeiro, decretará ponto facultativo e mandará o povo se queixar ao bispo.  Que também dirá que nada tem a ver com isso e mandará o povo se queixar ao papa. Como o papa fica em Roma e Roma é longe pacas de Belém, o jeito é o povo, que não tem dinheiro para comprar passagem de avião, ir para a rua e cair na farra.    

Aguarde as previsões sobre Economia, Meio-Ambiente, Ciência, Saúde e Educação, etc.

domingo, 27 de dezembro de 2015

AS PREVISÕES DO BARÃO DE TAMUATÁ PARA 2016.

 
O redator do blog Ver-o-Fato, em suas andanças pelo sudeste do Pará, dez dias atrás, encontrou-se com o maior guru desconhecido de todos os tempos. Um vidente, ou profeta, que põe no chinelo - melhor dizendo, no lixão do Aurá - esses videntes que se danam a fazer previsões, todo final de ano. Nostradamus, Edgar Cayce, Mãe Dinah, por exemplo, nunca passaram de amadores perto dele. É um homem da terra, nascido no Pará, que fala "égua", "paidégua", "arreda aí, mano", e que faz previsões assustadoras, na mosca, inclusive sobre o tal mosquito da dengue, zica e chikungunya. 

Esse vidente é diferenciado. Além do futuro, ele também faz previsões sobre o passado. Se você ainda não o conhece (nem o dito cujo sabe, na verdade, quem ele próprio é, embora alguns maledicentes o chamem de filho daquela), vamos apresentá-lo. Com vocês, o Barão de Tamuatá. O pai de todos os videntes e imprevidentes. O sábio mais ignorante já surgido na face da Terra. A contradição das contradições.

Dono de um currículo invejável, até para os mais invejosos. O Barão de Tamuatá, para quem não sabe - e faz muito bem em não querer saber - possui doutorado, pós doutorado, além de outros títulos não clubísticos, pela UTEPA - Universidade dos Trapaceiros do Estado do Pará. É também "imortal" - pois não tem onde cair morto - da Academia Paraense de Letras Protestadas. Foram títulos conquistados com muita transpiração, principalmente ao fugir da polícia e dos grupos de extermínio que dominam Belém. Sabe como é, não é fácil ser trapaceiro em cidade onde a concorrência é forte.

Foi sabendo disso que o Barão de Tamuatá decidiu dar um tempo em sua vida torta e picar a mula de Belém. Foi esconder-se na Serra dos Carajás, num daqueles buracões da Vale visto do espaço. "Eu precisava recarregar minhas baterias e fui me entocar na mata, para receber as mensagens do Além e saber como ficará o Brasil e o mundo, em 2016", justificou o Barão de Tamuatá. Mas antes que se fale de suas peripécias e de sua maior qualidade, a de fazer previsões imprevisíveis, capazes de assustar o mundo e diretores de filmes de terror, melhor é apresentá-lo ao distinto público. 

Quem ele é? Qual sua origem familiar? O que já fez pela humanidade para ser esta pessoa tão desconhecida e famosa até em ilha deserta?  Em primeiro lugar, ele teve uma infância atormentada. Tomou um violento choque - maior do que ao ler a conta de luz da Celpa, no final do mês - quando soube, pelo pai desnaturado, que não tinha sido concebido na pedra de peixe do Ver-O-Peso, em meio a uma noitada de cachaça, entre seu suposto genitor e uma periguete. Esse boato correu por Belém inteira, em bocas de sapo, de matildes, e nas festas de aparelhagem.

Católico fervoroso, desses que não sai de um terreiro de Umbanda, o pai do Barão de Tamuatá revelou num confessionário que nosso vidente papa-açai era filho legítimo da Matinta Pereira com um guarda noturno. Ao tomar conhecimento dessa terrível revelação, o vidente dos videntes entrou em profunda depressão. Tentou o suicídio duas vezes: primeiro, tentou atirar-se debaixo de um ônibus do BRT, na Augusto Montegro. Foi salvo, felizmente, pela inércia do prefeito Zenaldo Coutinho, porque o BRT não existe.

Depois, tentou pular do segundo andar do prédio do PSM da 14 de Março, mas descobriu que o local tinha pegado fogo. Como suicida, o Barão revelou-se um fracassado. Por sugestão de amigos da onça foi bater no divã de um psicanalista. Queria entender porque tanta sofrência, tanta urucubaca. Esperava que o psiquiatra dissesse que estava maluco, mas o doutor o desestimulou: "sinto muito lhe dizer, mas o senhor está melhor do que eu, que ainda presto serviço ao SUS". O Barão saiu correndo daquele consultório. 

Pensou em mandar o pai de araque para a cidade dos pés juntos, enfiado num belo paletó de madeira. Novamente refletiu e resolveu que melhor seria gastar a herança que o velho havia deixado para ele. Nova surpresa, nova decepção. Sua frustração ao saber da herança foi maior que a do Helder Barbalho, que dormiu eleito em 2014 e acordou vendo o Simão Jatene pela terceira vez na cadeira de governador. A tal herança não passava de uma cueca  suja sem dólar dentro, a velha dentadura que havia ganhado num comício do PSDB, um disco do Mr. Catra e um título de sócio-torcedor do Sacramenta Esporte Clube.

Sem lenço, nem documento, mais carente do que Belém de obras, o Barão de Tamuatá decidiu inscrever-se no programa Bolsa Família do governo Dilma, embora sua família, na verdade, seja apenas um rato de estimação a quem chama de Dudu, um casal de patos foragido de restaurante naturalista, além do macaco-prego a quem ensinou a roubar esmolas de velhinhas nos sinais de trânsito. Não ganhou a casa, porque o país entrou em crise. Foi pedir conselhos ao Lula, mas o ex-presidente mandou lhe dizer que não sabia de nada. Magoado com as injustiças do mundo,  resolveu dar  (opa) tudo aos pobres. 

