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Linha de Tiro - 19/04/2018

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

QUEIMADAS AGRIDEM AS FLORESTAS. A QUEM INTERESSA?

De São Félix a Marabá, as queimadas pontificam e encobrem o ceu do Sul do Pará
Em terra, hospitais e postos de saúde lotados. Problemas respiratórios e de garganta, ardência nos olhos e rinite. No ar, pouca visibilidade e o cheiro de fumaça que invade o interior dos aviões. Pelas estradas, quem trafega de carro observa focos de incêndio em grandes fazendas e até em assentamentos de trabalhadores rurais.

Os inúmeros problemas provocados pelas queimadas – principalmente os de saúde – que dominam os céus do sul e sudeste do Pará representam um alerta às autoridades, responsáveis pela fiscalização dos crimes ambientais, e também aos defensores do meio-ambiente, que lutam pela preservação das florestas amazônicas.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que monitora por satélite as queimadas e desmatamento na região, aponta que o ano de 2015 é o terceiro maior em número de focos de incêndio nas matas paraenses dos últimos 13 anos. Em 2002, foram 48.159 focos, o campeão; em 2005, o segundo lugar, com 45.230. Neste ano, até o dia 12 de dezembro, os satélites detectaram 42.198 focos de incêndio.

Alguns desses focos foram discretos, mas ainda assim suficientes para perturbar a vida de todo mundo. Em setembro, porém, numa fazenda de Redenção, o INPE observou um incêndio que destruiu 80 hectares. É como se uma área do tamanho de 80 campos de futebol, um ao lado do outro, pegasse fogo dia e noite.

Segundo funcionários da propriedade, o fogo começou em uma montanha e se espalhou rapidamente. Os empregados chegaram a tempo de evitar a destruição de alguns equipamentos, mas não conseguiram salvar as 400 mudas de árvores frutíferas recém plantadas no local. Em outras fazendas de Marabá, São Félix do Xingu, Parauapebas, Canaã dos Carajás e Rio Maria, a situação é igual ou pior do que na fazenda de Redenção.

Mas, afinal, quem destrói mais as florestas paraenses com essas queimadas, além do desmatamento? Os fazendeiros aproveitam o tempo seco para limpar suas terras e prepará-las para novos plantios, além de controlar pragas. O problema é que alguns produtores rurais não procuram o órgão ambiental competente para realizar a queima controlada, como manda a lei. Ou seja, praticam crime ambiental.

Em assentamentos de sem terra as queimadas também acontecem pelos mesmos motivos. É hora de expandir as áreas de plantio. O fogo, para eles, é a única alternativa, o que sacrifica o já frágil bioma amazônico. Quem sofre, com isso, é a biodiversidade. Pequenos animais e plantas acabam mortos. As queimadas, para quem não sabe, comprometem a fertilidade do solo. Resultado: as lavouras produzem menos.

Pegar um solo e queimar uma vez, você vai deixá-lo ruim. Se você queimar ele dez vezes, você estará eliminando seu solo, esterilizando seu solo, deixando sem micronutrientes e sem macronutrientes que as plantas usam para crescer e se desenvolver”, afirma o engenheiro agrônomo Fernando Vilela. Não basta dizer que concorda com Vilela, porque ele tem razão. Melhor é seguir o que ele diz e aprender que a queimada é um erro.

A mata e o solo agradecem.
___________________BASTIDORES____________________

*O município de Canaã dos Carajás virou um canteiro de obras. Mas não pela iniciativa da prefeitura e sim pela imposição de interesses da Vale, que trabalha dia e noite para concluir a primeira etapa do projeto S11D. As placas da empresa estão por toda parte.

*Esse projeto é o maior de exploração mineral do país, atraindo investimentos de US$ 19,5 bilhões, ou R$ 76 bilhões ao câmbio do dólar, hoje. Parte desse dinheiro está sendo utilizado na instalação da nova mina e da usina; o restante, à logística.

*Em meio a tanta riqueza, a miséria se faz sentir, com forte presença, naquele município. Quem chega à Canaã em busca de emprego ou trabalho esbarra num dos maiores custos de vida do Estado. 
 
*O aluguel de um quartinho não sai por menos de R$ 800. Uma casa com sala, dois quartos e cozinha, bate R$ 1,5 mil. O mesmo preço do aluguel de um apartamento em Belém.

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