Antes de embrenhar-se na floresta amazônica, largou os pecados e aderiu à vida ascética. Não come mais nada, nem ninguém. O redator do blog sabia que o único bem que restara ao profeta dos profetas era seu incrível dom de prever os fatos, o destino das celebridades, dos burgueses entediados, dos governantes montados na carne seca, e dos políticos picaretas. 

Nas próximas postagens, você ficará sabendo das terríveis previsões do Barão de Tamuatá para 2016. Prepare-se. Depois dessas revelações, você jamais será o mesmo. Sua vida mudará para sempre. O blog jura. Pela fé da mucura.

Aguarde.

sábado, 26 de dezembro de 2015

O “ARTISTA” PODEROSO DO BRASIL


Oswaldo Coimbra*
 
Performance é uma palavra que vem sendo usada, desde os anos de 1960, para designar a atuação oferecida como espetáculo, por alguém, num momento qualquer, fora dos espaços dos teatros. Uma atuação como a que teve nos corredores da Câmara Federal o presidente daquela Casa Legislativa, Eduardo Cunha, no dia 15, diante da multidão de jornalistas que o cercaram para ouvi-lo quando a Polícia Federal invadiu as residências e os escritórios dele. Em busca de documentos que comprovassem as denúncias feitas ao ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki pelo Procurador-Geral da República Rodrigo Janot, contra ele.
 
O desempenho do presidente da Câmara Federal naquela entrevista levou o advogado, professor da Fundação Getúlio Vargas, Jean Menezes de Aguiar, a escrever para o site Brasil247 um artigo com o título: “Admita-se, Eduardo Cunha é um espetáculo em frieza e equilíbrio”. No artigo, ele observou: “Inacreditavel sua calma cênica perante jornalistas famintos de seu fígado; seu imperdível raciocínio lógico, fazendo dos mesmos jornalistas uns ginasianos; e seu cinismo olímpico. Mostraram um Cunha realmente tranquilo. Arriscar-se-ia dizer: em paz. Quase bocejando, com preguiça. Ou para a ira de muitos: superior a todos ali. Não se tratava apenas de um comportamento blasé, mas de uma interessante calma interior”.
 
O advogado prosseguiu: “Quando se fala em 'calma', é uma calma que obviamente não condiz com o verdadeiro e custoso inferno judicial, político e público em que o deputado está enfiado. Até o pescoço”.
 
Jean, então, admitiu: “Cunha 'começa' a se mostrar uma personalidade interessante”. Ele comparou: “É o lindo e louco Stansfield do filme 'O profissional', vivido pelo maravilhoso Gary Oldman, ouvindo música clássica enquanto matava toda a família de Mathilda, a tiros de 12”. Uma prova disto: Cunha “garantiu que receber o camburão da Polícia Federal às 6 horas da manhã em casa, com ordem judicial emitida pelo Supremo Tribunal Federal 'né nada demais'. É coisa que qualquer brasileiro tem que encarar com naturalidade”.
 
No final do artigo, a previsão: “Cunha continuará a ser este prodígio de verborragia, fluidez léxica, agilidade mental e ilusionismo cênico. Talvez só perca a graça mesmo quando a polícia lhe visitar para levá-lo preso. Se acontecer, claro. Ou quando este Legislativo aí cassá-lo (será?). Aí, 'estima-se' que ele experimente um gosto ruim na boca. Ou não”.
 
Depois que este texto foi postado, na área reservada aos comentários dos leitores, dois profissionais da área da Saúde Mental trocaram pontos de vista. A psicóloga da Unicamp Vera Chvatal e o antigo diretor do Instituto Médico Legal, de Porto Alegre, psiquiatra Mareu Soares. Ela escreveu sobre Cunha: “As características de personalidade são claramente do psicopata. Por isso a inteligência, a frieza, a calma, o cinismo, o ar de superioridade”. Mereu respondeu-lhe: “Perfeito, Vera”. E adiantou: “Só vamos nos livrar de Cunha quando uma ação popular no STF exigir uma junta psiquiátrica e de psicólogos para examiná-lo. Tenho a certeza de que, então, ele será interditado para o exercício de qualquer função pública”.
 
Por coincidência, dias antes, Mareu tinha analisado detalhadamente a personalidade de Cunha, para outro site – o Imagem Política. Lá, ele se insurgiu contra a classificação de “delinquente” feita a Cunha por Rodrigo Janot, na sua denúncia ao STF. Janot que também tinha usado como epígrafe no seu texto esta frase de Mahatma Gandhi: “Tem existido tiranos e assassinos. E, por um tempo, parecem invencíveis. Mas, no final, sempre caem”.
 
Em discordância com ele, Mereu sustentou no artigo intitulado “205 milhões de brasileiros nas mãos de um psicopata”:
 
“Cunha não é um sujeito ‘eticamente desqualificado’. O caso dele é qualificado pelo Código Internacional de Doenças: Transtorno de Personalidade Dissocial. E, o mais dramático, essa patologia não tem até hoje possibilidade de cura. São pessoas sedutoras, cínicas e manipuladoras. Mentem exageradamente, sem constrangimento ou vergonha. Ao narrar fatos, costumam utilizar contextos fundamentados em acontecimentos reais, mas manipulados de acordo com seus interesses. Seduzem seus parceiros para convencê-los a fazer algo em seu lugar, evitando assim prejuízos a si mesmos. Jamais sentem culpa. Fingem ter comportamentos éticos para se infiltrarem em grupos sociais ou religiosos. Uma atitude fundamental, porém, é certa: jamais (se deve) dar condição de mando a esse tipo de doente. Os estragos que são capazes de fazer são quase inimagináveis”.
 
O temor de Mereu se espalhou através da internet no dia 21. No blog “Vergonha na cara”, apareceu uma foto do rosto de Cunha com esta frase em letras gigantes: “Todos contra o psicopata”. Três dias depois, a postagem acumulava 112 compartilhamentos.
 
Mas, afinal, Cunha é delinquente ou psicopata? Para o professor de Psicologia Guilherme Boulos, membro da coordenação nacional do movimento dos sem teto, ele é apenas a “expressão da captura das funções públicas pelos interesses privados”? Num artigo produzido para o site Jusbrasil, Boulos ressaltou: “O diferencial de Cunha - que espanta pela ousadia - é que ele constituiu uma bancada própria, com a fidelidade que o dinheiro assegura”.
 
O tempo certamente vai mostrar o verdadeiro Cunha. Ninguém, porém, duvide. No futuro, os brasileiros se indagarão “Como foi possível acumular tanto poder político alguém com as características psicológicas dele?”. Exatamente como se perguntam, hoje, os alemães, em relação a Adolf Hitler. Também performático. Na gesticulação exagerada dos seus discursos e nos seus quadros de pintura. Por isto, ironizado numa tela de Giuseppe Veneziano em que o pintor italiano o mostrou na pele de um violinista.

*Oswaldo Coimbra é jornalista e escritor

NO BAIRRO DO BARREIRO, 15 JOVENS MORTOS NOS ÚLTIMOS MESES


Um pastor evangélico, em conversa há pouco com o Ver-o-Fato, fez uma revelação que aqui é reproduzida para, não apenas a reflexão, mas providências concretas das autoridades autodenominadas competentes. No bairro do Barreiro, onde o pastor atua há pouco mais de dois meses, dois jovens que frequentavam a igreja foram assassinados.

As vítimas eram viciadas em drogas que buscavam na igreja uma forma de fugir do inferno em que viviam. Uma delas foi executada quase em frente à igreja. Na área onde se localiza a igrejinha evangélica, a revelação mais contundente do pastor: nesses últimos meses, 15 jovens foram assassinados.

Alguns tinham ligações com o tráfico de drogas ou porque eram apenas viciados que deram calote nos traficantes. Outros, morreram porque estavam na companhia dos jovens escolhidos para morrer por matadores que agem impunemente. Ou seja, as  milícias continuam livres, leves e soltas por toda a Região Metropolitana de Belém, praticamente atuando nas barbas das autoridades. Matam sem ser importunadas.

E o pior: nem inquérito policial existe para apurar tais assassinatos. O que diz, a respeito disso, o general Jeanot Jansen, nosso secretário de Segurança Pública? 

GUEIROS E SÓCIOS RESPONDEM A PROCESSO POR FRAUDE NA SUDAM

Investigados pela  Operação Lava-Jato, os Gueiros têm o estaleiro Rio Maguari nesse rolo com verba da Sudam


“O fato de terem os acusados se unido, em caráter estável, para a consumação de vários crimes configura claramente o delito de formação de quadrilha ou bando. Trata-se de pessoas que, em conjunto, conseguiram viabilizar uma fraude de tão largas dimensões contra o poder público, que chegaram a receber, indevidamente, recursos do Fundo de Investimento da Amazônia (Finam), no montante de R$ 3.547.000,00, valores não corrigidos”. Esse processo tramita na 4ª Vara Federal de Belém, cujo titular é o juiz Antonio Carlos Almeida Campelo.

Este é uma trecho da denúncia do Ministério Público Federal (MPF), feita em 23 de março de 2009, pela procuradora da República Maria Clara Barros Noleto contra os dois filhos do ex-governador Hélio Gueiros, o advogado Paulo Érico Moraes Gueiros e o engenheiro naval André Morais Gueiros, por crime contra o sistema financeiro nacional e formação de quadrilha, entre outros. As transferências criminosas, segundo o MPF, foram feitas nos anos 2000, 2001 e 2002, cujos valores reajustados somam ao menos 10 vezes mais.

Além deles foram denunciados Maria Inez Gueiros (mulher de Paulo Érico), Ana Lídia Gueiros (mulher de André), Ivan Braga Moraes e Andréa Nassar Lopes, todos diretores do Estaleiro Rio Maguari. No golpe, houve utilização de empresa fantasma, notas fiscais e documentos falsos, simulações dolosas e inversões incorretas de recursos incentivados.

Junto com eles foram denunciados Cláudio Sampaio Sobral e Paulo Sérgio Góes de Oliveira, ambos donos da empresa Tecnel Engenharia Ltda., além de Paulo Eugênio Abboud Maués e Aélcio de Jesus Monteiro dos Santos, donos da empresa SS. Administração e Serviços. As investigações da Polícia Federal constataram que a Tecnel era empresa fantasma, já que no endereço constante da nota fiscal e no seu contrato social, na Tv. Castelo Branco, nº 1174, sala E, Guamá, Belém, funcionava a casa do Albergado do Sistema Penal do Estado do Pará. 
 
No segundo endereço, constante em recibos emitidos pela "empresa", figura um número de telefone que se localiza no bairro do Coqueiro. “A empresa não foi localizada pelas fazendas Estadual e Municipal” afirma a denúncia. De acordo com a procuradora, a quadrilha, através do Estaleiro Rio Maguari, forjou diversas movimentações bancárias junto à empresas do grupo, a exemplo da Tecnel Engenharia, que inexiste de fato, para tentar dar ar de legalidade aos recursos recebidos fraudulentamente do Finam. 
 
O processo contra os acusados foi instaurado em outubro de 2004, com o pedido de quebra de sigilo bancário dos envolvidos. Entre os documentos, uma auditoria do Finam identificou graves indícios de fraudes envolvendo o Estaleiro Rio Maguari, com utilização de audaciosa simulação em processo judicial de execução em torno do já desativado Estaleiro Bacia Amazônica (EBAL).  Para consumar o crime, foram usadas as empresas Construamec – Construo Agricultura Mecanizada, a COPEM - Construtora Paraense de Estruturas Metálicas, a SS Administração e Serviços, Maguari Comércio e Participações e Tecnel Engenharia. 
 
Os peritos federais comprovaram semelhanças grafotécnicas entre as assinaturas presentes nos recibos da Tecnel Engenharia Ltda. e as assinaturas dos nomes de Paulo Eugênio Abboud Maués e Aélcio de Jesus Monteiro dos Santos, ex-sócios da SS Administração e Serviços, em documentos contidos nos autos e no distrato social e alterações contratuais da empresa Refeições Industriais do Pará Ltda. Uma das artimanhas dos membros da quadrilha era promover alterações sociais e contratuais das empresas para tentar apagar pistas das fraudes.
 
A empresa SS Administração e Serviços, sócia majoritária do Estaleiro Rio Maguari, por exemplo, foi constituída em 24/01/1997 e tinha como sócios Aélcio de Jesus Monteiro dos Santos e Paulo Eugênio Abboud Maués, mas passou por seis alterações contratuais. Também foram sócios: Construamec, Ana Lídia Gueiros, Maria Inez Gueiros e Maguari Comércio e Participações. Segundo a denúncia, Maria Inez Gueiros e Ana Lídia Gueiros foram conselheiras da EBAL e Paulo Érico e André Gueiros foram diretores. Conforme consta dos autos, a EBAL, que teve a falência considerada fraudulenta, obteve recursos do Finam e financiamentos do BNDES, banco federal, para o projeto semelhante do Estaleiro Rio Maguari. 
 
De acordo com o projeto apresentado à Sudam foi estimado investimento total de R$ 11.975.685,97  para inversões fixas, capital de giro e despesas de instalação, provenientes das seguintes fontes: recursos próprios (R$ 5.987.842,99) e recursos do Finam (R$ 5.987.842,99). Em 12/11/1999, a Sudam expediu a Resolução nº 9.178, que promulgou a aprovação do projeto de implantação de interesse da empresa Estaleiro Rio Maguari.

“Ocorre que, em que pesem as sucessivas liberações de recursos públicos para serem investidos na empresa, dos quais deveriam se seguir a uma contrapartida financeira da própria empresa, o relatório preliminar de auditoria da Secretaria Federal de Controle Interno do Ministério da Fazenda, corroborado pelos resultados conclusivos dos laudos periciais contábeis da Polícia Federal feitos na documentação da referida empresa, verificou graves irregularidades sobre a verdadeira origem dos recursos considerados como próprios na contabilidade do Estaleiro”, afirma a denúncia.

Conforme o MPF, a empresa Estaleiro Rio Maguari fez simulações de pagamentos à Tecnel Engenharia, como no caso do contrato de construção civil de R$ 3.100.000,00 com a Tecnel, cujos endereços não foram localizadas pelas Fazendas Estadual e Municipal, conforme constatado por equipe de Auditoria da Secretaria de Finanças e Controle. “Além disso, os registros de pagamentos contém irregularidades, como ausência de identificação dos responsáveis pelo recebimento, emissão de cheques nominativos ao próprio pagador (Estaleiro Rio Maguari) e outras citadas”.

“A Tecnel foi constituída em 18 de abril de 1988, conforme contrato social arquivado na Junta comercial do Estado do Pará (Jucepa) sob o número 152000352663, e tinha como sócios os senhores Paulo Sérgio Coutinho de Oliveira e Paulo Sérgio Góes de Olivera, com suposta sede na Castelo Branco, nº 1174 – Sala E, Guamá, nesta cidade, vejam só, com ínfimo capital social no valor de R$ 7,13 ”, afirma a procuradora.

De acordo com a última alteração contratual arquivada na Jucepa, o sócio Paulo Sérgio Coutinho de Oliveira retirou-se da sociedade e o capital social foi aumentado para R$ 10.000,00, com as cotas divididas entre os sócios Paulo Sérgio Góes de Oliveira e Cláudio Sampaio Cabral, ocasião em que foi declarado como endereço de estabelecimento da empresa a Rod. Augusto Montenegro, s/n, Km 05, Bairro Nova Marambaia, em Belém.

“Analisando-se esse falso grupo empresarial, cujos empreendimentos em sua grande maioria receberam recursos financeiro do Finam, verificou-se que possuía inúmeras semelhanças. Somente para citar algumas delas, normalmente, eram constituídas ou administradas pelas mesmas pessoas (isso quando uma não era sócia da outra) ou possuíam a mesma sede. Frequentemente realizavam negócios entre si, tais como compra e venda de mercadorias”, constata a procuradora Maria Clara Noleto.Do blog Ver-o-Fato, com matéria de Paulo Jordão.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

EXCESSO DE POTÁSSIO AFETA CORAÇÃO E LEVA JATENE AO HOSPITAL

Jatene: elevação de potássio no sangue provocou palpitações cardíacas
Exames realizados ontem revelaram, segundo apurou o blog Ver-o-Fato, que o governador Simão Jatene teve uma elevação de potássio, também conhecida por hipercalemia. Esse aumento, provocou palpitações irregulares no coração do governador, levando-o, na terça-feira à noite, ao atendimento de emergência do Hospital Porto Dias, no bairro do Marco. Por precaução, após receber a medicação correta, ele permaneceu internado até a manhã de quarta-feira, por volta de 10h, quando foi liberado e voltou para casa.

Durante a rápida internação, Jatene foi acompanhado por sua médica particular, a  cardiologista Heloisa Guimarães. Ainda na quarta-feira, Jatene pretendia conceder entrevista ao portal ORM, para falar sobre o problema que teve e lançar sua mensagem de Natal, mas por ordem médica foi aconselhado a ficar em repouso para que na quinta-feira, ao voltar ao hospital, fosse submetido a uma bateria de exames.

Às 3 da tarde veio o resultado: estava tudo bem com o coração do governador. O problema estava na elevação de potássio. Ele tomou medicação para a normalização dos níveis de potássio e foi liberado, mas com a recomendação de que deve fazer um tratamento. A hipercalemia ocorre quando o nível de potássio na corrente sanguínea está acima do normal. Esse problema pode estar relacionado tanto a um aumento no nível de potássio no corpo do paciente quanto ao excesso de liberação de potássio das células para a corrente sanguínea.

O potássio é uma importante substância para a regulação dos tecidos musculares e atua principalmente na digestão e no metabolismo, além de realizar a manutenção da homeostase – o equilíbrio existente entre os muitos processos elétricos e químicos do corpo. O acúmulo de potássio no corpo pode se dar, também, devido a um problema nos rins, responsável pela remoção do excesso de potássio do corpo.  

Hoje, por volta de 1 da tarde, o Ver-o-Fato procurou saber como estava a saúde de Jatene, uma vez que uma fonte havia ligado para o redator do blog dizendo que o governador estaria se preparando para viajar para São Paulo, para fazer novos exames médicos. Outra fonte, ligada diretamente a Jatene, ouviu do próprio governador que o boato, como o próprio nome diz, não passava de boato. "Jatene mandou dizer que está tão bem que tomou um bom vinho ao lado de familiares, na hora do almoço", disse a fonte. 

Cirurgias e bombardeio

Em fevereiro de 2013, o governador passou por um cateterismo após uma obstrução parcial em uma das artérias do coração. A cirurgia consistiu na colocação de uma prótese, que facilita a circulação normal do sangue na artéria afetada. Jatene já havia sofrido problemas coronários em 1999, quando exercia o cargo de secretário estadual de Produção, no governo de Almir Gabriel. Foi atendido em São Paulo, onde foi implantado em uma artéria um stent, pequena mola que ajuda manter o fluxo de sangue sem obstruções. Em 2004, voltou a ter outro problema no coração.

Na ocasião, foi submetido a uma angioplastia, em Belém, no Hospital Porto Dias. O cardiologista Dionísio Bentes submeteu o governador a um eletrocardiograma e, em seguida, a um cateterismo. O exame para detectar problemas cardiovasculares apontou um comprometimento de mais de 60% em umas das artérias. O médico então decidiu que o paciente teria de passar por uma angioplastia, técnica usada há mais de 30 anos no Brasil e que utiliza um minúsculo balão inflado para desobstruir a artéria entupida com gordura. O procedimento conta ainda com uma minitela de aço que, aberta, facilita a passagem do sangue, normalizando o funcionamento do sistema circulatório.
 
Quer dizer, nos últimos treze anos, o governador já passou por três procedimentos cirúrgicos no coração. A reeleição, para o terceiro mandato - um recorde na história política do Pará em eleições pelo voto popular - e as cobranças de vários setores sociais, sobretudo nas áreas de segurança pública, saúde e educação tem exigido um esforço maior de Jatene para por as coisas nos eixos.
 
Além disso, ele enfrenta uma guerra diária, com morteiros disparados em sua direção, pelo grupo político e de comunicação comandado pelo senador Jader Barbalho, seu ex-amigo, hoje visceral desafeto. Que se utiliza de todas as armas para desgastar sua imagem perante a população.

MENINO JESUS NEGRO, NO SEU PRESÉPIO?


 
Oswaldo Coimbra*

“Uma das mulheres mais bonitas que a França já mandou para o Brasil”. Quando o jornalista Amaury Júnior definiu assim Alexandra Baldeh Loras, no seu programa de televisão, certamente contrariou algumas senhoras da sociedade paulistana. Aquelas que não cumprimentam Alexandra na porta da casa dela por pensarem que ela seja uma empregada. Alguém não captável pelo sensor social do campo de visão delas, portanto. 
 
Sim, de fato, Alexandra é linda. Negra. E também consulesa da França, em São Paulo. Estes incidentes de invisibilidade - tremendas gafes e grosserias cometidas pelas madames -, ocorrem quando ela recebe convidados na porta do seu consulado, conforme determinação do protocolo diplomático. Alexandra falou destes incidentes sentada no sofá de entrevistados do programa Jô Soares. Toda vestida de branco. Em solidariedade a outras vítimas de invisibilidade social - como explicou -: as babás obrigadas, nos clubes de elite de São Paulo, a usarem uniformes brancos. Pois a presença delas não deve ser registrada pelos sócios destes clubes. Cuja atenção precisa se voltar exclusivamente para quem tem o mesmo status social deles. 
 
Instigada por Jô a falar sobre situações embaraçosas que já enfrentou, Alexandra pediu licença e se dirigiu diretamente ao público presente à gravação do programa. De pé, propôs este exercício de imaginação:
 
“Imaginem um mundo onde tudo o que seja considerado sutil, inteligente, lindo e maravilhoso se atribua apenas aos negros. Que, assim, sejam negros os revolucionários, historiadores, inventores, filósofos, escritores. E até Jesus e Deus. Imaginem que seja formada igualmente de negros a maioria dos personagens de desenhos animados assistidos pelas crianças. Inclusive as princesas e os príncipes. Imaginem que, nas novelas, a mulher branca seja sempre a faxineira. E que a safada capaz de manchar a honra do homem negro rico também seja branca. 
 
Assim como branco seja o criminoso, traficante de droga. Imaginem ainda que só existam duas páginas, nos livros didáticos sobre os brancos. E nelas, eles sejam sempre apresentados só como escravos”. 
 
No final de sua elucubração, Alexandra fez três perguntas à plateia: “Como seria este mundo?”. “Não seria cruel ver as pessoas brancas assim?”. “Não seria chocante?”.
 
Então, ela concluiu: “Pois este é o nosso mundo. Porque somos negros”.
 
Ali, na frente das câmeras, provavelmente sem saber, Alexandra desvendou, deste modo, a perversa engrenagem social que produz graves danos na identidade e na autoestima das crianças negras. Danos demonstrados pelo psicólogo norte-americano Kenneth Clark, numa experiência realizada há 50 anos. Mas que ainda hoje é repetida nos Estados Unidos e no México, durante a execução de projetos oficiais de combate aos preconceitos.
 
Kenneth colocou dois bonecos brancos e dois negros diante de meninos e meninas, de idades entre 3 e 10 anos. Todos negros. Incialmente pediu a elas apontarem os bonecos que achavam bonitos e bons. As crianças indicaram os brancos. Depois, pediu-lhes para mostrar os bonecos maus e feios. Elas apontaram para os negros. Por fim, Kenneth apresentou a cada criança sua indagação primordial: “Com qual boneco você se parece”? Uma a uma, elas foram erguendo seus dedinhos indicadores na direção dos bonecos negros. Imensamente desoladas e vergonhadas. Sentindo-se muito distantes dos seres humanos criados pela imaginação de Alexandra.
 
*Oswaldo Coimbra é jornalista e escritor

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

A TODOS, UM FELIZ NATAL

 

Aos que pagam seus impostos e gostariam de receber a contrapartida de serviços públicos de qualidade.

Aos desapegados de hipocrisia, que fazem de todo dia um dia de ajuda ao próximo, sobretudo àquele mais necessitado.

Aos que amam a liberdade e exercitam a tolerância, admitindo a divergência, como forma saudável de debater os problemas econômicos e políticos.

Aos que não discriminam ninguém e nem aceitam ser discriminados.

Aos que desejam um Brasil e um Pará melhores e fazem sua parte para que isso aconteça.

Aos que lutam por mais liberdade e menos influência do Estado na vida dos cidadãos e cidadãs.

Aos que defendem uma Justiça verdadeiramente para todos, sem privilégios e com rapidez no julgamento das demandas.

Aos que buscam informações corretas, livres de manipulação ou atrelamento a interesses políticos e empresariais.    

O blog Ver-o-Fato deseja um Feliz Natal. E que um pouco desta data, propícia ao desarmamento dos espíritos, seja exercitado todos os dias. 


PARAUAPEBAS COBRA 2 BILHÕES DA VALE

Os vereadores dizem que o governo do Estado e a Alepa não apoiam a luta



Membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que está investigando a mineradora Vale concederam entrevista ontem para falar sobre o andamento do processo que apura as diferenças das práticas de preços declarados nos boletos de pagamentos e os registrados nas demonstrações financeiras da empresa no exercício de 2015, principalmente no tocante a Contribuição Financeira sobre Exploração Mineral (Cefem). Segundo a comissão, pelo que já foi levantado por eles, o débito da mineradora com o município ultrapassa R$ 2 bilhões, se somado os mais de 20 anos que a empresa explora a mina de Carajás. 

De acordo com os membros da comissão, José Francisco Amaral Pavão (SDD), Joelma Leite (PT), Marcelo Parceirinho (PMDB), Zacarias Marques (PP) e Euzébio Rodrigues (PT) muita coisa já foi levantada pela CPI, mas eles até agora ainda não conseguiram o apoio do Governo do Estado e nem da Assembleia Legislativa para unir forças na auditoria à mineradora, que eles reconhecem ter grande poder econômico.


A comissão já realizou reunião em Belém e Brasília buscando informações para embasar a luta deles por melhor tratamento da empresa. Segundo José Pavão, que é presidente da comissão, o que está claro e não há nenhuma dúvida é que a empresa está em débito com o município. Joelma Leite, vice-presidente da comissão, destaca que a mineradora pratica dos tipos de preço na comercialização do ferro entre suas empresas. E é essa diferença que eles estão reivindicando.


“Como a Vale é dividida em três empresas e uma vende para outra dentro dessa transação mercado nacional e internacional, esta sendo repassado apenas o valor mais baixo da Cefem, da comercialização nacional. Queremos a diferença, do valor comercializado com o mercado internacional”, diz Joelma.  A CPI foi criada em setembro e tem 180 dias, podendo ser prorrogado por 60, para concluir seus trabalhos. Segundo Joelma, vários ofícios já foram enviados à empresa e também ao Departamento Nacional Produção Mineral (DNPM), pedindo informações sobre todos os tipos de transação comercial da mineradora ligados à área da mina de Carajás. “Nós já temos resultado positivo, com o ingresso de aproximadamente R$ 16 milhões nos cofres públicos em função de uma ação acordada com a prefeitura e a empresa”, informa Joelma.


Para Euzébio, a missão deles não é fácil, mas ele lembra que o município já conseguiu vitória contra a empresa, que foi impetrada pelo governo do então prefeito Darci Lermen. “Estamos brigando contra um gigante, mas vamos fazer o nosso papel”, diz o vereador. Mais incisivo, o vereador Zacarias de Assunção disse que a Vale é sonegadora e que está dando calote no município e no Pará e afirmou. Disse que se ninguém fizer nada agora, ela vai fazer com o Pará o mesmo que fez com Minas Gerais, para quem a empresa deveria bilhões. A comissão volta a se reunir após o recesso parlamentar, em fevereiro de 2016.  


Empresa fala


Instada sobre a fala dos vereadores, a mineradora, por sua assessoria, divulgou a seguinte nota: "a Vale pauta sua conduta pelo cumprimento das leis e o devido pagamento de suas obrigações pecuniárias. A empresa recolhe regularmente a CFEM incidente em suas operações, com base na legislação aplicável e é regularmente fiscalizada pelo órgão responsável, o Departamento Nacional da Produção Mineral - DNPM". Fonte: Correio, o jornal de Carajás. Matéria de Tina Santos.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

WLAD REAPARECE, DIZ ESTAR BEM, E ACUSA JEFFERSON LIMA DE ESPALHAR BOATOS SOBRE SUA SAÚDE


Wlad afirmou que agora está bem e atacou Jefferson Lima por "espalhar boatos"

Wlad: "Jefferson Lima tem personalidade tripla". As fotos são de Jorge Nascimento

O deputado federal Wladimir Costa, o Wlad, reapareceu hoje em grande estilo, nove meses depois de afastar-se da Câmara dos Deputados e dos microfones e holofotes de suas emissoras de rádio e televisão espalhadas pelo interior do Estado. Convalescendo de graves problemas de saúde, ele afirmou, em entrevista à Rádio Metropolitana FM, que viu a morte de perto. De acordo com o relato do repórter Metran Sena, da Metropolitana, Wlad ocupou parte do horário do programa Comando Geral, apresentado por Metran, para fazer um desabafo e desfazer boatos sobre sua saúde, acusando o radialista e apresentador de TV, Jefferson Lima, seu ex-amigo e pupilo, de inventar mentiras a seu respeito.

Wlad declarou que após passar por delicada cirurgia na coluna, no dia 7 de abril deste ano, teve complicações de saúde, após "mau procedimento, que lhe rendeu a necessidade de realizar outras sete cirurgias na coluna em menos de quatro meses, debilitando assim a sua saúde de forma considerável, vindo a se recuperar com dificuldades nos últimos meses". 

Segundo ele, seu estado de saúde lhe rendeu "vários comentários infundados por programas de televisão e rádio, que chegaram a veicular que havia ficado paraplégico, assim como adquirido HIV/Aids". E começou a disparar sua metralhadora em direção a Jefferson Lima, que hoje apresenta programa de TV na RBA, veículo da família Barbalho. "Eu sei que quem proliferou bastante este assunto, de que eu estava paraplégico, foi o apresentador Jefferson Lima", acusou.

O parlamentar disse que as pessoas mandavam informações, o que deixou a família dele preocupada, de que Jefferson Lima havia espalhado que ele, Wald, estava com Aids. "Então, ele espalhou, compartilhou demais isso, chegando a dizer que eu estava definitivamente sentado em uma cadeira de rodas". Wlad, durante a entrevista, fez questão de declarar que teve medo de morrer, porque tem  família e uma filha de um ano de idade, além da mãe, de 70 anos, e outros quatro filhos,  Yohan, Mikaela, Carol e  Nyo.

“A vida é isso, é nascimento, vida e a morte quando Deus determinar, mas eu sentia fundamentalmente por causa da minha família e das centenas de famílias que dependem hoje do Wlad para sobreviver.”, acrescentou, para voltar ao ataque contra Jefferson Lima. "Eu, por um milhão de vezes, preferiria ser um cadeirante, por que eu tenho inúmeros amigos cadeirantes que são felizes, eu preferiria um milhão de vezes ser um aidético, eu só não aceitaria ser um Jefferson Lima, que tem personalidade tripla. De hoje ser Jatene e no outro dia ser apaixonado por Helder”, alfinetou Wlad. 

Ele também abordou o momento político nacional, dizendo que está no quarto mandato de deputado federal. À certa altura, definiu-se como político de "centro" e que não era oposição ao governo, embora seja "extremamente favorável ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff". E disparou em direção ao parlamento onde atua, afirmando que quem vai votar o impeachment é deputado: "quem vota é deputado, e deputado ali... eu vou te falar, as maiores prostitutas do Brasil, são bem mais valiosas que muitos deputados que ali estão. Se vendem a troco de nada!”".

No final da entrevista, ele anunciou a retomada de suas atividades normais "após completa recuperação da saúde". Dará sequência a projetos como a "Ação Wlad", e enfatizou que retornará ao rádio "mais fortalecido". O blog Ver-o-Fato procurou o radialista Jefferson Lima para que comentasse as afirmações de Wlad, mas ele não atendeu o celular, que dava sempre "fora da área de serviço". 

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

JUSTIÇA DO TRABALHO MANDA TRANSBRASILIANA PAGAR EM 48 HORAS SALÁRIOS E RESCISÕES EM ATRASO

Os funcionários da empresa fizeram protesto em Altamira, fechando a Transamazônica

Com salários atrasados desde outubro e sem condições de custear moradia, trabalhadores da Transbrasiliana Transporte e Turismo estão alojadas na sede da empresa em Altamira. Uma liminar, requerida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pelo Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários em Empresas de Transporte de Passageiros Interestadual, Intermunicipal, Turismo e Fretamento do Estado do Pará, determinou que a empresa Transbrasiliana Transporte e Turismo pague, no prazo de 48 horas, salários e rescisões contratuais em atraso a trabalhadores. 

A situação que perdura desde o mês de outubro deste ano, segundo informação  da assessoria do MPT, levou cerca de 150 empregados, que tinham moradia custeada pela empresa, a serem despejados de suas casas, buscando alojamento na sede da transportadora em Altamira. Ainda de acordo com a decisão judicial, a Transbrasiliana deve fornecer moradia ou alojamentos a todos os obreiros em situação de risco, além de água potável e alimentação até o retorno dos trabalhadores as suas localidades de origem; providenciar a emissão de passagens aéreas ou terrestres, em até 10 dias, para retorno dos trabalhadores dispensados às cidades originárias, arcando com as despesas de moradia e alimentação.

Ainda de acordo com a decisão judicial, a empresa deve garantir aos empregados com contratos de emprego vigentes a opção pela rescisão indireta (quando a quebra de contrato se dá por grave falta do empregador); e apresentar em juízo, no prazo de 48 horas, a listagem completa de todos os trabalhadores ativos do município de Altamira, bem como a relação dos trabalhadores demitidos.

O caso

Em audiência extrajudicial realizada pelo MPT, Procuradoria do Trabalho no Município de Santarém, em 2 de dezembro, foi confirmada pela ré a ausência de adimplemento de verbas salariais e rescisórias, que têm natureza alimentar, desde o mês de outubro de 2015. Segundo consta na ação civil pública de autoria do Ministério Público do Trabalho e do sindicato da categoria, os empregados da Transbrasiliana estão vivendo em condições subumanas de subsistência, “ante a impossibilidade de acomodação de todos, alguns funcionários passam a noite em colchões na parte externa da empresa” e consomem alimentos arrecadados por meio de doações.

A Transbrasiliana Transporte e Turismo Ltda. alega “enfrentar, atualmente, situação econômica delicada, com crise no fluxo de caixa, visto que tem enfrentado bloqueios de créditos junto à fornecedora CCBM (Consórcio Construtor Belo Monte) ”, também requerida na ação juntamente com a Norte Energia. No entanto, MPT e sindicato afirmam que a empresa é de grande porte, com atuação nacional, “podendo facilmente se valer de valores de caixa oriundos de outras localidades para regularizar sua situação, voltar a exercer seus serviços e receber os elevados créditos oriundos do contrato firmado com o CCBM”.

Além das obrigações fixadas na liminar, a Vara do Trabalho de Altamira também determinou o bloqueio judicial dos bens da reclamada. Caso a Transbrasiliana descumpra os termos da decisão, será cobrado R$ 5 mil por obrigação descumprida e por trabalhador que tiver seus direitos violados, multa esta a ser revertida ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) ou a outra instituição sem fins lucrativos a ser indicada pelo MPT.

N° Processo TRT8: ACP 0010955-06.2015.5.08.0103

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

QUEIMADAS AGRIDEM AS FLORESTAS. A QUEM INTERESSA?

De São Félix a Marabá, as queimadas pontificam e encobrem o ceu do Sul do Pará
Em terra, hospitais e postos de saúde lotados. Problemas respiratórios e de garganta, ardência nos olhos e rinite. No ar, pouca visibilidade e o cheiro de fumaça que invade o interior dos aviões. Pelas estradas, quem trafega de carro observa focos de incêndio em grandes fazendas e até em assentamentos de trabalhadores rurais.

Os inúmeros problemas provocados pelas queimadas – principalmente os de saúde – que dominam os céus do sul e sudeste do Pará representam um alerta às autoridades, responsáveis pela fiscalização dos crimes ambientais, e também aos defensores do meio-ambiente, que lutam pela preservação das florestas amazônicas.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que monitora por satélite as queimadas e desmatamento na região, aponta que o ano de 2015 é o terceiro maior em número de focos de incêndio nas matas paraenses dos últimos 13 anos. Em 2002, foram 48.159 focos, o campeão; em 2005, o segundo lugar, com 45.230. Neste ano, até o dia 12 de dezembro, os satélites detectaram 42.198 focos de incêndio.

Alguns desses focos foram discretos, mas ainda assim suficientes para perturbar a vida de todo mundo. Em setembro, porém, numa fazenda de Redenção, o INPE observou um incêndio que destruiu 80 hectares. É como se uma área do tamanho de 80 campos de futebol, um ao lado do outro, pegasse fogo dia e noite.

Segundo funcionários da propriedade, o fogo começou em uma montanha e se espalhou rapidamente. Os empregados chegaram a tempo de evitar a destruição de alguns equipamentos, mas não conseguiram salvar as 400 mudas de árvores frutíferas recém plantadas no local. Em outras fazendas de Marabá, São Félix do Xingu, Parauapebas, Canaã dos Carajás e Rio Maria, a situação é igual ou pior do que na fazenda de Redenção.

Mas, afinal, quem destrói mais as florestas paraenses com essas queimadas, além do desmatamento? Os fazendeiros aproveitam o tempo seco para limpar suas terras e prepará-las para novos plantios, além de controlar pragas. O problema é que alguns produtores rurais não procuram o órgão ambiental competente para realizar a queima controlada, como manda a lei. Ou seja, praticam crime ambiental.

Em assentamentos de sem terra as queimadas também acontecem pelos mesmos motivos. É hora de expandir as áreas de plantio. O fogo, para eles, é a única alternativa, o que sacrifica o já frágil bioma amazônico. Quem sofre, com isso, é a biodiversidade. Pequenos animais e plantas acabam mortos. As queimadas, para quem não sabe, comprometem a fertilidade do solo. Resultado: as lavouras produzem menos.

Pegar um solo e queimar uma vez, você vai deixá-lo ruim. Se você queimar ele dez vezes, você estará eliminando seu solo, esterilizando seu solo, deixando sem micronutrientes e sem macronutrientes que as plantas usam para crescer e se desenvolver”, afirma o engenheiro agrônomo Fernando Vilela. Não basta dizer que concorda com Vilela, porque ele tem razão. Melhor é seguir o que ele diz e aprender que a queimada é um erro.

A mata e o solo agradecem.
___________________BASTIDORES____________________

*O município de Canaã dos Carajás virou um canteiro de obras. Mas não pela iniciativa da prefeitura e sim pela imposição de interesses da Vale, que trabalha dia e noite para concluir a primeira etapa do projeto S11D. As placas da empresa estão por toda parte.

*Esse projeto é o maior de exploração mineral do país, atraindo investimentos de US$ 19,5 bilhões, ou R$ 76 bilhões ao câmbio do dólar, hoje. Parte desse dinheiro está sendo utilizado na instalação da nova mina e da usina; o restante, à logística.

*Em meio a tanta riqueza, a miséria se faz sentir, com forte presença, naquele município. Quem chega à Canaã em busca de emprego ou trabalho esbarra num dos maiores custos de vida do Estado. 
 
*O aluguel de um quartinho não sai por menos de R$ 800. Uma casa com sala, dois quartos e cozinha, bate R$ 1,5 mil. O mesmo preço do aluguel de um apartamento em Belém.